Capítulo 30

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Marília narrando...

Já havia passado algumas noites desde que chegamos aqui, a como havíamos combinado, eu não a via com frequência, pra falar a verdade, desde aquela madrugada eu não a via por aqui. Estava seguindo seus horários e como hoje ela havia deixado um bilhete dizendo que sairia na parte da noite então resolvi ficar na sala, vendo algo na tv e bebendo um vinho.

Não vou dizer que saber que ela sairia pra curtir a noite não me deixava levemente enciumada. Mas como não podia fazer muita coisa, resolvi beber pra esquecer ou pensar em qualquer coisa que ela poderia está fazendo.

Ja havia secado uma garra de vinho e está abrindo a próxima quando ouço a porta se abrir. Um barulho estranho e meio desengonçado. Olha na direção e a vejo tentando não fazer tanto barulho.

Eu pensei em ajudá-la, mas como sabia que ela não me queria por perto, apenas fiquei a observando do chão da sala onde eu estava enquanto ela tentava fechar a porta.

Ela fecha a mesma e segue, mas olha em minha direção e para. Não diz nada é apenas me encara. Eu a olho de volta.

— Desculpa.. não sabia que voltaria tão cedo.

Estava surpresa mas levemente feliz em saber que ela não iria passar a noite toda pra fora.

— Tudo bem.

Ela segue em direção das escadas, mas não ouço seus passos subindo a mesma. Me seguro pra não olhar, mas logo a vejo se aproximar e sentar ao meu lado.

— Por que você fez aquilo comigo? — Ela diz com a voz trêmula. Tanto pela tristeza quanto pelo quantidade que havia bebido.

— Eu não fiz... — Falo um pouco surpresa em vê-la ali.

— Por que você ainda insiste em negar? — Ela me olha. — Eu vi Marília, não esperei que saísse as notícias, eu vi quando aconteceu.

— Mai...

— Deixa pra lá! Já não importa mais.

— Mas não foi porque eu quis.

— Que? — Ela começa a rir. — Suas desculpas são horríveis, francamente.

Ela se levanta do chão da sala onde estávamos sentadas e eu sem pensar duas vezes me levanto com ela. Quando a vejo querer se afastar, seguro em seu braço a puxo pra mais perto.

— Me ouve só hoje... por favor! — Sussurro em seu ouvido.

Ela fica em silêncio, imóvel, mas percebo sua pele se arrepiar. Dou um leve sorriso por ver o quanto ainda mexo com ela.

— Eu...eu não estou em condições disso. — Confessa.

— Eu também não. Eu sei que bebemos, sei que estamos alteradas. — Falo a olhando e próxima demais de seu rosto. — Mas talvez assim funcione e se não funcionar pode ser que esquecemos tudo isso ao acordar.

— Conversa séria demais pra termos nesse estado.

Ela diz tentando se afastas mas seguro com força em sua cintura, fazendo seu corpo permanecer grudado ao meu. A encaro por alguns segundos, sua respiração já estava diferente, seu corpo de alguma forma parecia mais quente do que quando eu a toquei pela primeira vez nessa noite.

Sem pensar me aproximo um pouco mais e dou um cheiro em teu cangote. Automaticamente seu corpo parece quase derreter em meus braços. Ela ainda continua em silêncio. E eu? Há, eu esperei o pior e não recebi nada. Apenas um silêncio absurdo no ambiente.

— Desculpa... — Me afasto e olho em teus olhos. — Senti... senti saudades de sentir o teu cheiro.

Ela suspira com força, como se houvesse preso todo o ar em seus pulmões por muito tempo. Consigo ouvir o som de sua saliva deslizando por sua garganta. Ela não tira um segundo seus olhos do meu e pela primeira vez me sinto intimidada por aquele olhar.

Onde o amor nos levará? - MAILILA. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora