02| Anos depois

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「Mystic Falls」𝗖𝗛𝗢𝗘 𝗔𝗡𝗗𝗥𝗘𝗔 𝗠𝗜𝗞𝗔𝗘𝗟𝗦𝗢𝗡

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「Mystic Falls」
𝗖𝗛𝗢𝗘 𝗔𝗡𝗗𝗥𝗘𝗔 𝗠𝗜𝗞𝗔𝗘𝗟𝗦𝗢𝗡

Quando somos pequenos, aprendemos a diferença entre o vilão e o herói - o bem e o mal, o salvador e a causa perdida. Mas e se a única diferença for apenas quem está contando a história?

Meu nome é Choe Mikaelson, e eu e minha irmã gêmea, Hope Mikaelson, viemos de uma linhagem que a maioria dos humanos classificaria como "vilões". Vampiros, lobisomens, bruxas e outras criaturas sobrenaturais correm em nossas veias. Somos descendentes de um legado poderoso e perigoso.

Por trás dos muros da Escola Salvatore, escondemos o segredo de quem somos, de nossa natureza e de nossas histórias. Essa escola não é apenas um refúgio para os sobrenaturais, mas também um campo de batalha invisível onde o passado e o presente se encontram. Hoje, sob a luz da lua cheia, os portões da escola se abrirão para alguém que nunca pensei que cruzaria por eles: minha irmã gêmea, Hope Mikaelson.

Confesso que jamais imaginei que ela viria para cá. Hope sempre foi diferente de mim. Apesar de compartilharmos o mesmo sangue, éramos opostos em essência. Depois de dezessete anos vivendo vidas separadas, meus pais decidiram que era hora de Hope vir para a Escola Salvatore. Enquanto ela e minha mãe viajariam para Mystic Falls, eu e meu pai partiríamos para a França, mantendo o delicado equilíbrio que nossos pais sempre tentaram proteger.

Esse encontro breve, porém inevitável, trouxe um peso que nossos pais sempre temeram. Foi como se o universo respondesse à nossa reunião com uma série de desastres naturais: chuvas torrenciais, terremotos e caos espalhado pelo globo. Tudo isso reforçava o que eles sempre disseram: nossos caminhos não deveriam se cruzar.

Enquanto o carro nos levava embora de Mystic Falls, tive alguns segundos para olhar minha mãe pela última vez antes da separação. Havia saudade em seus olhos, um desejo claro de me abraçar. Eu sentia o mesmo. Mas não era o momento. Não ainda. Então desviei meu olhar para Hope, esperando encontrar algum sinal de saudade ou carinho em seus olhos. O que vi, no entanto, foi ódio. Um ódio que queimava como o fogo mais cruel.

Ela me odiava. E por quê? Por eu ter ficado com nosso pai enquanto ela crescia com nossa mãe? Hope nunca valorizou nossa mãe como deveria. Minha mãe não era um "grande mal". Pelo contrário, era uma mulher incrível, uma mãe dedicada. Por que Hope não conseguia enxergar isso?

A viagem para a França foi longa, mas finalmente chegamos ao nosso destino. Paris estava ainda mais bela do que da última vez que estive aqui. Assim que entramos em nossa casa, fui tomada por uma onda de nostalgia. Era como se eu tivesse voltado no tempo, aos meus dez anos, quando passei uma temporada com meu pai nesta cidade.

Depois de desfazer minhas malas, tomei um banho demorado e me deitei. O cansaço me envolveu como um cobertor, mas antes que eu pudesse adormecer, meu celular vibrou. Era uma ligação. O nome na tela fez um sorriso se formar em meu rosto: Elizabeth Saltzman.

- Choe Andrea Marshall Mikaelson! - gritou Lizzie do outro lado da linha, sua voz repleta de drama, como sempre.

- Estou aqui, Elizabeth. O que você deseja? - perguntei com um tom calmo, já prevendo o que estava por vir.

- Desejo que você volte o mais rápido possível e tire o seu clone mal-educado daqui! - respondeu ela, com a voz embargada, como se estivesse prestes a chorar.

- Meu clone, Lizzie? Ela não é meu clone, é minha irmã gêmea. - Ri suavemente, tentando aliviar seu drama.

- Não pode ser, Choe! Ela não é nada parecida com você. Você é doce, gentil... e ela? Ela chegou aqui mandando em tudo! - disse Lizzie, claramente ofendida.

- Esse é o jeito da Hope... - respondi com tranquilidade. - Mas não se preocupe, minha loirinha. Logo ela será mais legal.

- Legal? Ela só é legal com a Josie! - exclamou Lizzie, como se estivesse me confidenciando o maior dos segredos.

- Josie? Josie Saltzman? - perguntei, incrédula.

- Sim, Choe. Hope está toda felizinha com a Josie. Talvez ela tenha... gostado da minha irmã. - Lizzie falou rápido demais, mas sua última frase me deixou intrigada.

- Lizzie, você acha que a Hope... - comecei, mas ela me interrompeu com um grito:

- E SE A HOPE ESTIVER GOSTANDO DA MINHA IRMÃ?!

- LIZZIE! - reprendi, embora minha voz tivesse um tom divertido. - Não seja exagerada. Imagina só!

- Choe? - Lizzie chamou meu nome com suavidade.

- Sim, Lizzie? - respondi em um sussurro.

- Choe Andrea Mikaelson, você é a irmã que eu sempre quis ter. - Sua voz estava doce e sincera, carregada de emoção. - Eu te amo.

Fiquei alguns segundos sem palavras. Elizabeth Saltzman raramente era tão vulnerável.

- Elizabeth Saltzman, eu também te amo. E obrigada por ser minha irmã caçula! - exclamei, sorrindo.

Com essa declaração de amor fraternal, terminei meu dia. Uma ligação simples, mas que me encheu de calor. Lizzie não era apenas minha amiga; ela era minha irmã do coração.

Enquanto a noite envolvia a França com seu manto escuro, eu sabia que, em algum lugar, Hope estava começando sua jornada na Escola Salvatore. E eu, mesmo de longe, torcia para que ela encontrasse sua própria luz.

THE NOT PERFECT SISTERS, legaciesOnde histórias criam vida. Descubra agora