Capítulo 202: Agora é o suficiente?

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POV Luna

Em alguns momentos a luta mais parecia uma dança. Umi é rápido, ágil, tinha facilidade em esquivar dos meus golpes. Segundo golpe foi um chute próximo às costelas dele.

— Mais um ponto para Hells. — Gonzales anuncia ao soar do apito.

— Qual o interesse dos Bloods na Cristal Giorno? — Pergunto enquanto ele estava com uma mão na área que acertei.

— Conhecê-la. — Ele responde simplista.

— Só isso? Explica. — Digo irritada.

— Fez a sua pergunta Luna e essa é a resposta que conseguiu. Próxima rodada. — Kuro diz mais alto de fora do ringue.

Uma nova contagem é feita. Ele espera que me aproxime, desvia de mais alguns golpes e usa o espaço do tablado a favor dele. Tive dificuldade em encurralá-lo pelas corridas para escapar dos meus chutes. Por um deslize o encurralo num canto e acerto gancho na barriga.

— Três a zero com um gancho na boca do estômago de Umi. — Gonzales ria.

— Por que querem conhecer a minha líder? — Pergunto e ele olha para o Kuro que sorri.

— Porque outras pessoas querem mais informações sobre ela e ficamos curiosos no motivo desse interesse. — Umi responde enquanto ajeitava o cabelo e limpa algumas gotas de suor.

Quarta rodada, já estávamos nisso a minutos e sentia o cansaço da falta de prática.

— É bem preocupada com ela, né? — Essa é a primeira vez que ele pronuncia uma palavra durante a luta. — Os boatos são verdadeiros? Que ela foi tirada de vocês e levaram anos para fazerem algo? — Que merda esse cara quer com essa conversa? Não respondo, apenas continuo com os golpes enquanto ele esquivava e não se afasta. — Não precisa responder, as minhas fontes são confiáveis. Também me disseram sobre o que ela sofreu nas mãos dele, que os gritos a deixavam rouca por semanas. — As palavras dele traziam à tona os pesadelos e a voz da Amanda no hospital. — Mas sabe qual a melhor parte que me contaram? Era o seu nome que ela gritava, implorava. O que fez durante todo esse tempo? Talvez a quisesse morta para assumir de vez a liderança como agora. Entendo, é bom estar no topo, não ter que receber nenhuma ordem. Só não sei se teria a coragem que teve, abandonar um membro da sua família nas mãos de Cold Jhonnes. Deixá-la numa tortura infernal por anos para suprir essa ganância de poder. É tão podre quanto ele.

— CALA A MERDA DA BOCA! — Estava cega de raiva, não pensava mais na luta, queria matá-lo por cada palavra que ousou dizer.

Consigo jogá-lo no chão, o prendo sobre mim e não paro de bater até três ou quatro pessoas me tirarem de cima dele.

— Luna, olha para mim. Sabemos a verdade, não deixa aquele cara entrar na sua cabeça. — Gabi segura o meu rosto enquanto Ivete e Maju continham os meus braços. — Respira.

— Elas interviram na luta, quebraram a regra. — Clarisse grita enquanto encarava Kuro que subiu no ringue com Jenny e ajudavam Umi a levantar.

— Elas não deveriam ter intervisto, mas já faríamos isso, pois Luna não parou a luta no soar do apito. Por serem novatas e conhecerem as regras a pouquíssimo tempo, não serão punidos, mas isso é um aviso, que não se repita. — Kuro estava concentrado a limpar o sangue do nariz de Umi. — Consegue continuar?

— Deixa comigo. — Umi sorri com os lábios ainda sujos de sangue.

Jenny, Kuro e as meninas saem do ringue.

— Faça a sua pergunta Luna. — Gonzales segurava as cordas com força enquanto me encarava.

— Quem são as pessoas interessadas nela? — Pergunto enquanto apertava as minhas ainda sujas do sangue dele que ri.

— Olhe a sua volta. Todos eles querem saber sobre Cristal Giorno. — Ele responde com os braços abertos.

— Umi, já pode atacar, três pontos. — Kuro ordena de forma calma.

Já pode atacar? Ele não tentou me acertar nenhuma vez desde que a luta começou? Não, é só um blefe para me desestabilizar como antes.

— Prontos? Quinta rodada. — Gonzales faz a contagem.

Avanço na direção dele, um soco de direita, ele desvia e a minha visão embaça. Sinto o meu corpo se chocar com o tablado e o gosto de sangue na minha boca. Nem mesmo vi o gancho que ele me acertou no queixo. Como pode ser tão rápido?

— Primeiro ponto do Umi faz Luna ir ao chão, será esse o fim da luta? — Ouço os gritos das meninas e a voz irritante de Gonzales, levanto ainda tonta pelo golpe. — Parece que não, ela conseguiu levantar. Faça a pergunta Umi.

— O que Cristal Giorno significa para você? — Ele pergunta enquanto alongava os braços e as costas.

— Ela é a minha líder. — Respondo e assumo a minha posição de luta.

— Mentira, ela não significa só isso. — A voz de Clarisse ecoa das minhas costas e ela atrai os olhares para si.

— Uou! Luna, precisa ser honesta na resposta ou tudo que fizemos não valerá de nada. — Kuro ri, mas não conseguia deixar de encarar Clarisse, não entendia o objetivo dela com isso.

— Cristal Giorno é a minha líder, membro da minha família e amiga. — Completo a minha resposta.

— Mentira! — Ela insiste e todos observavam a cena em silêncio.

— O que quer que diga? — Questiono e ela sorri.

— A verdade, essa é a regra do jogo. Ela é muito mais do que disse. — Clarisse afirma confiante.

— Ela é a minha líder, membro da minha família, amiga, mãe da minha filha de consideração, o amor da minha vida, a mulher mais gostosa com quem já fiquei, mas principalmente, a pessoa com quem trai você. Agora é o suficiente? — A encarava e pude ver o momento em que os olhos dela se encheram de fúria e Octavius riu.

— Atenção a mim lutadores, sexta rodada. — Gonzales com um sorriso faz a contagem.

Tento observá-lo antes de ir para cima, mas dessa vez foi ele que avançou. Defendo o primeiro e o segundo soco que acertaria a minha barriga e recebo um chute certeiro na cabeça. Dou alguns passos para trás e coloco as mãos no local. O meu cérebro parecia girar no crânio enquanto o apito soa.

— Segundo ponto do Umi. — A irritante anuncia.

— Qual o nome completo da sua filha? — Ele pergunta enquanto se afastava.

— Chiara Giorno Jhonnes. — Respondo e ele se vira para mim surpreso, parecia querer perguntar algo, mas se conteve.

Sétima contagem da noite, a minha cabeça doía, ele é rápido e não consigo prever os movimentos. Umi se movimenta em zigue-zague, não é fácil acompanhá-lo. Tento acertar alguns socos, mas é ineficiente, como se ele já tivesse mapeado cada movimento meu. Consigo desviar de alguns golpes, ele me dá uma rasteira e perco o equilíbrio. Quando levanto o rosto, só vejo o punho dele diante do meu rosto. Caio novamente e protejo a minha face com as mãos.

— Luna! — Ivete grita.  

Nem a distância nos separa (Continuação)Onde histórias criam vida. Descubra agora