Jihyo's pov
Começou pequeno, como o furo de uma agulha, depois foi crescendo até o corte de uma faca. No começo eu não estava incomodada com a presença de Miyeon, não estava com raiva nem ao menos triste.
É como se eu só estivesse lá, ouvindo tudo.
Eu pensei em sair várias vezes, mas algo me grudou naquele banco e eu fiquei lá até ouvir o que não queria. Até ouvir algo que me incomodaria. Eu devia saber, devia saber que havia algo estranho hoje, Sana daquela forma... O jeito que apareceu no trabalho, sim, eu sei que esbarrei nela de propósito apenas para segurá-la, mas ela não me parou, não me parou quando entrei na sala, não me parou quando eu a toquei. Se Mina não aparecesse, provavelmente teríamos feito até mais que isso.
O que no final seria um grande erro, se Sana quer ter comigo o que ela tinha com sua amiga Miyeon, eu de jeito nenhum aceitaria. Esse não é o tipo de relação que dá para ter com alguém que trabalha ou um amigo, não sei como ela pensou que isso daria certo, era óbvio que no final alguém sairia magoado.
Quando Sana negou, eu notei que era porquê tinha uma emergência, só não fazia ideia que o seu problema era a loira do bar.
O jeito que minha cerveja desceu de forma tão amarga quando eu descobri que elas se beijaram... Quando eu ouvi Miyeon dizer que naquele dia elas ficaram juntas no banheiro, no primeiro dia...
E o pior, isso tudo porque Sana não gostou de um dia que trabalhou comigo... Um dia comigo...
Eu senti minha garganta se fechando, a raiva crescendo.
Mas eu não fiz nada, disse só algumas coisas e fui embora.
Alguma coisa dentro de mim queria que Sana tivesse vindo atrás de mim, queria que ela tivesse vindo... Mas ela escolheu continuar lá. Quando sai, vi Miyeon se sentar ao seu lado. Foi como o ponto final da noite para mim.
Eu sai daquele bar com a cabeça girando, a visão turva e uma raiva incontrolável.
Imagens e pensamentos rolavam pela minha cabeça, para o meu azar eu tinha uma imaginação bem fértil, foi apenas eu me sentar no carro que todas as imagens apareceram em minha mente.
Outra pessoa tocando nela, a beijando, fazendo tudo que eu ainda não pude fazer e talvez nem possa. Talvez eu nunca faça nada disso.
E outra pessoa teve isso.
Ontem mesmo ela beijou outra mulher e no dia seguinte ainda veio me beijar.
Oh Sana...
O pior é que eu nem tenho o direito de sentir esse ciúme ridículo, afinal não temos nada, me sinto como a estúpida da Miyeon se humilhando.
Me sinto patética, ridícula, ao mesmo tempo que não quero nem olhar ou ouvir, Sana, queria tê-la por perto.
Já estou em casa, já tomei um longo banho, estou em minha cama faz duas horas, mas não consigo dormir.
Eu me sinto tão burra, ela estava me tratando de forma diferente e eu apenas achei que ela finalmente iria aceitar algo, achei que aceitaria ter algo mais comigo, achei que finalmente eu poderia...
Não importa.
É por isso que não me abro, que não conto o que sinto ou o que quero.
É melhor ser chamada de cruel do que se sentir assim.
⋆⋆⋆
Sábado e domingo passaram se arrastando, ficar sozinha em uma casa gigante apenas com meus pensamentos não ajudava em nada.
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Cruel ⋆ sahyo
FanfictieSana simplesmente recebe a notícia de que vai virar secretária de outra pessoa, a CEO da empresa, Park Jihyo, conhecida por ser cruel com seus funcionários. sahyo | longfic | [graphic by @atzarts]
