𝐉𝐎𝐕𝐄𝐍𝐒 𝐍𝐀̃𝐎 deveriam entrar em relacionamentos, sempre fui muito pé no chão em relação à isso. Mas o que acontece, quando alguém que pensa dessa forma se apaixona? E pior ainda... O que acontece quando alguém como eu se apaixona pela namora...
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NARRADOR
O tribunal de Denver era um espaço frio, com paredes de mármore cinza que pareciam engolir qualquer traço de calor humano. Jane Ives estava sentada ao lado de Mike Wheeler, seu advogado, e amigo. Os dedos apertando a bolsa no colo com tanta força que as juntas estavam pálidas. O vestido azul que escolhera parecia sufocante, carregando o peso de semanas de ansiedade e medo. Era a audiência final pela guarda de Angel, e cada segundo parecia uma eternidade, o coração de Jane batendo tão alto que ela temia que ecoasse na sala silenciosa. Ela imaginava Angel em casa com Terry, provavelmente desenhando na mesa da cozinha, alheia ao que se decidia ali, e essa imagem era a única coisa que a mantinha firme.
Atrás de Jane, Max Mayfield e Chrissy Cunningham formavam uma muralha de apoio. Max, com o cabelo ruivo preso em um coque elegante, usava uma blusa preta de manga longa justa que delineava os ombros fortes, e Jane sentia o olhar dela como um toque quente, mesmo sem virar o rosto. Chrissy, com o cabelo loiro solto em ondas suaves e um blazer cinza elegante, apertava a mão de Jane de tempos em tempos, um gesto silencioso que dizia "você não está sozinha". Will Byers, Bev Marsh e Bill Denbrough ocupavam as fileiras seguintes, seus rostos carregados de solidariedade. O grupo estava ali, como uma família, dando a Jane a força para manter a cabeça erguida.
Do outro lado da sala, Sara estava impecável em um terninho branco, o cabelo preso em um coque perfeito. Seus olhos, quando encontraram os de Jane, eram frios, com um brilho desafiador que parecia querer provar algo além da guarda de Angel. O advogado dela, um homem de terno brilhante e tom arrogante, exalava uma confiança que fazia o estômago de Jane revirar. Ele abriu a sessão repetindo os mesmos argumentos: Sara, a mãe biológica, estava arrependida, agora estável, pronta para "assumir a responsabilidade". Cada palavra cortava como uma lâmina, e Jane apertava a bolsa com mais força, tentando não deixar o pânico tomar conta.
Mike se levantou, ajustando a gravata azul, a confiança dele um farol em meio à tempestade de Jane.
— Meritíssimo, Jane Ives Hopper é a mãe de Angel em todos os sentidos que importam, mesmo que ela não seja a mãe biológica. — começou, a voz firme ecoando na sala silenciosa. —Desde que adotou Angel, ela tem proporcionado um lar estável, amoroso e seguro. Temos testemunhas e evidências que comprovam a dedicação da senhorita Hopper, enquanto a requerente, Sara, abandonou Angel por anos, sem contato ou apoio.
Mike apresentou um caso sólido, chamando Will ao banco das testemunhas. Will, com a voz suave, mas firme, falou sobre como Jane colocava Angel em primeiro lugar, mesmo com o peso do trabalho no hospital. Bev, com os olhos brilhando, descreveu as tardes em que Angel corria para Jane, rindo, como se ela fosse o centro do universo. Bill, com seu jeito tranquilo, destacou a estabilidade que Jane construiu, uma casa cheia de amor e segurança. Chrissy, por sua vez, subiu ao banco com lágrimas nos olhos, a voz tremendo enquanto contava como Jane transformou a vida de Angel. E Angel transformou a dela.