𝐉𝐎𝐕𝐄𝐍𝐒 𝐍𝐀̃𝐎 deveriam entrar em relacionamentos, sempre fui muito pé no chão em relação à isso. Mas o que acontece, quando alguém que pensa dessa forma se apaixona? E pior ainda... O que acontece quando alguém como eu se apaixona pela namora...
Gente eu não gosto nada de Byler, então existe um universo paralelo nas minhas fanfics em que o Mike sempre fica com a Chrissy
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
JANE IVES HOPPER
O frio de Denver cortava minha pele enquanto eu saía do hospital, o jaleco dobrado sobre o braço, o peso do turno de 12 horas me arrastando como uma corrente. O céu estava cinza, com nuvens pesadas que prometiam neve, e o estacionamento estava quase vazio, exceto pelo brilho fraco dos postes de luz. Meu Chevrolet estava estacionado no canto, a pintura preta reluzindo sob a iluminação artificial. Eu só queria chegar em casa, abraçar Gigi, e tentar apagar o caos da noite de dois dias atrás – o reencontro, o beijo com Max, aquele incêndio de desejo e raiva que ainda queimava em mim. Cada vez que fechava os olhos, sentia os lábios dela, o calor das mãos dela na minha cintura, o som da nossa respiração se misturando no banheiro de Bev e Bill. "Você é mais forte que isso, Jane", repeti novamente para mim mesma, apertando a bolsa contra o peito. Mas meu coração traidor batia com o nome dela.
Enquanto caminhava, os saltos ecoando no asfalto, uma figura surgiu na penumbra, encostada no meu carro. Meu estômago revirou antes mesmo de reconhecer quem era. Sara. Seus braços estavam cruzados, o casaco de couro preto destacando a silhueta magra, o cabelo loiro preso em um rabo de cavalo desleixado. Seus olhos, belos e azuis, mas frios como gelo, me encararam com uma mistura de raiva e desafio. Meu sangue ferveu, a lembrança das mensagens dela – "Quero saber onde minha filha tá" – ecoando como uma sirene.
— Sara — disse, minha voz cortante, parando a alguns metros do carro. —O que você tá fazendo aqui?
Ela descruzou os braços, dando um passo à frente, o rosto contorcido em uma expressão que eu conhecia bem: a de alguém prestes a explodir. — Você acha que pode simplesmente roubar minha filha e fingir que nada aconteceu? — cuspiu, a voz carregada de veneno. — Angel é minha, Jane. Minha. Você não tem direito de mantê-la escondida.
A raiva subiu pelo meu peito, quente e avassaladora. — Sua filha? — retruquei, dando um passo à frente, as mãos tremendo. — Você abandonou a Angel, Sara. Deixou ela num orfanato como se fosse lixo. E tudo pra manter uma mentira idiota, pra enganar a Max, pra não assumir que traiu ela. Não vem falar de direitos agora.
Sara riu, um som amargo que fez minha pele arrepiar. — Você sempre foi tão certinha, né, Jane? A salvadora da família. Mas isso não te dá o direito de roubar o que é meu. — Ela deu outro passo, ficando a poucos centímetros de mim, o cheiro de cigarro e perfume barato invadindo meu espaço.
Eu não recuei. A fúria que guardei por anos – pela traição dela, pela dor que causou à Max, pela vida que negou a Angel – explodiu. Antes que pudesse pensar, minha mão voou, acertando o rosto dela com um tapa que ecoou no estacionamento vazio. O som foi seco, cortante, e Sara cambaleou, a mão voando para a bochecha, os olhos arregalados de choque.
— Isso é por abandonar sua filha — rosnei, a voz tremendo de raiva. — Por mentir sobre um estupro, por machucar todo mundo que te amava. Você não merece a Angel. Nunca mereceu.