HARRY POV
Abri a porta da minha casa vendo o corredor de entrada com os tênis de Louis espalhados pelo chão, ele nunca perdeu essa mania. Não estava sendo um dia bom, eu só queria meu noivo e o abraçar chorando até dormir.
Deixei a mochila no chão alcançando as muletas que sempre ficam ali, mas não sei se vou lidar bem com elas agora, não me sentia bem o suficiente.
Eu comecei a andar sozinho com apoio de muletas já faz um ano, eu prefiro sair de casa com a cadeira quando vou ficar um longo período do meu dia. Por exemplo, na faculdade, estudo em período diurno/integral, Louis também, mas em um prédio bem longe do meu, geralmente de manhã até de tarde, é lógico que eu tenho medo de sentir dores e não conseguir andar sem ajuda, prefiro ir com a cadeira, é algo que já estou acostumado.
Eu faço artes visuais e Louis música como ele sempre quis, ele adora esse curso e está sempre estudando mais e mais dele todos os dias. Gosto de artes visuais, mistura tudo que eu gosto, fotografia, pinturas, história, é um curso legal, eu não me sinto tão sozinho já que o Zayn faz design, sempre nos esbarramos em uma aula ou outra.
Achei Louis sentado no chão da sala com seus fones em seus ouvidos, cadernos e seu novo violão do lado, ele finalmente anda aprendendo um pouco.
Me aproximei mas ainda sim não foi o bastante para ele me ver, apelei para minha amigas, empurrei uma das muletas em sua coxa o assustando mas me olhando mesmo assim.
- Jesus, você me assustou. - Deixou o instrumento do seu lado se colocando de pé. - Oi, paixão.
- Oi, amor. - Senti o beijo em meus lábios. Louis estava me olhando com aquela carinha de gato de botas, ele já sabia.
- O que foi? Você está triste, me conta. - Me puxou até nosso sofá e se sentou do meu lado, deixei as muletas novas apoiadas ao meu lado, Louis já bateu seu dedinho nelas várias vezes. - Fala.
- Me recusaram de novo. - Falei de vez deitando meu rosto em seu ombro, estou em uma insistente procura de um estágio, já tentei em diferentes lugares, desde escolas do ensino fundamental até alguns museus que professores indicaram, vários dos colegas de turma conseguiram porém eu sempre sou recusado. - Eu sei o motivo e é o que mais me machuca.
- Amor... - Senti os braços de Louis me envolvendo em um abraço. - Não é sua culpa.
- Eu sei que não, eles sempre falam que as vagas estão todas preenchidas e no dia seguinte alguém da turma fala que conseguiu no mesmo lugar. - Meus olhos começaram a arder com as lágrimas que eu segurava. - Parece que eu estar em uma cadeira de rodas ou usando muletas me torna alguém menos inteligente e inválido, mas... eu estou sempre estudando novas técnicas de arte e tudo no geral.
- Paixão, você é o mais inteligente do mundo. Você vai conseguir. - Levantou meu rosto limpando as lágrimas que caíram.
- Nunca me enxergam além da minha deficiência, Lou. Eu sou inteligente, eu sei que sou. - Minha garganta doía pelo esforço em segurar as lágrimas incessantes.
- Eu te enxergo, eu vejo o homem incrível que você se torna todos os dias. - Segurou nas minhas bochechas limpando todas as lágrimas. - Você vai conseguir, eu acredito em você.
- Mas as pessoas não acreditam em mim, devem achar que eu vá tratar as crianças igual um monstro. Queria que me olhassem igual olham pra você.
- Paixão...
O silêncio preencheu a nossa sala de estar por longos minutos. Me levantei e avisei que iria tomar um banho na tentativa de esfriar a cabeça.
Enquanto a água quente corria por cada parte do meu corpo eu não sabia fazer outra coisa além de deixar as lágrimas grosserias e salgadas se misturarem com as gotas de água quente do meu rosto.
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Another World
FanfictionStyles sempre foi falante e festeiro. Isso até o acidente que o tornou paraplégico junto a isso um silêncio absoluto reinou em si. A mudança de Holmes Chapel para Londres não o fez tão bem quanto era planejado por sua irmã, isso até conhecer um cert...
