Os pilares da escuridão, diferente dos pilares da luz, não gostavam muito de ficar entre os humanos. Por esta razão, se localizavam em um campo aberto, longe do alcance de satélites. Dormiam em alojamentos e treinavam em uma arena. Para Devlin, o tratamento era diferente. Ele era o líder.
Devlin era diferente dos outros pilares, tanto da escuridão, quanto da luz. Seus olhos eram vermelhos como sangue, seus cabelos, loiros escuros um pouco compridos. Sua pele era clara e media cerca de 1,93 metros. Geralmente, usa sempre uma camiseta preta, calça jeans escura e calçava uma bota de couro preta, mas, em alguns momentos, acrescentava um sobretudo negro e uma capa enorme da mesma cor. O que o identificava como líder era uma estrela prateada pendurada junto com seu pingente roxo.
Na ocasião, ele estava com todos os acessórios em seu quarto, quando um pilar da escuridão entrou rapidamente. Hyuku tinha notícias.
- O que quer, Hyuku?- Devlin perguntou.- Por que entrou assim?
O pilar se ajoelhou e disse:
- A missão está quase completa, só há um porém.
- E qual é?
Hyuku o olhou. Estava prestes a botar a culpa em Bilo quando outro pilar entrou. Este, possuía as asas negras.
- Perdoe interromper- disse ele.
Devlin se levantou.
- O que está acontecendo, Sharon?
Sharon o olhou.
- Bilo e Zarkon estão de volta- ele respondeu.- Trazem alguém que acho que te interessa.
Devlin o olhou. Sharon o conduziu até o local onde Bilo e Zarkon estavam, só que alguém estava junto com eles. Devlin sorriu ao ver a grande sorte que dera.
Se aproximou do rapaz e se abaixou em sua frente, de modo a poder ver os olhos dele.
- Mas vejam só o que destino nos trás!- Ele exclamou.- Cadmiel.
O renegado o olhava com ódio visível. Devlin achou graça naquilo.
- O que foi? O gato comeu sua língua?
- Vocês aumentaram em número- Cadmiel comentou.- De longe, passam dos vinte.
Devlin não conseguia disfarçar a felicidade.
- Um grande observador, como sempre- disse ele.- Vocês dois, solte-o!
Imediatamente, Bilo e Zarkon soltaram Cadmiel. O renegado se levantou. Sabia como Devlin era. Olhando nos olhos do rival, o renegado se lembrou de tempos distantes, dias de antigas glórias para os pilares da luz...
Sua mente o levou para quase 700 anos atrás. Havia comemoração em um castelo distante de civilizações humanas, seres que aparentavam anjos, mas que, em muitas da vezes, eram muito diferentes dos celestiais, prestigiavam seu mais novo líder. Com a atenção de todos voltada para si, o jovem Cadmiel estava cansado do que estava vendo. Queria mais do que nunca sair voando, rasgando o céu e contornando as nuvens, mas precisava ficar, afinal, era agora o líder.
Cadmiel nunca queria ser nomeado líder dos pilares da luz, porém, seu destino era esse desde que nasceu. Na ocasião, vestia uma roupa branca com detalhes em dourado. Seu pingente quase se camuflava nas vestes. O dom de Cadmiel era a paz, o dom branco, como era conhecido entre os pilares. Isso significava que, mais do que os outros, Cadmiel precisava fazer de tudo para manter a ordem, o que não significava que gostava daquilo.
Seu trabalho era essencial, por isso era cansativo. Cadmiel esperou até que a atenção dos outros fosse transferida para outro lugar e saiu dali sem que ninguém o notasse. Do lado de fora, em cima de uma espécie de varanda pequena, o pilar fechou os olhos e fez a prece que qualquer iluminado precisava fazer para se libertar.
Após fazê-la, um par de asas brancas apareceu em suas costas, seus olhos cinzas claros começaram a iluminar, ele, finalmente, podia se sentir livre.
Sem esperar por nada, o pilar alçou voo. Ficou no céu por um tempo, até que avistou algo na terra. Todos seus sentidos apontavam para uma jovem de cabelos negros meio encaracolados, olhos azuis e pele clara. Cadmiel sabia que ela era uma pilar da luz por dois motivos: primeiro, suas asas, amarelas, estavam expostas, feridas. Segundo, ele já a tinha visto.
Cadmiel desceu atrás dela e a ajudou a se levantar. A garota, a princípio, ficou assustada, mas, ao ver que quem a estava segurando era Cadmiel, relaxou um pouco. O novo líder passou um dos braços da garota por cima de seu ombro.
- Está tudo bem?- Ele perguntou.
A garota balançou a cabeça negativamente. Cadmiel, então, reparou que não só as asas dela, mas seu corpo inteiro estava machucado. O pilar ouviu um som vindo de cima e se jogou com a garota para um lado. Uma lança passou rente a eles, atingindo o chão por pouco.
Ela pegou um arco e fez mira para cima, mas seus braços doíam. No mesmo instante em que ela pousou o objeto no chão, um pilar de asas cor cinza escuro pousou bem em frente deles. Em seu rosto, um sorriso maléfico.
- Mas vejam só- disse ele.- Que linda essa cena!
A garota o encarou.
- Me deixe em paz, Hyuku!- Ela exclamou. Não parecia ser um pedido, mas uma espécie de aviso.
Hyuku soltou uma gargalhada fraca. Em suas mãos, ele levava uma faca, instrumento comum a todos os pilares (tanto iluminados, quanto escuros). Ele ia avançando quando uma voz, vinda também de cima o repreendeu. Um pilar da escuridão pousou ao lado do perverso. Devlin exibia suas asas grandes com satisfação.
- Eu não autorizei que viesse até aqui- disse.
Hyuku olhou para o chão. Em seguida, o líder dos escuros sorriu para Cadmiel. Naquele momento, o pilar da luz sabia, ele o havia jurado.
A aparição de Devlin foi tão rápida e repentina que nenhum ali pôde realmente fazer alguma coisa. Assim como o vento, o líder apareceu e desapareceu. E aquelas lembranças também passaram rápido na mente de Cadmiel. Devlin estava em sua frente. Cadmiel precisava reagir.
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Caminhando
RastgeleDurante anos, era dever deles proteger os humanos e manter o equilíbrio do mundo. Tanto da escuridão quanto da luz, os pilares eram necessários para o mundo. Com o equilíbrio entre os dois grupos, era certa a harmonia. Se as histórias antigas são o...
