Capítulo 32

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Marília narrando...

Depois daquela conversa eu já não a via mais, as notícias que tinha sobre ela era por sua irmã ou pela minha mãe que ainda mantinha contato.

Eu me perdi, todas as noites depois do trabalho eu ia pro apartamento que tinha em Goiânia pra ficar só e beber sem ser julgada. Eu tentei sair, tentei ficar com outras pessoas, mas não fazia sentido pra mim. Tentar me envolver com alguém me deixava extremamente irritada, quando me lembrava que estava tocando em um corpo do qual eu não queria, eu perdia a cabeça, gritava e mandava as mulheres embora. Elas mal entendiam, tentavam me acalmar mas eu sabia que ninguém no mundo exceto aquela ruiva de um metro e cinquenta e quatro centímetros conseguiria. Mas, eu não era alguém que ela queria em sua vida.

O tempo passou, eu estava acabada emocionalmente. Pensei que o tempo iria ser legal comigo e me deixar me recuperar, mas quanto mais o tempo passava mais eu sentia a sua falta.

Os meus dias pareciam iguais, só mudava a data e o mês. Nada era diferente, vivia no automático tentado uma vez ou outra dá um jeito em tudo isso. Não vou negar que tentei algumas vezes contato com ela, mas de nada adiantou. Ela não respondia, não visualizava, não reagia. Algumas vezes enviei flores pra sua casa. Maraísa sempre me avisa quando chegava mas também dizia que eu merecia tentar ser feliz mesmo que não fosse com a sua irmã. Bom, sempre que ela falava eu explicava porque não conseguia pensar em ser feliz com outra pessoa.

Nos encontrávamos, conversávamos, passava um tempo juntas. Eu realmente amo a Maraísa, mas de alguma forma eu também a via pra vê se a saudade da Maiara, diminuía. Mas não era a mesma coisa, são gêmeas, iguais mas tão diferentes.

Já estava perdida em que dia da semana era. Como profissional eu ainda era incrível, fazia tudo com excelência, isso nunca mudou, mesmo me sentindo destruída por dentro.

— Filha, senta. Toma um café.

Minha mãe diz assim que termino de descer as escadas. Eu a olho e sinto um nó na garganta pois tinha total noção do quanto estava falhando como filha. As noites em que tínhamos pra estarmos juntas, eu estava em meu apartamento bebendo e sofrendo por alguém que não me dava a mínima. Mas eu não estava bem, não queria a consumir com todo o meu caos.

— Desculpa mãe, mas não consigo! — Me aproximo dela e deposito um beijo em seus cabelos. — Prometo recompensar em outro momento. Eu te amo, preciso ir.

Ela olha em seu relógio e sei que sabe que não é bem o meu horário, mas não podia ficar ali, o único momento em que minha mente tinha um descanso era quando estava envolvida completamente em meu trabalho.

— Tudo bem! — Ela me dá um sorriso. — Não foge de mim, sempre estarei aqui pra te ajudar. Espero que tenho um ótimo dia, eu te amo. E to com saudades dos dias em que costumávamos passar juntas.

— Prometo que logo terei tempo pra isso. — Paro e a olho sorrir com ternura pra mim. — Final de semana. Hoje, sairei depois do serviço. Não precisa me esperar acordada. — Dou um sorriso e saio dali.

Sigo pro trabalho e me atolo de reuniões, arquivos... tudo que eu podia naquele momento. Estava tão envolvida que não parei um segundo de quer pra comer.

Como havia dito termino meu expediente e vou até o meu apartamento que fica próximo do escritório. Como havia planejado estava disposta a sair naquela noite. Não queria ficar na solidão do meu apartamento bebendo até pegar no sono. Era uma sexta, e sei que havia prometido ter um tempo com a minha mãe no final de semana. Mas, me recomponho caso eu passe dos limites essa noite.

Tomo banho e aproveito a hidro pra tentar relaxar e quando aprecio uma taça de vinho e um som ao fundo. E mais uma vez ela estava lá, vagando em meus pensamentos. Era tão real que se eu parasse por mais alguns segundos eu poderia senti-la. Aquilo já estava me deixando mal novamente, então, afasto o pensamento e finalizo meu vinho e o banho.

Onde o amor nos levará? - MAILILA. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora