Capítulo 50

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Opa, sentiram saudade?
-

Percebi alguém sentando ao meu lado e
notei que era o Viktor, ele me entregou
uma latinha de coca-cola.

- Obrigada. - eu abri a latinha e tomei um gole.

- De nada. - ele fez o mesmo e ficamos
em silêncio.

- Eu não tenho conseguido dormir sozinha durante a noite. - eu disse ainda olhando pra frente. - Só consigo dormir na verdade quando eu estou com a Enid. - eu suspirei.

- Assim quando você se alimenta, - ele
deu uma pausa. - Você só come se a Enid te obrigar.

- Na maioria das vezes. - respondi,
mesmo sabendo que era uma afirmativa.

- Quando começou a perceber que está muito dependente dela?

- Esta manhã. - eu o olhei. - Na verdade, descobri que estava tentando expressar meu amor de um jeito errado, mostrando que precisava dela acima de tudo, me tornando dependente e fazendo que estou com ela apenas porque ela cuida de mim. - dei uma breve risada e bebi um gole do refrigerante novamente.

- Acho que vou precisar de pílulas para dormir.

- Como você se sente sobre isso? - eu
virei pra ele, não acreditava que ele
estava usando uma frase pronta como
aquela que todos os terapeutas usavam,
ele soltou uma pequena risada.

- Acredite, eu quero saber. - ele disse se defendendo.

- Me sinto como se nada do que eu
fizesse nunca desse certo. - falei sincera.

- Mas não a culpo, porque se eu estivesse no lugar me sentiria da mesma forma, mas é inevitável me sentir mal e menos acreditada sobre nosso relacionamento, que na verdade nem é um relacionamento, apenas uma amizade. - ri e balancei a cabeça negativamente.

- Acho que já achei a solução para tudo.

- E qual é? - ele perguntou.

- Amizade. - eu disse e ele arqueou a
sobrancelha. - Eu era a única que não
seguia esse conceito de "amizade".
- fiz aspas com as mãos.

- Talvez tenha sido aí que eu errei, eu forcei demais. - suspirei.

- Você vai desistir dela? - ele me
perguntou e eu dei mais um gole no
refrigerante.

- Não. - disse olhando para os casais
andando de mãos dadas. - Só acho que eu devo dar um tempo, não pressionar mais pra voltarmos. - falei sincera.

- Se lembra da última vez que saiu do
meu consultório, quando eu disse que
você não precisava mais voltar como
paciente? - ele me perguntou e eu virei
sem entender, apenas assenti. - Hoje eu
vejo aquela mesma Wednesday. - eu arregalei os olhos.

Como assim? Da última vez eu estava curada sem remédio nenhum, agora com certeza iria precisar de remédio pra dormir e controlar minha ansiedade.

- Viktor, eu não estou.. - ele segurou meu braço me impedindo de continuar.

- Você está melhor. - me disse sorrindo. - Você consegue ver agora que sua recuperação depende de você e de
mais ninguém, e você soube lidar com
essa tempestade de emoções que você
estava sentindo e ao invés de reprimir,
você veio limpar sua mente e pensar
sobre isso. - ele fez uma pausa e pegou minha mão.

- Eu falei com Enid antes de você, ela me contou tudo, até a sua reação, você simplesmente não a pressionou, você deu espaço pra ela, eu entendo que você queira agora é seguir o princípio da amizade e acho que deveria, primeiro pra você ver que sozinha você também consegue ser forte e segundo, vai ser bom porque o relacionamento de vocês parece que vive a mil por hora, dá um tempo pras duas. E sobre o remédio pra dormir, eu vou te receitar um calmante natural a base de maracujá, ele vai te deixar menos ansiosa e te fazer relaxar, mas não é tão pesado. - ele retirou um bloco de receitas de dentro da bolsa.

- Mas só vai tomá-lo durante quinze dias, depois desse tempo vou pedir para que você tome um copo de suco de maracujá todas as noites, isso vai te ajudar, fora isso, meu trabalho com você está terminado, mas adoraria continuar
conversando com você como amigo. - eu nem tinha o que dizer, realmente eu não acreditava que estava melhor.

- Eu não acredito que estou melhor, e os dias ruins que eu tive? - eu perguntei.

- Todos temos dias ruins, Wednesday, só que você acha que os seus são por conta do seus transtorno. - ele deu uma pausa retirou a folha que ele tinha escrito do bloco e me entregou. - Você sabe que não existe cura, mas você é uma das poucas pacientes que conseguem controlar sem precisar de remédio, acredite em mim, você está melhor. - ele sorriu.

- Talvez você não note a diferença, mas as pessoas notam e com certeza vão notar hoje.

- Por quê? - eu perguntei sem entender.

- Porque como eu disse, hoje eu voltei a
ver a Wednesday que saiu do meu consultório naquele dia, e eles vão notar essa mudança, você precisava passar por isso para se encontrar novamente, saber que você deve confiar em si antes de tudo. - ele me abraçou.

- Aprendemos muito um com o outro. - ele me soltou e levantou.

- Bom, preciso voltar para o consultório.
- eu me levantei também.

- Preciso ir pra agência do FBI, carona?
- ele assentiu e eu me limpei dando
leves batidas na calça.

Fomos para o seu carro e ficamos conversando durante o caminho, coisas superficiais, ele chegou a me contar um pouco sobre sua vida, mas aí tivemos que parar a conversa porque chegamos.

- Obrigada Viktor, por tudo. - disse o abraçando novamente. - Eu gostaria de te convidar para almoçar, que tal depois de amanhā? - eu disse rindo, esse almoço era mais como um agradecimento e uma forma de conversarmos mais um pouco e eu
escutar mais ele do que ele me escutar.

- Mas é claro. - respondi de imediato.

- Tão rápido. - ele disse rindo.

- Você sabe, não gosto de rodeios. - dei
uma breve piscadinha pra ele.

- Ok, depois de amanhã, às quatorze está bom pra você? - ele pegou a agenda.

- Sim, te pego no seu consultório às quatorze e vamos almoçar, fechado?

- Ok, você vai se importar se eu me
atrasar um pouquinho..? - ele fez sinal
com os dedos e eu sorri, negando com
a cabeça. - Ótimo então, até depois de
amanhã. - eu abri a porta e saí.

- Espera, Wednesday. - ele me chamou e eu me abaixei ficando apoiada na janela.

- Não vai ter nenhum problema com a Enid? Sabe, não quero causar problemas com vocês. - ele disse meio sem graça.

- Não, tudo bem, ela não vai se importar. - dei um sorriso.

- Não fique provocando ela, Wednesday. - Viktor me repreendeu.

- Não vou. - eu ri. - só disse que somos
apenas amigas.

- Olha lá, hein? - ele disse e eu saí da
janela para que ele pudesse sair com o carro, dei um tchauzinho e resolvi entrar
na agência. Já conhecia algumas
pessoas que trabalhavam ali, uns me
cumprimentavam, outros me olhavam
com medo e os invejosos com repulsa, eu adorava passar por eles, me fazia sentir superior, eles triplicavam o tamanho do meu ego, até porque eu sei bem porque eles me olhavam assim, ninguém era tão presunçoso a ponto de entrar no FBI e roubar seus arquivos.

Bom, eu devolvi alguns arquivos, outros eu simplesmente disse que perdi, o que era uma grande mentira, era sempre bom ter uma carta na manga, sei que no fim eles vão tentar arrumar um jeito de me prender à eles e ficar fazendo o trabalho sujo, mas não vai ser assim, não com Wednesday Addams.

-
Até breve <3

The Mission (Wenclair) Histórias para pegar e não largar. Descubra agora