Capítulo 21

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Já havia se passado quase um mês que não nos víamos. Cheguei a pensar que a Marília, havia ficado chateada pela forma que falei da última vez que ela veio até aqui pois desde então ela não deu notícias e quando mandava uma mensagem era só pra saber como eu estava e pra dizer que as coisas na empresas estavam corridas demais.

Aceitei? Não, mas segui, não podia exigir muito de alguém que eu nitidamente não tenho nada. Entendo que a empresa exige muito dela, mas ela sempre dava um jeito, pelo menos era o que eu via ela fazendo quando eu ainda estava por lá.

— O que você tá pensado? — Maraísa diz se sentando ao meu lado no sofá.

— Nada demais. — Dou um sorriso.

— Alguma coisa está te chateando? Você tá assim a alguns dias já.

— Não. — Forço um sorriso. — Eu tô bem, não precisa se preocupar.

— Eu te conheço irmã. — Ela estende a mão e segura na minha. — Se algo te deixa assim pode compartilhar comigo.

— Marília...

— Que? — Ela me olha sem entender.

— Não sei, ela sumiu, não aparece mas, mal dá notícias. Não sei...

— Mas o que tem de diferente? Ela é assim mesmo. Sem dúvidas deve está ocupada demais ocupando uma cama em um hotel qualquer.

— Nossa Maraísa, esse é um dos motivos que me fazem não falar sobre isso com você. — Esbravejo.

— Mas eu estou mentindo? A gente conhece ela, quando some já sabemos o que está fazendo, não sei porque você ficou chateada.

— Você não entenderia mesmo.

— Entender o que? O que eu já sei desde a nossa adolescência? — Ela da risada. — Você nunca conseguiu disfarçar os seus olhares pra ela, nunca conseguiu disfarçar o quando era caidinha por ela.

— Esta viajando.

— Aham.. estou irmã. Claro que estou.

— Não enche, Maraísa.

Me levanto do sofá pois não estava mais aguentando aquela conversa.

— Tem um envelope pra você sobre a mesa. — Ela aponta na direção da mesa.

Sigo até a mesma e pego o envelope que está ali. Abro o mesmo e vejo que era um convite pra tão incrível festa da empresa da Marília. Todo ano tinha e era o tipo de evento que parava Goiânia por sua grandiosidade.

— Festa da empresa.. — Falo.

— Hmm, pra que o convite se você nem trabalha mais lá? — ela vira no sofá e me encara. — Tô de olho, irmã!

— Aí Maraísa... chata!

A deixo na sala sozinha e subo pro meu quarto. Chego no mesmo e deito sobre a cama, olho o convite mais uma vez e vejo que a data estava marcada pra essa noite. Alcanço o meu celular sobre a cama e vejo que já são próximo das seis da tarde então tinha apenas duas horas pra ficar pronta.

Enrola por mais alguns minutos até me levantar e ir pro banheiro tomar banho. Poderia simplesmente não ir a tal festa, mas, a família da Marília sempre dão festas incríveis.

Tiro a roupa e assim que vou entrar no banho meu telefone toca. Olho o visor e vejo a foto dela. Sinto um calafrio e deixo tocar por mais um tempo até tomar coragem pra atender.

Ligação on:

— Alô!

— Oi Mai, achei que não fosse me atender.

Demorei porque estava prestes a entrar no banho e você ligou.

— Banho? Sério? Se soubesse teria ligado de vídeo. — Ela sorri.

Fica um pequeno silêncio e então ela volta a falar.

— Liguei só pra confirmar que te verei a noite, na festa da empresa.

— Talvez.

— Não aceito! Meus pais estarão te esperando.

— Seus pais?

— É.

— Diga a eles, que por eles eu estarei lá.

— Direi. Te vejo às oito.

— Ok!

Estou prestes a desligar até ouvir a voz dela do outro lado me chamado.

— Mai...

— Hmmm?

— Sinto saudades.

Um pequeno sorriso surgem em meus lábios e logo tento conter a euforia na voz.

— Até mais tarde, Marília.

Finalizo a ligação sorrindo como uma adolescente apaixonada. Olho no espelho e vejo meus olhos brilharem e meus lábios terem vida própria a ponto deu não conseguir desmanchar o sorriso estampado nele.

Fica rodeando em minha mente o seu "sinto saudades". Começo a criar cenários impossíveis na minha cabeça até me dar conta de que preciso me apressar.

Entro no banho, lavo os cabelos, hidrato e finalizo. Termino o mesmo e sigo pra fora do banheiro indo em direção do closet.

Achei que levaria mais tempo pra procurar o que vestir mas eu já tinha algo em mente. Meu vestido preto justo e longo, com brilhos, uma fenda na lateral da perna e um decote incrivelmente lindo.

Me arrumo, coloco a roupa, alguns acessórios, faço uma make, deixo o cabelo solto com algumas ondas e me olho no espelho.

— Gostosa! — Fala enquanto admiro o que reflete no espelho.

Passo meu perfume e logo saio do quarto e dou de cara com a Maraísa.

— Uau! — Ela diz impressionada. — Matará um essa noite desse jeito!

— Talvez essa seja a intenção. — Pisco.

— Ela vai amar.

A olho fingindo não entender.

— Não é pra ela. — Rebato.

— Pode não ser, mas ela vai amar do mesmo jeito.

Balanço a cabeça em negativo enquanto dou um sorriso e sigo meu caminho.

Onde o amor nos levará? - MAILILA. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora