Desenho é que dá futuro

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Eu capotei. Logo depois que a Ari veio fazer sei lá o que aqui no quarto, eu não prestei atenção, e perguntou se eu ia descer pra assistir o filme junto com eles – e eu disse que ia –, eu dormi, acho que devido ao cansaço. Sol, chuva, resfriado, meu corpo ficou mole. E agora acordei, e tô tremendo. Socorro! Tá muito frio.

Tirei força de algum lugar no fundo da minha alma pra levantar e vasculhar o guarda roupa procurando algum lençol com o tecido mais grosso, encontrei um edredom. Amém! Voltei pra cama e me cobri dos pés à cabeça. Lençol cheiroso. Adoro!

Ai, cacete! Meus dentes estão batendo uns nos outros.

Fiquei lá parada tentando dormir de novo, mas nada, isso por um tempão, até que a porta foi aberta. Deve ser a Ari.

- Gabe?

Não, não era a Ari.

- Hm? – gemi, quase morrendo. Ah, não aguento mais.

- Você tá bem?

- Não – choraminguei. Senti Nathaniel pôr a mão em minha testa.

- Puta que pariu, você tá queimando em febre, garota. – ele se afastou, o ouvi mexer em alguma coisa e logo depois me cobriu com mais um edredom.

- Nathaniel... não aguento mais.

Ele sentou perto de mim, na ponta da cama.

- Vai passar. – disse passando a mão em meus cabelos, que por acaso estavam meio úmidos – Eu vou pedir pra alguém fazer um chá. Já volto.

Mal respondi, ele apenas saiu. Me encolhi mais ainda, balançando meu corpo, e novamente a porta foi aberta.

- Jesuzinho, Gabe! Você tá bem? – Rosa sentou na beira da cama. Me virei pra ela.

- Olha bem pra minha cara, vê se eu tô bem, Rosa.

- Cruzes, cê tá pálida. – Alexy comenta. Arqueio as sobrancelhas, só então percebendo que tava todo mundo ali, tipo geral mesmo, menos os donos da casa e a Hanna. A bonita deve estar em casa, não pegou um pingo de chuva. Sortuda.

- É. – bocejei.

- Melhor a gente deixar ela dormir. – O Leigh é um baby. Sorri em resposta.

- Tá bom. – Ari tocou em meu ombro – Qualquer coisa liga.

- Ou grita. – Armin reforçou.

Balancei a cabeça, concordando. Eles sairiam, mas antes do Lys fechar a porta, o Nathaniel apareceu.

- Aqui, fiz pra você. Toma. – ele me ajudou a ficar sentada e me entregou a caneca. Fiquei olhando um tempo pra dentro dela vendo o líquido quente, assoprei e tomei um gole, depois outro, com um pouco de dificuldade, por causa da garganta, mas tomei quase tudo. Até que tava bom.

- Você quem fez?

- Por aí. Descansa um pouco.

- Ainda tô com frio.

- A febre vai baixar. – Mais uma vez ele verificou minha temperatura com a mão. – Deita.

Deitei o corpo todo na cama e me encolhi. Acho que cochilei, pois quando reparei Nathaniel estava do meu lado deitado e olhando pra tela do celular.

- Nath...

- Tá melhor?

- Ainda tô com frio. – ele suspirou.

- Vai tomar um banho.

- Banho? Tá doido? – minha garganta travou, fazendo eu tossir – Meleca!

- É sério, Gabe. Vai passar.

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