Capítulo 18

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Elizabetth

Seus cabelos oscilavam enquanto cavalgava em meio ao campo aberto e frio ao norte de Crossfire, Storm sequer hesitava enquanto corria, levando-a cada vez mais para perto de seu destino.

Quando a grande entrada da propriedade surgira pouco mais adiante, ela desmontara e fora caminhando, cortando passar pelo vilarejo, desse modo seu caminho se tornando mais longo até que por fim ela finalmente estivesse diante da propriedade de Devonshire.

Ela amarrou sua égua entre as árvores nos jardins mais longínquos da propriedade, e caminhou até a porta da frente que se abriu antes que ela sequer ousasse bater. Aquilo lhe arrancou um sorriso irônico dos lábios, ao dar de cara com o que deveria ser a governanta. Olhos um pouco puxados, cabelos grisalhos extremamente impecáveis e puxados para trás em um coque perfeito e alinhado, a pele enrugada de seu rosto apenas serviu para dar ênfase na expressão dela ao encarar a rainha diante de si e encará-la com desprezo antes de virar as costas e caminhar para dentro, dando passagem para que ela entrasse.

O seu interior era bonito, madeira escura entalhada e bem polida de um modo que chegava a brilhar, os móveis eram antigos, porém muito bem conservados, parecia ter passado por algumas modificações, se perguntou por um instante como deveria ter sido o material original. Ao ser conduzida a sala de visitas, reparou nos móveis sofisticados e limpos, os tons se mesclando em verde pastel e os desenhos de pequenas flores delicadas entalhadas no tecido dos sofás.

-Irei chamar o sr Devonshire. -disse a senhora despertando-me de meu devaneio, partindo logo em seguida, me deixando sozinha.

Apenas cinco minutos se passaram até que um homem, também grisalho, um pouco mais baixo e de aparência cansada irrompeu pela porta, parando imediatamente no meio do caminho e arregalando os olhos ao me encarar, apesar das rugas em seu rosto ela pode notar que empalidecera, e pode sentir o seu coração pulsar mais rápido e descompensado naquele instante.

-Não é possível. -disse simplesmente e ela o encarou com a expressão um pouco divertida.

-Nos conhecemos? -ousou indagar e ele arquejou.

-Sua majestade em pessoa está em minha propriedade. -ele engoliu em seco e bradou para a governanta que estava em qualquer lugar da casa naquele instante, provavelmente na tentativa de evitar encará-la novamente. -Mary, eu deveria saber que receberíamos mais de uma visita em apenas um dia, afinal faz muitos anos desde a última vez. -ele voltou a me encarar. -traga chá e biscoitos para dois por favor. -então ele sorriu cautelosamente em minha direção, indicando o sofá logo mais adiante. -Perdoe nossa indiscrição, estamos um pouco enferrujados quando se trata de visitas tão nobres, perdemos o costume, já faz muito tempo desde a última vez. -ele se sentou após eu me sentar diante dele, na cadeira ao lado da janela com vista para o jardim.

-Eu quem devo me desculpar pela intromissão, também não estou acostumada a fazer muitas visitas.

-Imagino que sim. -ele disse e eu franzi o cenho.

-Imagino que tenha vindo a cavalo, nos dias atuais é um pouco raro ver algum nobre andando a cavalo por ai. -sibilou e eu assenti em concordância.

No presente, em Ferryan, nobres da alta sociedade, como reis, rainhas, príncipes e princesas, tinham acesso a automóveis de luxo, enquanto o restante da sociedade ainda se locomovia com carruagens e cavalos ainda não saíram de moda, aquilo foram uma das coisas inusitadas que precisara de um tempo para se adaptar naquele mundo.

O que acabou não sendo necessário de muito esforço, depois de um tempo em treinamento, descobrira que gostava mais de cavalos, e era os que mais usava para se locomover desde então, fora a maioria das vezes em que apenas usava seu poder para atravessar de um lugar para outro, evitando os carros normais dos quais já estivera acostumada um dia.

O Rei e a Rainha das Sombras - livro 4 Onde histórias criam vida. Descubra agora