Declarações

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01/11/1972


Regulus estava lendo seu jornal, escutando parcialmente Barty e Evan discutindo sobre a infestação de gnomos perto da orla da floresta proibida, quando sua atenção é desviada para um James Potter corado e animado, cruzando meio salão até parar em frente a uma garota de cabelos ruivos e pele pálida coberta de sardas.

— Lily, minha doce flor de jardim dourado

Que com cabelos flamejantes

Queimou meu coração até que restasse apenas uma brasa — Ele recitava para o horror de Regulus e aparentemente o da garota também, em voz alta, para que todo o salão ouvisse.

Regulus não pode deixar de sentir uma pontada de vergonha alheia pelo Potter, mas se divertia igualmente com seu ato, não tanto quanto seu irmão que gargalhava gostosamente na mesa da grifinória, mas se divertia. Remus Lupin sorria incrédulo enquanto James terminava de recitar o poema. Peter infelizmente ou felizmente, não estava presente.

A garota então se levantou, seu rosto tão escarlate quanto seu cabelo. Regulus esperou diversas reações, mas um livro sendo arremessado com toda força possível contra a cabeça de Potter, não era o que ele esperava, mas certamente melhorou seu dia em setenta por cento. Se ela não fosse nascida trouxa, talvez ele se aproximasse.

Ele saiu do salão minutos depois para aula de poções, Potter ainda reclamava de dor na cabeça.

Slughorn sorriu entretido quando viu o jovem Black adentrar sua sala. Era uma espécie de ritual dos dois, Regulus chegaria mais cedo que o horário das aulas e Slughorn alternaria entre fingir que ele não estava ali ou puxaria assunto sobre alguma possível poção que pudesse estar fazendo.

— Jovem Black — ele sorriu gostosamente, seus olhos franzindo levemente enquanto o fazia — Precisava mesmo vê-lo.

— Pois não professor? — Ele tentou soar gentil.

— Gostaria de convidá-lo a se juntar ao meu clube — Ele continuou animado, saindo de trás do grande caldeirão que cozinhava alguma mistura açucarada ao olfato.

O clube de Slughorn era quase uma tradição da família Black das últimas gerações. Suas primas, Narcisa, Bellatrix e Andrômeda fizeram parte, tal como seu irmão havia sido convidado no ano anterior e por algum motivo "Sirius" ele havia recusado. Se forçasse bem a memória, ainda conseguiria escutar os gritos de desgosto de sua mãe.

— Seria uma honra professor — Seus lábios se curvam em um meio sorriso enquanto aceitava a proposta, mesmo que não tivesse real interesse. Slughorn por outro lado ficou animado com a notícia.

— Maravilhoso! A próxima reunião será pouco antes das férias de Natal. — Regulus nunca foi um grande fã de natais, por dois motivos. O primeiro era óbvio. O Natal assim como muitos feriados era feitos para enfiar goela abaixo os ideais trouxas, muitos bruxos gostaram da ideia, no entanto, mas tanto ele quanto sua família sempre foram receosos quanto a essa data. Muito embora, tenham começado a fazer reuniões e jantares familiares nessa data. O segundo motivo é justamente o primeiro, não a parte de que é um costume trouxa, mas o fato de que ele sempre era obrigado a aguentar horas intermináveis de reuniões familiares e todo e qualquer discurso que Orion ou Walburga viessem a fazer. Pouco a pouco os alunos começavam a chegar e se estabelecer em seu próprio lugar, Regulus percebeu que havia demorado tanto para conseguir se sentar que havia perdido "seu" lugar — Enviarei uma carta para confirmar sua presença.

Ele sorriu amigavelmente antes de dispensá-lo para se sentar. Ele acabou precisando sentar-se no fundo.


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