31/12/1972
Era um dia frio, desses que o vento parece congelar até mesmo a respiração que ainda está presa em seus pulmões.
Regulus se movia de forma calma ao lado de seus pais, enquanto Sirius seguia um pouco atrás, mesmo odiando a companhia de monstro que carregava as malas, ignorando propositalmente cada xingamento milimétricamente disfarçado que monstro falava.
A locomotiva vermelha não demorou a seguir seu rumo de volta a estação de Hogsmead, os vagões bem menos lotados do que estiveram no dia primeiro de setembro, Sirius deitado em um banco que sacolejava enquanto Regulus permanecia sentado de seu lado, suas pernas dobradas para escorar o livro que ele lia.
Nenhuma palavra era trocada entre os irmãos, Regulus sentia como se a única linha que os mantivessem juntos nesse momento fosse aquela tracejada na tapeçaria da família. Apenas um sobrenome, que poderia ser facilmente retirado, como sua prima fez questão de provar.
Seu estômago revirava cada vez que pensava nisso, mas é um fato, eles se afastaram e Regulus já não sabe mais dizer de quem é a culpa. Ele apenas se limitou em espiar despretensiosamente o rosto tranquilo de Sirius, que mantinha os olhos fechados, mesmo que não estivesse dormindo.
Regulus pensou em sair de seu vagão para procurar por Evan e Barty, mas algo lhe dizia que era mais correto que ele ficasse. Foi uma ordem de sua mãe que eles permanecessem juntos durante a viagem e nem em seus maiores e atrevidos sonhos, ele ousaria desobedecê-la.
Observar Sirius sempre foi algo curioso, mesmo agora quando não consegue ver seu corpo, ele ainda sabe onde estão cada uma das marcas e sabe como a maioria surgiram. Secretamente ele se perguntava se Sirius ainda faria o que ele fez por si. Regulus já não tem mais essa certeza desde que foi selecionado.
Uma casa não deveria importar tanto, exceto que importa. Importa para sua família, importa para Barty e Evans, até mesmo para Pandora e acima disso, importa para Sirius.
Existem noites, aquelas onde ele não consegue dormir e encara o pequeno frasco de poção que surripiou, pensando no olhar duro que Sirius lhe deu em seu primeiro dia em Hogwarts, na decepção estampada em seu rosto e mais de uma vez ele se pegava pensando em quão bom seria se ele apenas virasse o frasco em sua garganta e deixasse que o estupor lidasse com os pensamentos de seu cérebro, mas ele nunca se atreveu, ao invés, ele apenas permanecia na mesma posição, apertando o frasco até que ele estivesse quente entre sua mão e então se levantava assim que o dia ameaçava amanhecer e descia para o campo de quadribol.
Evan, obviamente, percebeu sua atitude tola de tentar fugir, mesmo que ele não soubesse do que e se encarregou de não permitir que Barty o perguntasse sobre.
O trem parou na estação a noite estava fria, o vento quase cortando o rosto de quem se atrevia a sair do trem, mas ainda de cabeça erguida, Regulus o suportou. Não demorou para que chegassem ao castelo e, previsivelmente, os marotos foram os primeiros que Regulus viu, seus rostos iluminados se murchando quando perceberam que estavam encarando o Black errado, voltando a se iluminar quando Sirius apareceu atrás de si. Todos menos um. O rosto de Potter continuou espetacularmente brilhante mesmo no segundo em que o vi, havia algo no brilho de seus olhos que gritava vitoriosamente, como se isso fosse algo a se gabar, que ele nunca o confundiu.
Regulus desviou de todos, enquanto pela primeira vez em dias, Sirius sorria verdadeiramente. Esse sorriso também não era para ele.
O menor dos Black's se sentia estúpido por ter tanto ciúmes de Sirius assim, mas ele deveria ser seu, assim como um ursinho de pelúcia pertence à criança que lhe foi dada. Ursos não espantam pesadelos, nem conseguem proteger essas crianças de tudo, mas elas oferecem confiança, Sirius lhe oferecia isso também, mas agora, apenas de olhar para ele, mesmo pensar, dói.
Regulus se dirigiu a seu dormitório, sem se preocupar com o jantar que o esperava no salão principal, novamente, os pensamentos que martelavam em sua cabeça afastaram a fome. Barty e Evan chegaram menos de uma hora depois, mas ele já fingia dormir profundamente.
06/01/1973
Menos de uma semana que haviam chegado novamente na escola e os boatos de que Sirius Black e seus amigos haviam sido pegos enquanto planejavam uma pegadinha, já haviam se espalhado, seus colegas de casa parecendo estranhamente curiosos pelos detalhes que um garoto de cabelos oleosos e lisos, como se uma vaca tivesse chupado sua cabeça até que o cabelo ficasse permanentemente preso naquela posição, e nariz grande, dizia.
Mesmo que não estivesse interessado, boa parte desses boatos haviam chegado até Regulus e ele sabia que se a informação chegara até ele, então ela também chegou até Walburga e a única coisa na qual ele conseguia pensar sobre isso era no quanto ela deveria estar brava. Não por seu primogênito estar aprontando na escola, afinal os Black's possuem um longo histórico de causar confusões em Hogwarts, algumas maiores do que as que seu irmão já causou, mas por ele ter sido pego, por não ter feito as coisas direito e por publicamente, mais uma vez, ter manchado o nome Black.
Durante o café da manhã o berrador chegou, parando diretamente na mesa da grifinória, atraindo olhares e risadas de todas as casas, enquanto Sirius segurava o envelope sem o menor ressentimento estampado no rosto, enquanto Peter e Potter se encolhiam em seus bancos e Remus parecia vagamente curioso com aquele objeto que soltava fumaça em suas cabeças. Sirius sussurrou algo que supunha ser uma explicação para Remus enquanto balançava a varinha, fazendo com que a carta começasse a ser consumida por uma labareda de fogo.
Regulus apenas teve tempo de revirar os olhos antes que a carta explodisse em uma profusão de fogo, a voz de Orion ecoando por todo salão, fazendo com que momentaneamente Regulus se assustasse, antes que percebesse que realmente não era do feitio de Walburga mandar berradores.
A voz de seu pai ecoou por todo salão dizendo coisas impensáveis, embora seu tom ainda fosse cordial e controlado, quase como se não houvesse emoção em suas falas, algo que Sirius acometeu ao efeito Black, como ele gostava de falar, em outras palavras, era apenas uma vaga nota mental de que todos que residiam na mansão Malfoy por tempo de mais eram consumidos pela apatia e falta de vida daquele glorioso local.
Não demorou muito para que Barty e Evan começassem a rir em seus bancos, um escorado no outro enquanto imitavam a voz de Orion e suas palavras, um sorriso mínimo, pela brincadeira, cruzando o rosto de Regulus que se recusava a admitir que precisava disso para quebrar o clima tenso que faziam seus ossos doerem pela rigidez, se conformando em observar Pandora a uma mesa de distância, comendo seu mingau como se nada houvesse ocorrido. Mais uma vez, Regulus apreciou Dora.
Assuntos como casamentos e alianças dentro da família eram comuns nos Black's, foi por isso que a constatação rápida de que se um dia tivesse escolha sobre com quem se casaria, ele escolheria Pandora, não o assustou, afinal ela é inteligente, educada, discreta e acima de tudo isso, puro sangue, o que por si só já seria mais que o suficiente para obter apoio de sua família. Eles poderiam se dar bem se fossem casados, mesmo que não houvesse amor entre eles, teria respeito e confiança, o que para Regulus era ainda mais importante. Trivialidades como amor podem ficar de fora.
Regulus afastou esses pensamentos enquanto se dirigia para aula, a professor Mcgonagall parecendo ainda mais rígida do que o habitual, ao que, rapidamente, Regulus deduziu que era um efeito dos problemas que os marotos haviam causado.
Sua aula, no entanto, seguiu normalmente, as palavras da professora sendo rapidamente anotadas em sua folha de pergaminho, junto ao trabalho, embora soubesse que não havia muito com que ele teria dificuldade nessa tarefa. Novamente ele agradeceu por ter tido aulas antes de vir para Hogwarts, diferente de seus colegas que pareceram perdidos durante toda a explicação sobre transfiguração de palha em agulhas. Regulus acabou sendo o primeiro a conseguir, seguido de uma garota baixa de rosto rechonchudo e sorriso glorioso, seu nome não lhe vinha à mente, então julgou não ser importante. Ela ficou em segundo lugar, afinal, então com o que se importar?
/////////
Hey Darlings, passando apenas para avisar que o dia de atualização da história já foi definido. Será toda quarta feira, o horário ainda não sei ao certo, mas possivelmente à noite quando tenho mais tempo.
Espero que tenham gostado do capítulo. Não se esqueçam de votar e comentar, isso me ajuda muito a engajar a história.
<3 Jay.

VOCÊ ESTÁ LENDO
My Pur Star
FanfictionRegulus Arcturus Black sempre foi um bruxo excepcional. Ele ainda podia se lembrar perfeitamente do orgulho estampado nos olhos de seu pai quando despertou sua magia, quando foi declarado o Black mais novo ao fazer tal coisa. Mesmo agora, anos depoi...