45 | O Jantar.

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Eu nem quarta e nem quinta. Mas hoje postei dois pra vocês.

 Mas hoje postei dois pra vocês

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JANE IVES HOPPER

O "Blue Space" estava diferente naquela noite, e isso me deixou com os nervos à flor da pele. A placa de neon na entrada brilhava em tons de cobalto, mas, dentro do restaurante, as luzes habituais estavam apagadas, substituídas por um brilho quente de lâmpadas amarelas indiretas que banhavam as paredes de madeira polida em uma suavidade quase perigosa. Velas tremeluziam na mesa central, a única ocupada, lançando sombras dançantes sobre a toalha branca. O cheiro de vinho tinto e algo doce, talvez baunilha, pairava no ar, misturado ao som suave de um jazz que saía dos alto-falantes. Max fechara o restaurante só para nós. Aquilo não era um jantar. Era uma armadilha.

Eu ajustei o vestido preto simples que escolhera, sentindo-o colar nas coxas enquanto caminhava até a mesa, o coração disparado. Perdi a aposta no boliche, sim, mas vir aqui era como entrar na jaula de um leão. Max Mayfield era o leão, e eu não sabia se queria lutar ou me render. Sete anos atrás, ela partiu meu coração com aquela aposta idiota, com o colar que outra usou, com as risadas dos outros ecoando na minha cabeça. A raiva ainda queimava, mas o beijo no banheiro de Bev e Bill  tinha rachado minha armadura. Eu odiava como meu corpo ainda a queria, como cada fibra minha tremia com a memória dela.

— Jane — a voz de Max cortou meus pensamentos, e eu levantei os olhos. Lá estava ela, saindo da penumbra, uma blusa preta justa marcando cada curva do corpo, jeans abraçando as pernas, o cabelo ruivo solto caindo em ondas sobre os ombros. O sorriso dela era puro veneno, meio debochado, meio sedutor, e fez meu estômago revirar. — Você veio. Achei que ia dar o cano.

— Não sou de fugir. — retruquei, cruzando os braços, o tom mais cortante do que pretendia. — Mas não espere que eu fique feliz com isso.

Ela riu, o som quente e provocador, e se aproximou, o perfume de cedro e algo doce me envolvendo como uma corrente. — Relaxa, Ives. É só um jantar. — Ela gesticulou para a mesa, mas o jeito como se moveu, o quadril inclinado, o olhar que demorou na curva do meu pescoço, era tudo menos inocente.

Sentei, tentando ignorar o calor subindo pelo meu pescoço. Max puxou a cadeira à minha frente, os dedos roçando de leve no encosto, e o movimento fez meu corpo reagir contra minha vontade. Odiava isso – odiava ela, ou pelo menos queria odiar. Mas cada gesto, cada olhar, era como uma faísca esperando para incendiar tudo.

MAX MAYFIELD

Ver Jane ali, no meu restaurante, com aquele vestido preto que abraçava cada curva, era quase demais. Os olhos castanhos dela brilhavam sob a luz das velas, mas estavam cheios de raiva, uma muralha que eu sabia que tinha construído sete anos atrás. Eu era uma idiota na época, e agora pagava o preço. Mas aquele beijo no banheiro, a forma como ela cedeu, mesmo que por um segundo, me dava esperança. Eu queria ela – não só o corpo, mas tudo: a risada, a força, a mulher que adotou Angel e enfrentou Sara sozinha. E, caramba, como eu queria tocar ela agora, correr os dedos pela pele exposta do ombro, provar aqueles lábios de novo.

𝐍𝐎́𝐒 | 𝙀𝙡𝙢𝙖𝙭Onde histórias criam vida. Descubra agora