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Alex

Ainda estava esperando a resposta dela, que me olhava com olhos arregalados.
Falhei no meu plano de simplesmente deixar ela na porta do prédio e ir para o meu.
Isso por quê conforme chegávamos mais perto das luzes dos apartamentos meu coração diminuía no meu peito na mesma medida que aumentavam a frustração e a raiva.

Acabei extravasando na forma de um berro com ela, que obviamente, ficou assustada.

Certa de que aquela viagem estranha estaria no fim, e que logo se veria livre de mim, voltando a se esconder no seu apartamento que (infernos) ficava de frente ao meu, ela respirou fundo, abriu a janela e fixou o olhar no céu lá fora.

Quando coloquei a mão nas chaves pra ligar a Van, desistindo de obter uma resposta, ela disse:

- Alex, olha, não é que eu tenha um problema com você, eu só não sei lidar com o que eu sinto por você - Fixo os olhos nela, e espero. - Você bagunçou tudo, parece que eu acabei de sair de uma estrada que eu conhecia, que sempre foi a mesma, e de repente, da noite pro dia, ela mudou, as placas mudaram, e eu estou andando na faixa da direita, a 90 km por hora, eu não conheço o caminho mais. Nesse meio tempo, aparecem uns caminhões e carretas e eu reduzo a velocidade pra acompanhar o fluxo.

- O que seriam os caminhões e carretas? - Liz crava seus olhos flamejantes sobre mim. E eu entendo perfeitamente.

- Ah, sim... Hum, seriam os nossos... momentos...

- Sim. Nossos momentos. Eu acabei de sair de uma relação que também me dava a falsa sensação de segurança, até eu ver meu namorado usando a calça dele como filtro para absorver suco de buceta na esquina da minha casa. - Franzi a testa com a expressão "suco de buceta", que saiu como se fosse cuspe da boca dela, pingando ódio e ressentimento, mas continuei escutando.

- Me sinto uma palhaça na maioria dos dias e coloco uma cara feroz pra ir trabalhar, já que não quero dar o privilégio daquele imbecil me ver mal um tantinho sequer. Você sabe disso melhor do que ninguém. Faz apenas alguns dias, que comecei a me sentir bem comigo mesma, e aí você entra no jogo, com seus músculos e tatuagens, e esse seu rosto maravilhoso que me perturba os sonhos, com essa voz que me acorda com tesão, e me faz fazer loucuras comigo mesma... - Ela se corta no meio do caminho percebendo que falou demais.

Eu sorrio maliciosamente e me aproximo até ver que ela está segurando a respiração. Seus olhos estão fixos na minha boca, e eu faço questão de pronunciar palavra por palavra vagarosamente:

- Eu mexo tanto assim com você, é?

- Você não faz ideia! - Ela balbucia, ainda fixando meus lábios.

Não resisto mais e a puxo pra mim, selando nossas bocas, sugando seu lábio inferior, explorando a textura macia da sua língua, ela corresponde na mesma ferocidade, agarrando meu cabelo e mordendo meus lábios.

Solto seus cabelos e neles entrelaço meus dedos e a seguro enquanto aprofundo ainda mais o beijo, nossas línguas dançam enlouquecidas, e pareço um nômade do deserto que encontrou um oásis. Bebo sofregamente da fonte em seus lábios.

Quando finalmente nos separamos, ambos ofegantes, ela parece uma gata selvagem, com o cabelo todo bagunçado.

- Tá vendo? ... Eu... não consigo... me segurar... perto de você.

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