7_ Um Selvagem.

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Thomas

Alcateia Lerak,
América do Norte.

Entrei no meu quarto e de Laura apressado e parei ao avisá-la na varanda observando a vista. Estava com uma blusa preta minha que a cobria até abaixo da bunda deixando as coxas grossas e malhadas à mostra. Os pés descalços estavam sujos de terra e capim indicando que acabou de chegar de uma corrida na floresta.

– Já disse que não gosto que use minhas roupas. – ela virou a cabeça brevemente e voltou a olhar a paisagem me ignorando. – Não suporto seu cheiro nelas.

O cheiro dela era semelhante aos de lírios silvestres, flores essas que minha mãe adorava plantar em seu jardim na minha infância. Me remetia às memórias de minha família e me fazia lembrar que todos estão mortos e eu estou aqui à mercê de sua família.

– Então não as use... – se virou suspirando e caminhou sem pressa para dentro amarrando os cabelos no alto da cabeça. – Ninguém está o obrigando a isso.

Eu ri achando irônica suas palavras, mesmo ela não ter as dito com tal intenção.

– Pelo menos nisso, não sou obrigado, não é mesmo? – falei com desdém e ela suspirou outra vez me olhando com um semblante cansado.

Muito diferente do alegre quando o vi pela primeira vez. Com o passar dos anos de convivência comigo, sua personalidade foi mudando. A mulher foi se tornando fechada, ranzinza e chata, bem diferente da menina animada, apaixonada e cheia de sonhos. Sonhos esse que eu fiz questão de destruir!

– Não íamos discutir, esqueceu? – cruzou os braços, neguei me virando e entrei no closet ignorando ela que me seguiu curiosa, peguei uma mochila. – Para onde vai?

– Para o sul.

Abri a bolsa pegando alguma peças de roupas apressado enfiando na mesma. Ela segurou meu braço me parando e a encarei.

– Espera. – olhou brevemente para a mochila. – Você pediu autorização de papai pra isso? – soltei uma risadinha sem humor negando.

– Eu não preciso da autorização dele pra nada!

— Ele é seu alfa! — respirei fundo tentando não me irritar com suas palavras. — Thomas, por favor, faz as coisas do jeito certo, ao menos uma vez! — sorri ladino.

— Mas estou fazendo! — ela me soltou negando derrotada. — Eu não vou demorar, vou me ausentar por no máximo uma semana.

— Eu vou com você!

— Não. — me virei voltando a arrumar minha bolsa. — Só vai me atrapalhar.

— O que vai fazer lá?

Respirei fundo pedindo paciência à lua. Eu sabia que ela se recusaria a me deixar ir tão longe sozinho, o meu querido sogro também não iria deixar, mas eu vou procurar pelo solitário, preciso saber quem é. Se esteve aqui dez anos atrás, podia ser o filho de meu irmão desaparecido. Eu preciso encontrá-lo!

— Não é da sua conta.

– Thomas... — pegou meu braço me puxando e a encarei. — Por favor, você sabe que meu pai vai mandar rastreadores atrás de você...– sorri de lado e peguei seu queixo.

– Não vai, porque você vai dizer que fui trabalhar. — a soltei pegando a bolsa a fechando.

– Ele não vai acreditar, é eclipse lunar... – parei a encarando.

Que saco!
Porque ela sempre tem razão?

— Você tem razão. — sussurrei amargamente e ela concordou.

O Lobo De SterkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora