DEREK
Alcatéia Suprema,
Vila Central.
Olhei para a hora no celular suspirando com a demora de Alexia em chegar. Havia saído do terreno da casa e estacionado na rua do condomínio. Não queria passar por mais uma situação constrangedora com as moradoras de lá.
Bocejei sentindo meus olhos lacrimejar e lembrei que não dormi na noite anterior. Provavelmente já faz mais de 24 horas que estou acordado.
Suspirei esfregando os olhos cansados e o som de um carro se aproximando me fez olhar para a rua deserta e escura pela escuridão da noite.
O carro parou ao lado do meu com a janela rente a minha. Kamilla virou o rosto me olhando com cara de poucos amigos e estendeu a mão.
— O livro. — arqueei uma sobrancelha e peguei o livro no banco ao lado o estendendo.
Ela pegou e o vidro abaixado começou a subir fazendo sua imagem, com o cabelo castanho e liso preso em uma caneta num coque frouxo acima da cabeça e a pele morena oleosa desaparecendo aos poucos atrás do vidro fumê.
Alexia saiu pela porta traseira do outro lado e o carro seguiu caminho em direção a casa. Olhei pelo retrovisor a caminhonete azul desgastada pelo tempo, passando pelo portão aberto de entrada.
— O que será que Tadeu vê nessa mulher? — sussurrei, mas acho que foi alto demais porque Alexia escutou.
— A mesma coisa quando você olha pra Aisha, a beleza de uma mulher negra. — ela se apoiou na janela me olhando impassível. — Então, o que quer tanto saber? Vou responder todas as suas perguntas, lobinho.
— Entra aí. — acenei com a cabeça para o banco ao meu lado.
Ela rodeou o carro pela frente e abriu a porta entrando com movimentos tranquilos. Não parecia nervosa com a situação, o que me fez chegar a conclusão que talvez ela não esteja fazendo nada de errado por aqui.
Ela suspirou me olhando à espera. Olhei para a rua deserta cheia de carros estacionados na beira a frente.
— Você reconheceu a Aisha pelos meus desenhos, não foi? — a olhei.
— Não de cara, mas quando olhei com mais atenção, lembrei de seus desenhos, sim. — concordou olhando para frente. — Ela é mais bonita pessoalmente, você tem sorte. — me olhou sorrindo.
— Não acho isso. — neguei devagar.
— Por que?
— Ela é suspeita. Assim como Kamilla, não sinto a presença de Aisha, mas tem algo nela que eu não sinto quando olho pra Kamilla.
— O quê? — olhei para a rua.
— Um enorme peso, quando estou na presença de Aisha, meu coração pesa, ele acelera, e cada batimento é dolorosamente pesado, quando eu olho nos olhos dela, sinto uma sensação estranha de perda, luto... — olhei vago para o volante sussurrando. — Como se eu tivesse a perdido antes de mesmo de a ter encontrado.
O silêncio preencheu o carro por alguns longos segundos.
— Isso foi bem profundo. — ela sussurrou e a olhei. — Talvez seja por algum motivo, já viu o laço de vocês? — franzi a testa.
Talvez a gente nem tenha um laço. Teles falou que a gente sente quando o laço de alma se forma, o efeito dele é quase instantâneo. O beta falou que a gente se apaixona pelo parceiro à primeira vista, é como efeito natural para manter os companheiros perto um do outro.
Eu não sinto nada por Aisha, e claramente, ela está indiferente a mim desde que me viu!
— Não, ainda não tive a oportunidade de ver meu fio, mas eu não senti o laço se formar, Teles e os outros dizem que a gente sente quando o laço da alma se forma, eu não senti nada de anormal quando a encontrei pela primeira vez. — eu cocei a cabeça em dúvida e voltei a olhar para ela.
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O Lobo De Sterk
ParanormalHá mil anos, os lobos pediram à deusa Selene por um líder supremo. Só não esperavam que ela fosse atender ao pedido tão tarde. Derek veio ao mundo inesperadamente. Mas, ao contrário dos lobos, que sequer se lembravam do pedido, bruxos e vampiros já...
