35 | Boa vida Mayfield

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Skyfall tocando nesse capítulo é o meu império romano.

Skyfall  tocando nesse capítulo é o meu império romano

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JANE IVES HOPPER

O relógio do hospital marcava 17:45 quando terminei de organizar meu escritório. Pilhas de prontuários alinhavam-se na mesa, e o cheiro de desinfetante pairava no ar, misturado ao zumbido distante dos monitores. Minha primeira semana como médica residente no Denver General Hospital fora intensa, mas eu me sentia no controle – ou pelo menos tentava. Peguei minha bolsa, ajeitei o jaleco e tranquei a porta, pronta para deixar o caos do plantão para trás.

No corredor, uma enfermeira de cabelo castanho curto e olhos azuis vibrantes se aproximou, segurando uma prancheta. Eva Tompson, segundo a plaqueta no uniforme. Ela me ofereceu um sorriso que era metade profissional, metade provocador.

— Dra. Ives, deixando o turno antes que o caos nos engula? — perguntou, a voz leve, mas com um brilho nos olhos que não passou despercebido.

— Só por hoje, Eva — respondi, entregando a chave do escritório. — Preciso de uma noite sem emergências.

Ela pegou a chave, seus dedos roçando os meus por um segundo a mais do que o necessário. Meu estômago deu um leve salto, e eu odiei admitir que gostei. Eva inclinou a cabeça, os fios castanhos caindo sobre a testa.

— Sabe, você parece tensa. Que tal um café qualquer dia desses? — sugeriu, o tom casual, mas com uma intenção clara. — Prometo não falar de prontuários.

Sorri, surpresa com a facilidade com que ela flertava. Parte de mim – a parte que não queria se envolver com ninguém – sabia que era uma má ideia. Mas a outra parte, aquela que ainda sentia o vazio de Denver, achou o convite tentador.

— Quem sabe? — respondi, mantendo a voz neutra. — Mas hoje tenho um jantar. Preciso ir.

— Não vou segurar a Dra. Ives, então — Eva disse, com uma piscadela. — Mas anotei meu número no seu quadro de avisos. Me liga quando quiser relaxar.

Assenti, sentindo um calor subir ao rosto, e me despedi com um aceno. Enquanto caminhava até o estacionamento, pensei em como minha eu de 18 anos teria fugido de um flerte assim. Agora, aos 25, eu pelo menos sabia lidar com ele – mesmo que não quisesse mergulhar de cabeça em nada que cheirasse a relacionamento.

Em casa, o banho quente dissolveu a tensão do dia. Escolhi um vestido vermelho justo, de manga longa e costas nuas, que abraçava meu corpo de uma forma que minha versão adolescente jamais ousaria. No espelho, comparei-me à garota de sete anos atrás. Meu cabelo, que antes batia nos ombros, agora caía em ondas longas pelas costas. A Jane de 18 anos preferia jeans e tênis; a de 25 anos encontrava segurança em um salto agulha preto que fazia meus passos ecoarem com propósito. Denver me trouxera de volta, mas eu não era mais aquela garota ingênua. Ou pelo menos era o que eu dizia a mim mesma.

𝐍𝐎́𝐒 | 𝙀𝙡𝙢𝙖𝙭Onde histórias criam vida. Descubra agora