𝐉𝐎𝐕𝐄𝐍𝐒 𝐍𝐀̃𝐎 deveriam entrar em relacionamentos, sempre fui muito pé no chão em relação à isso. Mas o que acontece, quando alguém que pensa dessa forma se apaixona? E pior ainda... O que acontece quando alguém como eu se apaixona pela namora...
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JANE IVES HOPPER
Eu me encontrava em frente ao prédio cinzento do orfanato, as mãos suadas apertando o volante. Meu coração batia tão rápido que parecia querer escapar do peito. Angel não era minha filha, mas era minha sobrinha – sangue do meu sangue, mesmo que de uma irmã que eu preferia esquecer. Após descobrir a verdade sobre a gravidez de Sara, há alguns meses, eu sabia que não podia deixar aquela criança abandonada. Ela tinha uma família, tinha a mim. Minhas ações podiam não ser perfeitas, talvez até questionáveis, mas minhas intenções eram puras. Diferente de Sara, que só pensou em si mesma. Se Jim estivesse aqui, ele me apoiaria. Ele amaria Angel com todas as suas forças, assim como me amou.
Cinco meses atrás – San Francisco, Califórnia
O dia tinha sido exaustivo. Cheguei ao meu apartamento em San Francisco, joguei o jaleco no sofá e tirei os sapatos na entrada, o alívio imediato nos pés quase me arrancando um gemido. Tudo o que eu queria era um café expresso para espantar o sono que pesava nas pálpebras. Caminhei até a cafeteira, segurando a xícara com a inscrição "Melhor Médica de San Francisco" – um presente irônico de Chloe e Jacob. Aperte o botão, e o líquido preto começou a escorrer, o aroma forte me envolvendo enquanto eu bocejava.
O silêncio foi quebrado pelo toque estridente do telefone no balcão. Resmunguei, abandonando o café para atender. "Dra. Ives falando," disse, tentando soar profissional, apesar do cansaço.
— Jane? Jane, irmã de Sara Hopper? — Uma voz masculina, hesitante, soou do outro lado.
Meu cenho franziu ao ouvir o nome de Sara. Na Califórnia, eu controlava o que as pessoas sabiam sobre mim, e Sara era um capítulo que eu mantinha trancado. Quem quer que fosse, provavelmente era de Denver. Minha mão coçou para desligar, mas a educação – ou talvez a curiosidade – me segurou.
— Está aí? — A voz ficou mais aguda, impaciente.
— Sim, estou — respondi, engolindo em seco.
— É o Glenn. Fui amigo da Sara na adolescência. Lembra? Passei um Natal com sua família, quando ela descobriu a gravidez.
A imagem veio nítida: Glenn, com traços asiáticos e cabelo escuro, consolando Sara ao lado de Dona, enquanto Max fervia de raiva e eu tentava entender o caos. Aquele Natal fora um pesadelo.
— É, lembro de você, Glenn — suspirei, já temendo o que viria.
— Preciso contar algo sobre a gravidez de Sara que ninguém sabe — ele disse, a voz carregada de hesitação.
Eu queria ouvir? Queria mesmo deixar o furacão que era Sara invadir minha vida depois de sete anos? Antes que eu pudesse responder, Glenn disparou:
— Sara nunca foi abusada sexualmente. Ela mentiu sobre tudo.