23/10/1972
Seus dedos tocavam o mármore frio das paredes do castelo enquanto andava, Barty tagarelava animado sobre a última aula de DCAT e como ele estava animado para mostrar a Regulus seu avanço na prática. Evan ria baixo do desespero de Regulus para tentar acompanhar o falatório do amigo, enquanto Pandora, que sem nenhuma razão que pudesse ser expressa havia começado a andar com eles durante os intervalos entre as aulas, contribuía com a conversa, estimulando Barty a falar cada vez mais.
Regulus pouco a pouco aprendia a gostar ainda mais do seu pequeno grupo. Evans era o mais parecido consigo. Quieto, obstinado, inteligente, mas ainda assim, com uma capacidade surpreendente para se enturmar. Regulus soube no instante que o viu que poderia aprender a se acostumar a ele.
Barty por outro lado, é o completo oposto, extrovertido e falador, um pouco desengonçado, porém extremamente esforçado. Suas notas não eram excepcionais como a de Regulus ou Evans, mas ainda eram boas. Havia algo em seus olhos travessos e no vão entre seus dentes da frente, que ele achava adorável, mesmo que não soubesse explicar.
E então Pandora, a pureza que faltava naquele trio. Seus olhos calmos como um dia de neve antes do Natal prenderam Regulus no momento em que ele os viu pela primeira vez. Uma benção ou uma maldição, ele ainda não sabia ao certo, mas gostava deles de qualquer forma. Gostava também da sua personalidade conflitante, da forma como ela podia ser calma como uma brisa em um momento e se transformar em um tufão em outros. Isso fazia com que ele não a subestimasse, na realidade, ele ficava ainda mais curioso com o que ela poderia fazer.
Eles viraram o corredor a esquerda, Regulus precisou abandonar a parede quando a sentiu se mover, e a luz leve do sol matutino inundou sua vista antes que ele se acostumasse. Pandora deu-lhe um abraço apertado, bagunçando seus cabelos perfeitamente alinhados, antes que eles entrassem no grande salão, correndo diretamente para sua mesa em seguida. Barty o olhava incrédulo, sua boca levemente aberta.
— Por que ela pode e eu não? — Sua voz soava um pouco mais aguda que o habitual, isso incomodou Regulus.
— Não se incomode com isso Barty, sempre soubemos que ela era a favorita dele — Evan fez drama passando o braço pelo ombro de Barty o conduzindo até seu lugar antes que ele tivesse tempo para fazer uma tréplica.
Regulus revirou os olhos discretamente, rearrumando o cabelo antes de segui-los. Disfarçadamente ele procurou por Sirius e seu grupo por toda mesa da grifinória. Seus olhos se detiveram na postura tensa do irmão, completamente mascarada, e nos olhos cansados de Potter. Não surpreendentemente, Peter estava alheio a esses detalhes, falando sobre algo enquanto comia enquanto Potter era o único que parecia tentar manter a conversa. Ele estranhou que Remus não estivesse sentado de frente para Sirius como sempre estava, comendo aquela estranha mistura de geleias em quatro fatias de torrada, e supôs que fosse por isso que Sirius estivesse tenso.
Ele desviou os olhos resignado para sua própria mesa, se sentado entre os colegas e se servindo de um pouco de suco antes que corujas rompessem para dentro do grande salão, trazendo as correspondências matinais. Embora achasse as velas flutuantes que iluminavam os jantares no grande salão, adorava mais ainda quando, pela manhã, elas desapareciam, permitindo que ele visse o céu, em grande parte do tempo, aberto e iluminado, projetado por algum feitiço que ele desconhecia.
Uma coruja carregando seu exemplar do profeta diário pousou em seu ombro estendendo a perna para o pagamento. Regulus retirou o nuque de dentro de suas vestes e colocou na bolsinha em sua perna, antes de pegar seu jornal. Ele a observou pegar um pedaço de bacon que Barty oferecia antes de levantar voo e então abriu o jornal. Como esperado, não havia muita coisa interessante, a maior parte dos artigos eram superficiais e contraditórios. Ele precisava admitir, no entanto, que o ministério estava fazendo um bom trabalho abafando todas as mortes e golpes que estavam sofrendo desde o final do ano passado.
Se sua prima Cissa estivesse sendo cem por cento sincera em suas raras, porém valiosas, cartas, tudo caminhava em direção para que o lorde das trevas alcançasse seu poder máximo dentro de alguns meses. Talvez, até o início do ano que vem, tudo seria acertado e então ele começaria a limpar a Inglaterra de sangues-ruins e traidores do sangue.
Algo dentro do seu peito se apertou ao pensar no irmão precisando se separar do grupo em que estava. Mesmo odiando eles, Regulus jamais negaria a influência que eles tinham em Sirius. Ele nunca havia visto o irmão sorrir tanto, como via com eles por perto. Mas foi uma escolha deles e de suas famílias permanecer do lado errado do tabuleiro, talvez Potter e Pettigrew ainda tivessem uma chance se implorassem por perdão e lutarem para reconstruir parte da honra de suas respectivas famílias. Mas aquele garoto, Lupin, Regulus desejava que ele se afastasse, que parasse de roubar seu irmão de si. Que parasse de ser a fonte de sua preocupação e aflição mal disfarçada. Sem perceber, ele apertava a colher que usava para comer seu mingau entortando a ponta e consertando logo em seguida com auxílio de magia, ignorando o olhar questionador de Evan.
Remus chegou na metade do café da manhã, recebendo um abraço apertado de Sirius e James, além de dois tapinhas nas costas adicionais de Peter. Regulus se levantou quase que imediatamente, abandonando sua comida parcialmente tocada, antes de sair do salão. Andava tão apressadamente que não reparou em uma segunda pessoa até já ter trombado com ela. Ele estendeu a mão para garota caída no chão, se retirando quase que imediatamente após ela se levantar, sem perder tempo se desculpando.
Seu dia havia sido extremamente cansativo e após descer três lances de escada carregando um livro pesado, enquanto cheirava a terra fresca e adubo, tudo que ele queria era um banho relaxante e uma boa noite de sono, seu corpo exausto ajudaria para que dormisse sem sonhos dessa vez. Ele abriu a porta de seu dormitório, escutando brevemente um grito abafado de Barty antes que um travesseiro o atingisse no rosto o desequilibrando.
Regulus segurou o batente da porta tentando recuperar o equilíbrio enquanto processava o que havia acontecido. Quado abriu os olhos encontrou um Barty paralisado com um travesseiro na mão preparado para jogá-lo contra um Evan que o olhava apavorado.
— Quem? — Ele perguntou simples, seus olhos vagando de um para o outro.
Barty automaticamente apontou para o amigo que o olhou acusatoriamente, tentando se justificar em seguida. Regulus, porém, ignorou suas palavras e levitou o travesseiro arremessando-o de volta para seu dono, fazendo barty rir antes que o mesmo fosse jogado contra si o derrubando no chão.
Sem que percebesse ele acabou envolvido no meio da guerra de travesseiros, precisando se desviar vez ou outra dos objetos, usando sua varinha para jogá-los de volta.
— Não é justo! — Barty gritou desviando de um travesseiro arremessado por Regulus— Regulus está trapaceando Evan.
— Não é trapaça que sou o único inteligente desse quarto — Regulus rebateu sorrindo maroto girando a varinha entre os dedos, se distraindo tempo suficiente para que Evan conseguisse se esgueirar o suficiente para acertá-lo o fazendo cair contra cama.
— Eu ganhei Black! — Ele se gabou segurando o travesseiro triunfante.
— Somente sobre meu cadáver Rosier! — Ele exclamou de volta se levantando em um pulo.
No fim, a brincadeira só acabou quando Regulus ameaçou amaldiçoá-lo se não o deixassem tomar banho, e de fato, tendo usado o feitiço de perna bamba contra Evan quando ele tentou acertá-lo pelas costas, dando espaço para um ambiente muito mais relaxado e amigável.
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My Pur Star
FanfictionRegulus Arcturus Black sempre foi um bruxo excepcional. Ele ainda podia se lembrar perfeitamente do orgulho estampado nos olhos de seu pai quando despertou sua magia, quando foi declarado o Black mais novo ao fazer tal coisa. Mesmo agora, anos depoi...