34_ Tirando minhas dúvidas.

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DEREK

Alcatéia Suprema,
Vila Central.

Olhei para a hora no celular suspirando com a demora de Alexia em chegar. Havia saído do terreno da casa e estacionado na rua do condomínio. Não queria passar por mais uma situação constrangedora com as moradoras de lá.

Bocejei sentindo meus olhos lacrimejar e lembrei que não dormi na noite anterior. Provavelmente já faz mais de 24 horas que estou acordado.

Suspirei esfregando os olhos cansados e o som de um carro se aproximando me fez olhar para a rua deserta e escura pela escuridão da noite.

O carro parou ao lado do meu com a janela rente a minha. Kamilla virou o rosto me olhando com cara de poucos amigos e estendeu a mão.

— O livro. — arqueei uma sobrancelha e peguei o livro no banco ao lado o estendendo.

Ela pegou e o vidro abaixado começou a subir fazendo sua imagem, com o cabelo castanho e liso preso em uma caneta num coque frouxo acima da cabeça e a pele morena oleosa desaparecendo aos poucos atrás do vidro fumê.

Alexia saiu pela porta traseira do outro lado e o carro seguiu caminho em direção a casa. Olhei pelo retrovisor a caminhonete azul desgastada pelo tempo, passando pelo portão aberto de entrada.

— O que será que Tadeu vê nessa mulher? — sussurrei, mas acho que foi alto demais porque Alexia escutou.

— A mesma coisa quando você olha pra Aisha, a beleza de uma mulher negra. — ela se apoiou na janela me olhando impassível. — Então, o que quer tanto saber? Vou responder todas as suas perguntas, lobinho.

— Entra aí. — acenei com a cabeça para o banco ao meu lado.

Ela rodeou o carro pela frente e abriu a porta entrando com movimentos tranquilos. Não parecia nervosa com a situação, o que me fez chegar a conclusão que talvez ela não esteja fazendo nada de errado por aqui.

Ela suspirou me olhando à espera. Olhei para a rua deserta cheia de carros estacionados na beira a frente.

— Você reconheceu a Aisha pelos meus desenhos, não foi? — a olhei.

— Não de cara, mas quando olhei com mais atenção, lembrei de seus desenhos, sim. — concordou olhando para frente. — Ela é mais bonita pessoalmente, você tem sorte. — me olhou sorrindo.

— Não acho isso. — neguei devagar.

— Por que?

— Ela é suspeita. Assim como Kamilla, não sinto a presença de Aisha, mas tem algo nela que eu não sinto quando olho pra Kamilla.

— O quê? — olhei para a rua.

— Um enorme peso, quando estou na presença de Aisha, meu coração pesa, ele acelera, e cada batimento é dolorosamente pesado, quando eu olho nos olhos dela, sinto uma sensação estranha de perda, luto... — olhei vago para o volante sussurrando. — Como se eu tivesse a perdido antes de mesmo de a ter encontrado.

O silêncio preencheu o carro por alguns longos segundos.

— Isso foi bem profundo. — ela sussurrou e a olhei. — Talvez seja por algum motivo, já viu o laço de vocês? — franzi a testa.

Talvez a gente nem tenha um laço. Teles falou que a gente sente quando o laço de alma se forma, o efeito dele é quase instantâneo. O beta falou que a gente se apaixona pelo parceiro à primeira vista, é como efeito natural para manter os companheiros perto um do outro.

Eu não sinto nada por Aisha, e claramente, ela está indiferente a mim desde que me viu!

— Não, ainda não tive a oportunidade de ver meu fio, mas eu não senti o laço se formar, Teles e os outros dizem que a gente sente quando o laço da alma se forma, eu não senti nada de anormal quando a encontrei pela primeira vez. — eu cocei a cabeça em dúvida e voltei a olhar para ela.

O Lobo De SterkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora