Derek
Cidade Humana Péres,
América do Sul.
Dias Atuais.
- Derek!
O grito de mamãe soou alto demais nos meus ouvidos sensíveis. Levei os dedos os massageando para tentar aliviar o zumbido que o som alto demais causou. Eu sempre digo que não precisa gritar para eu a escutar. Mas ela sempre ignora esse aviso.
Suspirei me levantando e caminhando sem pressa pelos corredores que estavam cheios de quadro de paisagens de diferentes lugares. Desci as escadas sem vontade alguma, parando no último degrau quando mamãe surgiu com uma bolsa na mão.
Estava com a costumeira calça e blusa branca. Mais da metade do seu guarda roupa era branco além do trabalho exigir, ela gostava daquela cor, era claro para mim. Os costumeiros saltos, que eu achava alto demais para ela usar no trabalho estavam nos pés pálidos.
- Eu estou indo trabalhar, não se esqueça do que eu lhe falei.
Concordei me escorando no corrimão de madeira. Ela caminhou até mim abrindo os braços e eu a abracei sentindo o cheiro dela. Rosas misturadas a álcool!
Ela passava tanto tempo no hospital que o cheiro daquele lugar já era impregnado nela.
- A senhora vai fazer plantão hoje, ou é só uma cirurgia?
- Vou fazer plantão hoje por conta do acidente que passou na TV hoje cedo.- ela tocou a ponta do meu nariz com o dedo.- Mas não precisa se preocupar, seu pai chegara em poucos minutos.- concordei.
Mesmo sabendo que ele não viria nem tão cedo. Ele sempre mentia para ela... e para mim. Mas o que ele não sabe, é que nunca me engana. Aprendi a muito tempo a escutar a mentira dele. Seu coração sempre acelerava as batidas ao contar mentiras.
A amiga da mamãe sempre diz ele é viciado em trabalho. O que é verdade porque o mesmo passa mais tempo na empresa que em casa, mamãe não era diferente.
- Você está com uma cara tão tristinha. Aconteceu algo na escola?
Sim. Todos os dias acontece algo na escola.
Começar a estudar tão velho me fazia ser motivo de chacota para os maiores. Mesmo sendo mais forte que eles, não revidava. A primeira e última vez que o fiz, três garotos foram parar no pronto socorro, eu fui expulso no primeiro dia de aula e papai brigou feio com mamãe.
Naquele dia ouvi o choro baixinho dela na calada da noite e me arrependi do que fiz. Prometi a mim mesmo e a ela que não brigaria mais. Ela não merecia aquilo.
Ela ficou séria pegando meu rosto entre as mãos.
- Derek. Está acontecendo alguma coisa?- neguei.- Tem certeza?
- Eu estou bem mãe. - tirei suas mãos do meu rosto.
Ela sorriu me dando o costumeiro beijo na testa e saindo. Eu a segui parando na porta a vendo entra no seu carro e me lançar um beijo que eu retribui com um aceno. Segui o veículo com os olhos o perdendo de vista quando virou uma esquina.
Voltei para dentro de casa olhando para o ambiente espaçoso e luxuoso completamente vazio. Segui para a cozinha onde Alice estava cozinhando, sabia só pelo cheiro que pairava no ar.
Andei até a bancada me sentando em um dos bancos enquanto esperava a mulher me notar. Não tardou para a mesma se virar dando um pulo com a mão no peito.
- Menino tu ainda vai me matar um dia.
Tombei levemente a cabeça ao imaginar Alice tendo uma parada cardíaca. Mas eu não deixaria ela morrer porque ninguém mais faz minhas refeições do jeito que eu gosto.
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O Lobo De Sterk
WerewolfHá mil anos, os lobos pediram à deusa Selene por um líder supremo. Só não esperavam que ela fosse atender ao pedido tão tarde. Derek veio ao mundo inesperadamente. Mas, ao contrário dos lobos, que sequer se lembravam do pedido, bruxos e vampiros já...
