𝐉𝐎𝐕𝐄𝐍𝐒 𝐍𝐀̃𝐎 deveriam entrar em relacionamentos, sempre fui muito pé no chão em relação à isso. Mas o que acontece, quando alguém que pensa dessa forma se apaixona? E pior ainda... O que acontece quando alguém como eu se apaixona pela namora...
Se vocês soubessem o quão estressada fiquei pq exclui aquele capítulo, vocês já tavam orando por mim e pedindo pra que Deus me dê paciência
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JANE IVES HOPPER
O cheiro de manjericão fresco e alho assado tomava conta da minha cozinha, misturado ao som suave de uma playlist de jazz que Max trouxe no celular. Eu estava encostada na bancada, os braços cruzados, tentando não sorrir enquanto via Max se mover pelo espaço como se fosse dona dele. Ela usava um avental velho que achei no fundo de uma gaveta, o cabelo ruivo preso em um rabo de cavalo frouxo, com mechas soltas caindo sobre o pescoço. A regata cinza colada ao corpo e o jeans justo destacavam cada curva, e eu me peguei desviando o olhar, o calor subindo pelo pescoço. Era injusto como ela conseguia parecer tão absurdamente atraente enquanto cortava tomates com uma faca cega que provavelmente não via uma afiação desde que comprei a casa.
Angel estava sentada à mesa da cozinha, os pés balançando, um lápis de cor azul na mão enquanto desenhava mais um dos seus sanduíches – pão, queijo, alface, às vezes um tomate torto que ela insistia em incluir. Ela tinha uma obsessão adorável por esses desenhos, e eu amava cada traço irregular. Max, de alguma forma, tinha conquistado Angel com uma facilidade que me deixava surpresa. Talvez fosse o cupcake de chocolate com granulado colorido que ela trouxe, ou o jeito como falava com Angel, como se ela fosse a pessoa mais importante do mundo. Ver as duas juntas, rindo, fazia meu peito apertar de um jeito que misturava gratidão e algo mais perigoso, algo que eu não queria nomear.
— Max, você tá bagunçando minha cozinha — reclamei, tentando manter o tom leve, mas minha voz saiu mais suave do que eu queria.
Ela virou o rosto, os olhos azuis brilhando com um brilho travesso que fez meu estômago dar um salto.
— Sua cozinha tava implorando por um pouco de vida, Jane — retrucou, apontando a faca na minha direção, um sorriso torto nos lábios. — Além disso, eu sou praticamente uma chef. Confia em mim.
— Chef? — Levantei uma sobrancelha, cruzando os braços com mais força para esconder o rubor que ameaçava subir. —Você é dona de um restaurante, certeza que passa a maior parte ocupada.
— Mesmo assim, ainda sou chef — disse ela, dando de ombros enquanto jogava os tomates picados em uma panela com azeite que chiava suavemente. — Você vai me agradecer quando provar esse molho.
Angel levantou a cabeça do desenho, o nariz franzido. — Tá cheirando estranho Max. — disse, a voz pequena, mas cheia de curiosidade.
Eu ri, mas antes que pudesse responder, Max se aproximou da mesa, agachando-se para ficar na altura de Angel.
— Estranho bom ou estranho ruim, Gigi? — perguntou, apoiando o queixo na mão, como se a opinião de Angel fosse a coisa mais importante do mundo.