14_O esperado e inesperado.

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Derek

Cidade Humana Péres,
América do Sul.

Engoli em seco encarando os olhos amarelados não humanos fixos em mim. Ele permanecia imóvel com o rosto inexpressivo, a respiração serena mostrando sua aparente calma. já fazia alguns segundos que gritei com ele e o mesmo ficou assim.

- Arthur! - o chamei baixo.

Dei um passo na sua direção e ouvi um carro estacionando e a porta se fechando segundos depois. A voz de mamãe soou falando com alguém aparentemente no telefone. Levantei a mão e estalei os dedos para tentar acordar ele do transe.

- Arthur!

Eu estava começando a ficar preocupado. Eu não fazia a mínima ideia do que eu tinha feito pra ele ter ficado desse jeito. Então não sabia se era melhor eu tentar acordar ele ou se esperava ele o fazer sozinho.

Os passos de mamãe subindo a escada me fizeram tomar a decisão sem pensar outro vez. O peguei pelos ombros e o sacudi rapidamente nervoso com a aproximação de mamãe.

- Arthur, acorda! - sacudi com mais força.

Ele finalmente piscou, um estrondo alto soou e a casa começou a tremer. Caí no chão um pouco assustado e olhei para ele com a respiração descompassada e os olhos ainda amarelos.

Um grito feminino do lado de fora soou alto e agudo. Me levantei apressado correndo para fora. Encontrei mamãe caída nas escadas e corri até ela pegando em seu braço. O rosto pálido e olhos apavorados se viraram em minha direção.

- Mãe, a senhora precisa...

Gritos de Arthur me fizeram se calar por um momento olhando na direção do seu quarto.

- O que é isso, Derek, o que está acontecendo?

- Não dá para explicar agora!

A ajudei a se levantar e a peguei no colo a assustando com minha força desproporcional ao meu tamanho. Desci as escadas com passos apressados deixando ela na entrada da casa.

- Filho, que gritos são esses? - outro grito soou mais grosso que o normal. 

Os canos da casa explodiram e eu abracei mamãe num instinto protetor. Água começou a sair por todos os lados das rachaduras nas paredes à nossa volta. Puxei ela para fora apressado abrindo a porta de seu carro.

- Mãe, saí daqui agora!

- Derek, eu não vou sair daqui sem saber o está acontecendo! - ela me olhou com o semblante irredutível.

Mas que mulher teimosa!

O som de rosnados chamou minha atenção e olhei para cima. A água da casa parou de sair pelas frestas das paredes e o silêncio tomou o ambiente completamente.

- Mãe...- toquei mamãe a forçando a entrar no carro e fechando a porta ignorando seus protestos.

Assim que virei em direção a casa, uma bola gigante de água me atingiu em cheio fazendo eu e o carro capotar umas três vezes. Me levantei um pouco desorientado pelo repentino ataque e olhei para o carro ouvindo os batimentos cardíacos de mamãe acelerado.

Ela vai sobreviver!

Me virei em direção a casa avistando o lobo no corpo de homem na porta me encarando ameaçador. As pelagens azuladas e cinzentas camuflava uma fina camada de água a sua volta. Eu não sabia se minha surpresa era por ele ter não ter completado a transformação ficando daquele jeito ou se estava manipulando a água.

- Interessante. - sussurrei.

Ele rosnou avançando na minha direção com raiva parecendo determinado em me atacar. Não entendi bem o quê de tanta raiva, ele tinha começado a discussão primeiro.

O Lobo De SterkOnde histórias criam vida. Descubra agora