Um reencontro e uma decisão

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Era estranho desmaiar pela primeira vez depois de milênios de existência. No começo, o universo se uniu em uma explosão. Maya pôde ver tudo em uma espécie de sonho ou alucinação.
De repente, tudo o que viu foi um bebê que chorava dentro de um berço. Era um menino. Ela não sabia quem era e nem porquê estava sonhando com ele, mas teve que continuar. Seu corpo andou até o berço e seus olhos encontraram com os do bebê. Sua pele era branca e seus olhos negros, bem como seus cabelos. Maya reparou que ele segurava um pingente, igual ao dos pilares, de cor preta. O garotinho tinha parado de chorar e seus olhos brilhavam com um brilho inocente.
Do nada, suas pequenas asinhas apareceram e toda a inocência do bebê foi substituída por medo no coração de Maya. Como não havia percebido isso antes?
A cor de seu dom era o preto. Mesma cor do pilar de seu sonho e que estava presente no ginásio junto com Hyuku e Kayra.
O bebê sorriu e Maya abriu os olhos.

Ela acordou e reparou que estava sozinha no quarto. O sol já tinha nascido e invadia a janela. Suas asas haviam se desmaterializado e em seu braço esquerdo havia um curativo. Tentou se lembrar do que aconteceu na noite passada: havia sido atacada por um mercenário.
Respirou fundo. Estava tudo bem agora. Olhou ao redor e encontrou seu pingente em cima de uma cômoda. Se levantou e o pegou. Maya não sabia se algum pilar havia dectado que ela entrou em contato com seu dom. Ela queria que não.
Tinha gostado tanto do dia anterior que não desejava mais regressar à escola. Mas não sabia se os outros poderiam aceitá-la lá.
Subitamente, a porta se abriu. Daniel entrou.
- Bom dia- disse ele.- Como está?
A garota ignorou o fato dele ter entrado sem bater e sorriu.
- Bem- ela respondeu.
Daniel sorriu também.
- Danton mandou eu te chamar para tomar café- disse.
Maya suspirou. Tinha que ir embora, mas, se tivesse alguma memória mais profunda dos amigos, iria sofrer ao deixá-los.
- Eu não posso- disse.- Tenho que partir.
Daniel pareceu ficar um pouco decepcionado.
- P-por que?- Ele perguntou.- Você vai sair assim? Sem se despedir dos outros?
Ela chegou mais perto.
- Acredite, é melhor assim- disse.- Além disso, não será totalmente o fim. Darei um jeito de voltar aqui.
Ela abraçou o amigo e ele retribuiu. Maya tinha subido na janela e se preparava para pular, quando Daniel a chamou. Ela se virou para ele.
- Posso esperar?- Ele perguntou.
Maya sorriu.
- Tentarei ser breve- disse.- Até mais, Dany.
- Até logo, Maya.
Ela saltou e correu em direção à estrada.

A volta para o internato foi o mais depressivo possível. Assim que ela pegou o ônibus de volta, começou a chover.
Maya olhava a janela enquanto pensava em como os renegados faziam falta ao grupo. Definitivamente daria um jeito de regressar à pequena casa.
Quando chegou no portão da escola, Maya suspirou. Tinha retornado ao presídio de seu coração.
Assim que entrou na escola, foi direto para o quarto. Por sorte, não havia encontrado nenhum de seus amigos. Não estava de bom humor para ver nenhum deles. Tomou banho e esperou que o sinal tocasse para começar as aulas.
Assim que o ouviu, pegou sua mochila com seus materiais e foi direto para a sala e, só lá, reencontrou todos.
- Com licença- disse ela ao professor.
Este a olhou.
- Maya?- Ele perguntou.- Onde esteve ontem?
- Não me senti bem, por isso não vim à aula- ela mentiu.- Posso entrar?
O professor autorizou.
- Eu só queria uma coisa- disse ela.
- O quê?
- Trocar de lugar.
O professor assentiu sem dar muita importância e Maya foi para longe dos outros, sentando em algum lugar que não estava ocupado.
Donny a olhou. Maya tentou não demonstrar que estava recentida com todos, mas, aparentemente, não conseguiu.
Depois que o sinal tocou novamente, Maya se levantou para sair, mas Donny a segurou.
- Quer me soltar?!- Ela perguntou puxando a mão.
Seu irmão balançou a cabeça negativamente.
- Onde você esteve ontem?- Ele perguntou.
Maya puxou com força e conseguiu se livrar.
- Longe de vocês- ela respondeu.- Por isso foi bom.
Ela se dirigiu à porta, mas, assim que estava quase saindo, Abner a impediu.
- Responda a seu irmão- disse ele.
- E o que você tem haver com isso?- Ela perguntou furiosa.- Quer saber de uma coisa? Eu já me cansei. Me cansei dessa escola, de ter que ficar presa aqui e, principalmente, de todos vocês.
Ela já não aguentava mais se segurar.
- Querem saber onde eu estava?- Perguntou.- Eu estava com alguns renegados longe daqui. E foi ótimo!
Abner a encarou. Com a palavra renegados, ela tomou completamente sua atenção. Segurou mais firme seu pulso.
- Quem você encontrou?- Ele perguntou.
Abner não percebeu, mas usava força demais para segurar o pulso da garota. Ela puxou.
- Está me machucando- disse.- Me larga!
- Não enquanto não me responder.
Maya se debatia.
- Danton estava certo- ela disse.- Você está dando tanto valor aos humanos que se esqueceu de nós!
Ao falar o nome do renegado, ela já tinha ascendido uma raiva em Abner. Ambos não se davam desde quando Danton era pilar. Quando terminou a frase, a simples raiva se tornou em ira.
Fora de controle, Abner deu um tapa no rosto da garota. Gil o segurou.
- Vai com calma, mano- disse ele.
Donny ajudou Maya a se levantar. Ela o olhou com raiva. Sem dar muita importância aos outros, se virou e correu para o quarto. Donny a seguiu.
chega, ela pensou. É hoje que eu me liberto.

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