Os atos e suas consequências

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Ao ver o irmão, Maya sentiu uma força enorme para se livrar de Hyuku. Enquanto Donny teve que lhe dar com Kayra e seu outro amiguinho, Maya saiu correndo. Hyuku foi atrás dela.
Em algum momento conseguiram esconder novamente as asas. A garota corria sem ter uma direção, desesperada por salvar sua vida. Afinal, já estava provado que era incapaz de vencê-lo.
A sua corrida a levou até o teto da escola. Ela foi até a extremidade. Era bem alto. Logo em seguida, Hyuku apareceu.
- Já chega de gracinha, Maya- ele gritou.
O vento agitava os cabelos dos dois. A garota procurou rapidamente pelo seu pingente, mas suas mãos encostaram o nada. Ele riu de satisfação.
- Perdeu seu pingente?- Hyuku perguntou.- Quanta falta de sorte.
O rapaz abriu novamente as asas e pegou a adaga. Sem seu pingente, Maya só podia contar com seus instintos, quase se tornando em uma humana.
A cada passo de Hyuku, Maya regressava dois, até que bateu na grade de proteção. Ele aproveitou a situação para avançar. Ela esperou até que ele chegasse mais perto e se esquivou fazendo com que Hyuku batesse na grade de proteção e quase caísse.
Maya voltou a correr, Hyuku já estava se cansando daquilo.
Ela procurou um lugar para se esconder, já que não conseguiria sobreviver sem seu dom. Entrou em um quarto qualquer e encostou na parede.
Ouviu passos do lado de fora. De repente alguém parou. Maya prendeu a respiração. Estava cansada das duas corridas. Fez uma pequena prece e ficou imóvel, somente torcendo para tudo acabar rápido.
Ela nunca soube com clareza do porquê Hyuku havia desistido, só sabia que era boa notícia. Saiu do quarto e deu de cara com Donny. Ele a abraçou.
- Você está bem?- Donny perguntou.
Maya assentiu. Tinha alguns arranhões, mas nada muito grave. Ela reparou que as roupas dele estavam manchadas de vermelho.
- Tem que trocar de roupa- disse.- Se algum humano te ver assim, você estará encrencado.
- Sim- Donny disse.- Vamos até meu quarto. Quero falar com você.
Maya o seguiu. Enquanto Donny estava no banheiro, ela olhava as coisas ao redor. Uma foto chamou sua atenção. Se tratava de uma foto dos anos 90, quando o grupo de amigos tinha ido até um show de uma banda famosa na época. A garota sorriu ao relembrar o momento.
Maya estava segurando a foto quando Donny saiu.
- Essa é uma das minhas preferidas- disse.
Ela se virou para o irmão. Donny estava usando uma camiseta branca e calça jeans escura. Seu rosto estava molhado.
- Quem você matou?- Maya perguntou.
- Kayra- ele respondeu.- O outro conseguiu escapar, mas pelo menos pude me vingar por Mary.
Maya se aproximou dele. O garoto reparou que ela estava sem o pingente.
- Maya, onde está seu colar?- Ele perguntou.
Ela se lembrou de tê-lo perdido no meio do escape. Maya preparou algo para dizer a ele, mas o sinal tocou. Quase que instantaneamente, Abner apareceu furioso. Em suas mãos estava o pingente de Maya.
Droga, ela pensou.
O líder se aproximou da garota.
- Como você pôde ser tão irresponsável?- Ele perguntou.
Maya não era de retrucar, não era da natureza de seu dom. Abner estava nervoso.
- Me responda!- Ele gritou.
Donny se pôs entre eles e encostou no líder.
- Ei- disse-, vá com calma.
Abner riu de maneira sínica. Ele estava diferente. Será que... Abner segurou a gola da camiseta de Donny. Seus olhos estavam começando a brilhar.
- Por quanto tempo achou que poderia esconder de mim?- Ele perguntou furioso.
- Do que você está falando?- Donny temia já saber a resposta.
A ira presente em Abner era tanta que o líder deu um soco na cara de Donny. O irmão de Maya caiu com o nariz sangrando. Maya o acudiu.
- Abner!- Ela protestou.- Controle-se!
Abner riu novamente.
- Me controlar?!- Ele tinha lágrimas nos olhos.- Por acaso ele se controlou com o humano?
Era isso. De alguma forma, o líder havia descoberto sobre a noite passada. O dom de Abner era a lealdade, que chegava a ser extrema a ponto de acabar matando quem desrespeitasse aquilo que ele é fiel.
Com a ajuda de Maya, Donny se levantou. Queria lutar, e, ao olhar para a irmã, a sensação aumentou. Talvez Arón estivesse certo realmente. Abner não estava mais apto a liderá-los. Preparou para bater nele, mas Maya se interpôs.
- Querem parar com isso?- Ela perguntou gritando.- Estão agindo como se fossem duas crianças! Abner, meu irmão errou sim, mas não pode se esquecer de que você também errou.
- Eu nunca matei um humano- ele disse pausadamente.
Maya o olhou. Não adiantaria nada discutir com ele. Aquilo a deixava nervosa. Ela simplesmente passou por eles e tomou seu pingente de volta.


Ela não foi para lugar nenhum do internato. Pela primeira vez, desobedeceu as regras e saiu portão afora, ignorando as aulas, o irmão e o líder. Pegou o primeiro ônibus que apareceu e foi até o fim de seu destino. Não importava qual fosse.
Sozinha e longe da escola, ela experimentou a verdadeira sensação de ser livre. Caminhou por algum tempo até chegar em uma casinha de madeira. Maya sentou na varanda.

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