𝐉𝐎𝐕𝐄𝐍𝐒 𝐍𝐀̃𝐎 deveriam entrar em relacionamentos, sempre fui muito pé no chão em relação à isso. Mas o que acontece, quando alguém que pensa dessa forma se apaixona? E pior ainda... O que acontece quando alguém como eu se apaixona pela namora...
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NARRADOR
A festa da tarde, cheia de risadas, pulos no trampolim e hambúrgueres meio queimados, tinha dado lugar a uma calma aconchegante. O grupo – Mike, Chrissy, Max, Jane, Will, Bev e Bill – decidira passar a noite ali, como faziam anos atrás, espalhando-se pelos quartos e sofás do casarão. A playlist de rock dos anos 80 ainda tocava baixo na sala, mas o quintal agora estava silencioso, iluminado apenas pela luz prateada da lua. O cheiro de carvão da churrasqueira ainda pairava, misturado ao frescor da grama úmida.
Jane Ives estava no quarto de Mike, um espaço que parecia preso no tempo, com pôsteres desbotados de bandas de rock e uma estante cheia de livros velhos. Ela acabara de sair do banho, o cabelo castanho ainda úmido caindo em ondas sobre os ombros. Vestindo apenas uma calcinha preta e um sutiã combinando, ela se olhou no espelho de corpo inteiro encostado na parede. A luz suave do abajur jogava sombras delicadas sobre sua pele, destacando as curvas do corpo – os seios cheios, a cintura fina, as coxas torneadas. Jane sorriu para si mesma, um sorriso confiante que contrastava com a garota de dezessete anos que ela já fora, insegura, achando que nunca seria suficiente. Aquela garota adoraria saber o quão poderosa ela se tornaria – não só no corpo, mas na forma como carregava a própria presença, uma arma que ela agora sabia usar com precisão.
Ela traçou a curva do quadril com os dedos, o reflexo no espelho mostrando uma mulher que não tinha mais dúvidas sobre sua beleza. O peso da batalha judicial por Angel ainda estava lá, uma sombra que a seguia, mas ali, naquele momento, Jane se permitiu sentir o poder do próprio corpo, do próprio desejo. A audiência final seria amanhã, e o medo do que poderia acontecer com Angel era uma corrente apertada no peito, mas ela precisava de um momento para respirar, para ser mais do que a mãe lutando contra Sara.
A porta do quarto se abriu de repente, e Max Mayfield entrou, parando abruptamente ao ver Jane. Seus olhos azuis se arregalaram, e ela levantou a mão para cobrir o rosto, as bochechas ficando vermelhas.
— Meu Deus, Jane, desculpa! — exclamou, fechando a porta atrás de si com um movimento rápido, como se quisesse proteger Jane de olhares indesejados. — Eu só vim pegar um perfume do Mike, ele disse que tava aqui.
Jane riu, um som baixo e rouco, e se virou para encará-la, sem fazer menção de cobrir o corpo.
— Max, você pode olhar — disse, a voz suave, mas carregada de um convite que fez o ar no quarto parecer mais denso.
Max hesitou, os dedos ainda cobrindo parcialmente os olhos, mas lentamente os abaixou, o olhar percorrendo Jane como se estivesse vendo algo de outro mundo. Seus olhos traçaram cada curva – o contorno dos seios sob o sutiã, a pele macia da barriga, as coxas expostas. A respiração dela ficou mais pesada, e Jane sentiu um calor subir pelo corpo, o desejo pulsando com a intensidade do olhar de Max.
— Se você soubesse o que tá fazendo comigo agora — murmurou Max, a voz rouca, os olhos ainda fixos em Jane, cheios de um desejo tão cru que parecia queimar o ar —, você pediria pra eu parar de olhar.