Capítulo 14

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Marília narrando...


Saio do banheiro puta da vida depois de ouvir uma barbaridade da Maiara. Saio disposta a passar no bar e beber a saideira, mas quando olho pra frente vejo a Maiara beijando aquela mulher. Como ela consegue? Mal me deixou no banheiro e já está beijando outra boca.

Fico com raiva, mais raiva do que estava a alguns segundos atrás então começo a beber sem se importar com as consequências assim que percebo que tudo que está rolando entre elas não parece ter fim. Elas parecem envolvidas e a Maiara parece gostar do que está acontecendo. Eu não entendo, mas a cada copo que virou mais perco a noção e mais aumenta a vontade de a tirar dali.

Viro mais alguns copos e quando me dou conta eu estou novamente perto delas

— Você gosta de me provocar não é? — Falo próximo de seu ouvido pra que ela consiga ouvir.

— O mundo não gira ao seu redor, Marília. Você está bebada nem sabe o que está falando. Vai pra casa!

— Não ouviu ela? Melhor ir pra casa. — A mulher ao seu lado diz enquanto coloca seu braço em volta da sua cintura.

E então eu perco a cabeça e pego mais uma vez a Maiara pelo braço a afastando da mulher que estava grudada em sua cintura.

— Você tá se achando não é? Acha que tem algo com ela quando nitidamente a algumas horas atrás ela estava fodendo comigo no banheiro. — Falo enquanto a encaro

— VAI SE FODER MARÍLIA! SOME DA MINHA FRENTE! — Maiara diz brava se afastando de mim.

— Você vai negar? Vai fazer como as outras vezes? Se arrepender mas na primeira oportunidade ceder a mim?

— VOCÊ É UMA BABACA! NUNCA VAI MUDAR. Me esquece, some da minha frente e da minha vida!

— Não vai ser tão fácil se livrar de mim.

— SOME MARÍLIA.

Maiara narrando...


Não consigo colocar em palavras o quão brava eu estou no momento, eu poderia sem duvidas cometer loucuras se continuasse olhando pra cara dela. Me afasto e a vejo me encarar, apenas balanço a cabeça em negativo e ela parece não aceitar mas acaba se afastando e indo em direção da saída.

Tento aproveitar mais a noite mas percebo que depois de tudo que havia acontecido eu já não tinha animação pra continuar ali. Então resolvi ir embora. Passo pela porta de saída e logo vejo quem eu não queria. Ela estava ali, sentada no banco que havia próximo de seu carro com as chaves em suas mãos. Eu paro por alguns segundos observando aquela cena e tento ignorar e seguir meu caminho, mas eu sou tão besta que resolvi ir até lá por saber que está bebada demais pra poder dirigir.

— Me da as chaves, Marília.

— Maiara. — Ela diz surpresa.

— Você está péssima. Não seria certo eu te deixar dirigir nesse estado. Eu te levo pra casa! Mas não pense que estou de boa com você, eu ainda te quero longe de mim.

Ela me olha e e não diz nada, apenas entrega a chave do carro em minha mão e logo se levantando indo em direção do mesmo.

Destravo seu carro, abro a porta e a ajudo a entrar e se sentar. Seguimos o caminho todo em completo silêncio. Chego em sua casa, estaciono o seu carro desço do mesmo e dou a volta pra ajudá-la. Paro em frente à porta de seus casa e pego as suas chaves na sua bolsa, destravo a porta e a ajudo e entrar. Fecho aporta atrás de nós e seguimos pra escada até chegar em seu quarto.

Tento fazer o mínimo de barulho possível pois já é de madrugada e todos estão domingo. Entro em seu quarto e fecho a porta, a coloco sobre a cama e a encaro enquanto ela me olha.

— Vamos tomar um banho pra vê se você fica menos pior.

— Nós duas? — Ela diz animada.

— Não sei como você consegue. — Reviro os olhos. — Não me verá assim nunca mais, Marília!

A ajudo a levantar da cama e seguimos até o banheiro. Começo a tirar a sua roupa e logo ligo chuveiro na água gelada e a coloco de baixa.

— PORRA TA FRIA!

— Achou que seria como? Banho quente e maravilhoso?

Ela reclama mas logo aceita. Não demoro com ela no banho. Desligo o chuveiro a enrolo numa toalha e volto com ela pro quarto e a deixo sentada na cama. Vou até seu closet e pego o mais fácil, camiseta e calcinha.

Volto pra onde ela está e a entrego e ela me olha.

— Se veste!

— Você acha mesmo que eu vou conseguir? — Ela sorri e me entrega as roupas de volta.

Reviro os olhos mas coloco nela, não queria prolongar ainda mais a noite. A ajeito não cama e caminho em direção da sua porta.

— Desculpa ser otaria com você. Eu sei que estou bebada, provavelmente não vou lembrar de nada. Mas desculpa..

— Mas está se desculpando pelo o que exatamente?

— Não sei Maiara, só sei que é o que você quer que eu faça.

— Marília, eu não quero que você se desculpe só porque acha que é o que eu quero que você faça. — Faço uma pausa. — Não vale a pena  conversar com você, você tá bebada, nem sabe o que tá falando e pode acabar piorando as coisas.

— Você sabe que pode ficar, não é?

— Cara, você não tem noção do que diz. Eu vou pra casa!

— Leva o meu carro!

— Não! — A olho. — Não quero ter um motivo a mais pra te ver depois de hoje.

— Mai...

— Boa noite Marília!

Saio de seu quarto deixando a porta entre aberta, pois não sei se ela precisará de ajuda daqui até o amanhecer. Desço as escadas e logo saio de sua casa e vou caminhando até a minha.

Penso em tudo que aconteceu. A noite que era pra ter sido incrível e leve, acabou se tornando um completo caos. Talvez eu devesse ter seguido os meus instintos quando não estava tão animada assim pra sair de casa.

Onde o amor nos levará? - MAILILA. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora