𝐉𝐎𝐕𝐄𝐍𝐒 𝐍𝐀̃𝐎 deveriam entrar em relacionamentos, sempre fui muito pé no chão em relação à isso. Mas o que acontece, quando alguém que pensa dessa forma se apaixona? E pior ainda... O que acontece quando alguém como eu se apaixona pela namora...
A Max nesse capítulo: E eu não quero conhecer outro cheiro. Eu não quero que os filhos de outra mulher tenham os olhos da garotas que eu nunca vou esquecer.
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MAXINE MAYFIELD
O ar frio de Denver cortava meu rosto enquanto eu trancava a porta do apartamento, o chaveiro tilintando contra o metal. O céu estava cinza, com nuvens pesadas que prometiam neve, e o peso no meu peito não era muito diferente. O incidente no "Blue Space" ainda ecoava na minha cabeça, como uma música que não sai da mente, mesmo quando você quer silêncio. Não lembrava o quão gostosa Jane ficava quando estava com ciúmes. Eu guardei aquele pingente de sanduíche por sete anos, como se fosse uma parte dela que eu não conseguia soltar. E agora, por causa de um erro idiota com Harley, ela achava que eu o dei para outra. A dor no rosto dela, misturada com algo que parecia saudade, me fazia querer correr até ela e explicar tudo de novamente. Quem sabe se eu implorasse...
O som da campainha me arrancou dos pensamentos. Franzi o cenho, conferindo o relógio no pulso – 6:43 da manhã. Quem diabos apareceria tão cedo? Abri a porta, e lá estava Harley, com o cabelo preto solto, a franja borboleta caindo sobre os olhos, e uma expressão que misturava frustração e desafio. Ela usava uma jaqueta de couro preta e jeans rasgados, as mãos enfiadas nos bolsos, como se tentasse segurar a raiva.
— Max, a gente precisa conversar — disse ela, sem rodeios, o tom cortante como o vento lá fora.
Suspirei, dando um passo para o lado. — Entra, Harley. Mas não tenho muito tempo, tenho que abrir o Blue Space em uma hora.
Ela entrou, o perfume doce de baunilha invadindo o apartamento. Sentou-se no sofá, cruzando os braços, enquanto eu me encostava na bancada da cozinha, mantendo distância. O silêncio entre nós era pesado, como se cada palavra não dita fosse uma pedra empilhada.
— Você parou de me responder depois daquele dia no restaurante — Harley começou, os olhos fixos nos meus. — Desde que aquela mulher, Jane, surtou por causa do colar. O que tá acontecendo, Max? Quem é ela pra você?
Eu sabia que essa conversa viria. Harley não era boba – ela viu a tensão no restaurante, sentiu que havia algo quando Jane e eu nos encaramos. Passei a mão pelo cabelo ruivo, agora solto e bagunçado, tentando encontrar as palavras certas. Não queria machucá-la, mas também não podia mais fingir.
—Ela é a nova médica daquele consultório no centro. —a morena me olhou como se dissesse "Idai?" —Harley, você é incrível — comecei, a voz mais suave do que eu pretendia. — Mas o que a gente tem... não é o que eu quero. Não mais. Eu sinto muito.
Os olhos dela se estreitaram, e vi a mágoa cruzar seu rosto antes que ela pudesse disfarçar. — Por causa dela, né? — perguntou, a voz tremendo. — Aquela mulher. Você tá apaixonada por ela, não tá?
Engoli em seco, o peso da verdade me ancorando. —Não! Sim...— admiti, olhando diretamente para ela. — Ela é... ela foi alguém muito importante. E agora que ela tá de volta, tenho coisas que precisar lidar, eu não consigo ignorar isso. Não seria justo com você continuar algo que não é real.