25_ Tarde demais.

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DEREK

Alcateia Suprema,
Biblioteca Central.

Estacionei o carro em frente a casa de arquitetura moderna puxando o freio de mão e tirando o sinto. Alexia se remexeu ao meu lado abrindo os olhos e observando em volta confusa.

— Já chegamos? — concordei tirando seu sinto e peguei meu celular no porta luvas. — Caramba, eu apaguei.

— Eu percebi. — disquei para o número residencial que Teles me deu antes de sair de casa pela manhã. A olhei sorrindo ladino. — Parece mais confiante comigo no volante.

— Não se gaba não, tá! — abriu a porta pegando sua mochila nos seus pés e eu rir baixinho. — Eu estava cansada já que deixei de dormir pra fazer uma exploração que não deu em nada. — saiu fechando a porta.

Sorri achando seu jeito de mostrar frustração meio fofinho, não é todo dia que eu via Alexia chateada, geralmente é ela quem chateia os outros. 

O telefone no interior da casa começou a tocar. Ouvi passos apressados e alguém atendeu. Pus no viva voz.

📞 Alô!

— Oi, aqui é o Derek, Teles avisou ontem que eu viria.

📞 Ah! Claro senhor, já chegou?

— Sim, você preparou o quarto extra?

📞 Sim, sim, está tudo pronto.

— Ótimo, estamos aqui na frente.

Saí do carro fechando a porta o travando e caminhei sem pressa em direção a casa. Alexia começou a me seguir olhando em volta.

— Vem cá, todas as tuas casas são enfiadas no matagal mesmo? — ela igualou nossos passos e a olhei.

— Eu falei a Teles que não gosto muito de barulho, acho que ele levou bem a sério isso quando escolheu minhas residências nas vilas, isso é bom... — a porta da casa se abriu mostrando um homem meio velho pelos cabelos grisalhos, mas estava em forma pelo porte atlético. — Meus ouvidos são sensíveis.

A olhei a tempo de ver a mesma revirando os olhos.

— Você ama o fato de ter quatro homens ricos e influentes puxando teu saco. — arregalou os olhos brevemente e olhou para o homem à nossa espera. — É a primeira vez que eu vejo um cabelo grisalho nesse lugar, pensei que vocês não envelheciam. — a olhei rindo brevemente.

— Alguns não, mas a maioria envelhecem, pra manter a juventude, tem que está absorvendo constantemente energia espiritual na outra forma, nem todos tem o hábito de se transformar pra correr. — ela concordou sem muito interesse no assunto.

— Sejam bem vindos. — o senhor nos olhou sorrindo e seus olhos castanhos me fitaram. — Nunca pensei que o serviria tão cedo, meu senhor.

— Pois é, nem eu. — apontei para Alexia. — Na verdade, quem você vai servir a partir de hoje é ela, eu só tô de passagem.

— Ah...por favor, entrem. — ele deu passagem e olhou para Alex franzino a testa. — A senhorita parece ser de fora.

— É, eu sou bruxa. — falou sorrindo e entrando.

Olhou em volta alheia ao espanto do caseiro.

Eu já tinha ouvido os avisos dos betas da corte sobre o pouco contato dos habitantes da ilha com estrangeiros, principalmente de outra espécie.

Os únicos que viam seres de outra raça eram os que moravam no oeste, onde fica o porto e no  centro da ilha, onde ficava o comércio. O resto eram meios hostis, muitos nem saiam das vilas pra evitar contato.

O Lobo De SterkOnde histórias criam vida. Descubra agora