Após

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Enquanto dançávamos pela pista, uma mulher elegante com um vestido de seda azul-marinho se aproximou.

- Lance, você sempre nos surpreende com suas escolhas. Quem é essa jovem deslumbrante?

- Esta é Selene, minha convidada especial esta noite - sorriu para mim. - Selene, essa é a Lady Beatrice Wentworth.

- Uma escolha intrigante, Lance. Espero que você a esteja apresentando à nossa sociedade devidamente.

- Claro, ela está se adaptando muito bem.

Mais tarde, um homem de meia-idade com um sorriso cativante se aproximou.

- Selene, ouvi dizer que você é uma novidade em nossa alta sociedade. Como está se sentindo?

Pela primeira vez, uma pergunta foi feita diretamente para minha pessoa.

- É tudo muito novo para mim, mas estou tentando me adaptar.

- Isso é admirável. Lance a trouxe aqui para mostrar que você é bem-vinda em nosso mundo. Se precisar de qualquer orientação, estou à disposição.

O mesmo saiu andando.

- Esse era o anfitrião do baile, o Lorde Thomas Stirling.

Assenti.

Enquanto a noite avançava, eu comecei a me sentir mais à vontade em meio à alta sociedade. Não por conta do ambiente, mas sim por minha companhia. Lance me dizia exatamente com quem eu deveria falar e com quem eu deveria manter a distância, dando instruções de como agir quando um membro da nobreza se dirigia a mim.

O hóspede enfim apareceu, com uma mulher pendurada em seu ombro. Seu vestido possui-a um decote notável, seus seios pareciam querer saltar para fora e presumi que os homens adorariam essa ideia.

- Hoje irei dormir fora, senhor - falou com a voz mole. - Prometo que estarei na casa assim que o Sol nascer.

- Magalhães, você realmente não muda. Faça o que bem entender, se cumprir suas obrigações comigo.

- Sim, senhor - voltou sua atenção a mim. - Eu disse que ficaria maravilhosa nesse vestido, dona. Como está se sentindo sendo a estrela do baile? Todos os homens daqui babam a sua presença - olhou para Lance. - Sem exceção.

- Estou um pouco nervosa, porém, falamos com tantos membros da nobreza que sinto minha vergonha passar gradualmente e tornar-se naturalidade.

- Gostei de ver. Tenho certeza que em breve estará casada com um Lorde riquíssimo.

Casar?

Encarei Lance.

- Selene se casará quando eu encontrar alguém digno dela, Magalhães - seu tom de voz se tornou ríspido. - Recomendo que pegue essa bela dama e se divirta em outro lugar.

Magalhães piscou para mim e saiu andando junto a mulher. Lance soltou um suspiro.

- Às vezes, sinto vontade de matá-lo.

No final da noite, quando retornamos à nossa casa, Lance me acompanhou até meu quarto e disse:

- Você se saiu maravilhosamente bem esta noite, Selene. Estou incrivelmente orgulhoso de você.

Sorri.

- Não tive tempo de dizer o quão está linda essa noite, não paravam de cumprimentá-la por um segundo sequer - sorriu. Agradeci com vergonha. - Náiade, estamos fazendo isso há um bom tempo. Reconstruindo sua vida e olha a mulher incrível que desabrochou na senhorita.

- Isso só foi possível com sua ajuda. Se não tivesse me salvado naquele rio, não estaríamos aqui.

- Eu vou te salvar quantas vezes for preciso.

O mesmo respondeu rápido, se aproximando mais de mim e eu paralisada, com meu coração batendo forte dentro do peito. Lance segurou minhas mãos.

- Selene, eu... - encarei sua boca trêmula.

Ele estava nervoso?

- Eu não sei uma maneira adequada para dizer isso a você, mas você me deu algo que nunca tive e só me dei conta hoje disso.

- O que eu te dei, Lance?

Lance arrumou os fios desajeitados do meu cabelo, colocando-os atrás da orelha. Seus dedos acariciavam minhas bochechas, seus lábios cada vez mais perto dos meus e seus olhos semicerrados. Aquilo seria um beijo? Pois, se fosse, eu estava cedendo a algo que quero há muito tempo.

Entretanto, nosso quase momento foi atrapalhado com o barulho de coisas caindo. Era Henry, esbarrando em um vaso de flores.

Nós distanciamos com o susto e o garoto tentou colher os cacos.

- Oi irmão, eu estava apenas andando por aqui e não vi esse vaso - se desculpou.

- Precisamos conversar - Lance disse e voltou sua atenção para mim. - Eu... Durma bem, Náiade.

Dei boa noite a ele, fechando a porta do quarto e me jogando na cama com um sorriso bobo no rosto. Sorriso o qual insistia em crescer cada vez que lembrava dele.

Dessa vez, adormeci feliz.

𝚃𝙷𝙴 𝙰𝙱𝚂𝙾𝙻𝚄𝚃𝙴Onde histórias criam vida. Descubra agora