21 _A porta selada.

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👩🏽‍💻 Imagem na capa: sala de reuniões da biblioteca central.

DEREK

Alcatéia Suprema,
Centro de treinamento.
Vila Central.
UM ANO DEPOIS

Pousei minhas mãos na pedra de formato retangular no chão à minha frente e dei um leve impulso com os pés, sustentando o peso do meu corpo. Observei outros garotos treinando diferentes tipos de lutas corpo a corpo de cabeça para baixo. Kai dava instruções a uma dupla sobre quais os pontos certos para atingir em uma luta; tirei uma mão devagar.

Avistei uma adaga de prata vindo em direção ao meu rosto em alta velocidade. Meus olhos observaram o objeto em câmera lenta se aproximando. Não mexi um músculo sequer até a mesma chegar a poucos centímetros do meu olho. Ergui a mão, segurando a lâmina, e perdi o equilíbrio, caindo de costas.

Me sentei devagar e olhei para minha mão ensanguentada segurando a adaga.

— Então é verdade. — ouvi um sussurro quase inaudível de um garoto.

— Steven! — a voz de Kai me fez virar na sua direção, e o avistei agarrar a orelha do loiro um pouco menor que eu.

Os olhos verdes idênticos aos meus me olhavam com espanto e certa admiração. Ele sorriu meio travesso, e eu semicerrei os olhos. Me levantei devagar, e Zig, meu servo pessoal um ano mais velho que eu, correu até mim, pegando a adaga que estendi a ele.

— O senhor se machucou? — olhou para minha mão, pegando meu pulso preocupado; abri a palma, lhe mostrando o corte se fechando aos poucos.

— Não foi nada demais, Zig. — puxei meu braço de seu toque devagar, ouvindo seu suspiro de alívio; olhei na direção de Steven.

Eu tenho que tomar muito cuidado perto desse garoto!

— O senhor viu isso, tio? — Steven falou animado, apontando para mim, e Kai puxou ainda mais sua orelha. — Ai, ai, ai! — ele segurou a mão do mais velho, fazendo careta. — Isso doi, tio! — gritou olhando pra Kai indignado.

— É pra doer mesmo! — ele o puxou pela orelha em direção à arquibancada onde os servos pessoais estavam assistindo seus jovens senhores treinando. — Vai ficar no banco agora!

Ele olhou para Kai vermelho de raiva. Parecia querer matar o beta com os olhos, mas ficou quieto. Apesar da rebeldia e ações maldosas, ele parecia ter respeito pelo seu tutor. Agora resta saber até quando.

— Eu não fiz nada de errado!

— Não fez? — Kai o olhou incrédulo. — Jogar faca nos seus colegas não é errado para você! — o empurrou no banco, fazendo-o se sentar. — Quase cegou Derek! — ele bufou, revirando os olhos e cruzando os braços, negando.

— Ele não corre esse risco... — me olhou e sorriu ladino. — Derek não é nem um pouco lento... — ficou sério, me encarando fixamente. — Se fosse, não ficaria cego permanentemente.

Ele quer disputar espaço logo comigo!

Sorri discretamente cruzando os braços e permaneci segurando seu olhar. Kai intercalou o olhar em nós dois.

— Steven! — Kai o repreendeu e apontou para a saída. — Vai pra casa!

Ele bufou, se levantando, e desviou os olhos de mim, caminhando em direção à saída da arena. Os pés descalços levantaram uma fina camada de poeira do piso arenoso a cada passo duro. O short preto que usava era grande e largo para seu corpo, mas era nosso fardamento de treino.

Ele era o mais novo da turma, tinha dez anos; os músculos eram evidentes em seu corpo infantil por conta do treinamento severo que Kai nos dava e das "brincadeiras" de rua, que depois de um tempo, descobri ser briga por dominância. Steven lutava porque era da casta alfa; já derrubou muitos garotos da sua idade.

O Lobo De SterkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora