34 | Lar.

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JANE IVES HOPPER

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JANE IVES HOPPER

Estacionei o Chevrolet preto em frente à minha nova casa, o motor silenciando com um ronco suave. Por um instante, admirei a fachada: uma construção modesta, mas elegante, com varanda ampla, sacada charmosa e um jardim pequeno que parecia implorar por cuidados. O aluguel de três mil dólares por mês cabia no meu orçamento, especialmente com os 8 mil que ganharia no hospital de Denver. Não havia piscina, mas os três quartos, dois banheiros e a cozinha conjugada com a sala de estar eram mais do que suficientes para meu recomeço temporário. Paguei um extra de quinhentos dólares pela mobília inclusa – sofás de couro, mesa de jantar de carvalho, um guarda-roupa de madeira escura no quarto principal – e, ao avaliar o conforto, assinei o contrato sem pestanejar. Era um lar, não apenas uma casa.

Levei o carro para a garagem, arrastei as malas para dentro e subi ao maior dos quartos, que reivindiquei como meu. A cama king-size, ladeada por cômodas robustas, parecia um convite ao descanso, mas eu tinha trabalho a fazer. Abri as malas, organizando roupas no guarda-roupa enquanto o espelho ao lado refletia meu rosto cansado. Aos 25 anos, eu não era mais a garota ansiosa que deixara Denver sete anos atrás, mas as cicatrizes daquele tempo ainda pulsavam sob a pele. As paredes bege do quarto, com sua decoração sóbria, transmitiam uma calma que eu precisava desesperadamente. Este seria meu refúgio enquanto convencesse minha mãe a se mudar para a Califórnia comigo.

Após uma hora arrumando tudo, tomei um banho gelado, a água fria despertando meus sentidos. Enrolada na toalha, desci as escadas, o cenho franzido ao ouvir a campainha. Quem poderia ser? O carteiro usaria a caixa de correio na entrada, e só minha mãe tinha o endereço. Ela sabia que eu começaria no hospital em breve, então não apareceria sem avisar. Curiosa, espiei pelo olho mágico e senti um calor no peito. Abri a porta às pressas, um sorriso escapando ao ver Beverly Marsh e Will Byers diante de mim.

— Sua piranha, não ia nos avisar que chegou? — Will exclamou, fingindo indignação, antes de me puxar para um abraço apertado. Bev se juntou, quase derrubando a toalha que me cobria.

— Esqueceu os velhos amigos depois que virou Dra. Ives, é? — ele completou, rindo.

Will estava diferente, mais confiante. O cabelo, agora curto e penteado para trás, substituíra o estilo desleixado da adolescência. Vestia uma blusa azul-bebê, calça marrom e sapatos pretos, com um charme que não tinha aos 18 anos. Ele me atualizara por telefone sobre sua vida: formado em medicina veterinária, abriu uma clínica para pequenos animais no centro de Denver. Suas histórias de casos amorosos, sempre repletas de drama, continuavam me arrancando risadas.

— Como conseguiram meu endereço? — perguntei, alternando o olhar entre os dois.

— Sua mãe, claro — Bev respondeu, com um piscar de olhos. — Ela ligou ontem, passou o endereço, e Will achou que uma surpresa seria divertida. Cá estamos.

𝐍𝐎́𝐒 | 𝙀𝙡𝙢𝙖𝙭Onde histórias criam vida. Descubra agora