AISHA
Alcatéia Suprema,
Vila Central.
Por mais que eu tenha plena certeza que o cara que me abordou horas antes tenha saído da casa assim que entrei nesse quarto, eu não consegui pregar os olhos pelo restante da noite.
Meu coração permanecia no ritmo intenso e meus pensamentos não paravam nem por um segundo de repetir a imagem do rosto angelical, mas ao mesmo tempo, demoníaco. Ele tem a aparência inocente, mas olhos verdes, como esmeraldas, transmitem pura perversidade.
Era a primeira vez que eu recebia um olhar daquele. Com desejo carnal, puro, nem mesmo Gael, meu ex ficante me desejou daquele jeito em nossos momentos mais íntimos. Eu não deveria comparar eles, são pessoas diferentes em situação diferente.
Mas por uma fração de segundos eu quis correr, quis sair pela aquela porta pra saber o que aconteceria, o que ele faria para me ter...ele não é do tipo que me forçaria, ele conquistaria, convenceria, seduziria...se bem que um cara como ele não precisa fazer muito para fazer uma mulher ceder.
Só aquele olhar... a voz... a presença...
Engoli em seco sentindo um calor passar por meu corpo. Passei as mãos no colchão macio em que estava deitada respirando profundamente. O som baixinho do ar-condicionado me mantém ciente que o calor não era do tempo.
O medo foi mais forte que a curiosidade ontem!
Era a primeira vez que eu passava o período de eclipse em uma alcateia, sabia por livros e comentários soltos em conversas como o clima ficava tenso nesses dias. Para alguns, era uma lua de mel, um momento para se aproveitar ao máximo a companhia do parceiro.
Para outros, mais jovens, sem um companheiro para aplacar o desejo, o eclipse era um martírio. Alguns chegam ao extremo, como fazer sequestros e abusos sem se importar com as vítimas num ato de puro egoísmo, na maioria das vezes, por fetiches doentios. Alguns ousados, vão além das alcatéia ter novas experiências, outros se aventuram nos braços dos mais receptivos.
Ômegas!
Para tudo se tem um equilíbrio...eu entendi estudando as castas dentro dessa sociedade porque a natalidade de lobos ômegas é sempre o dobro de alfas e betas. O eclipse é um dos motivos para esse ciclo natural da vida dessa espécie. Os submissos são os mais propícios a descer ao acasalamento lunar.
Se um alfa ou um beta sem laço não encontra um parceiro, eles naturalmente vão atrás de um ômega. E claro que nunca é só um que os recebe, os mais fracos sempre estão em maior risco nesse período, principalmente as fêmeas, ter um lobo dominante as protegendo, marcando território... é um privilégio que poucas conseguem ter todos os anos.
Ironicamente, o eclipse é um evento para dar vidas, o único período do ano em que uma loba está fértil, pronta para receber uma ninhada no ventre, mas em compensação, é a época do ano que tira a vida de milhares. Nem mesmo as piores batalhas na história dessa raça chegam ao número mundial de mortos que o dia do eclipse lunar trás todos os anos.
Mas a balança não pesa para nenhum lado, para cada lobo que morre neste evento, nasce um no lugar.
— Um eterno ciclo natural de vida. — sussurrei vaga olhando para a lâmpada ligada no teto de gesso.
Dois toques na porta me fizeram sentar devagar sentindo o peso da noite mal dormida na falta de ânimo. Me levantei devagar caminhando até a madeira girando a chave da tranca e abrindo a porta. Dona Laura me encarou levemente surpresa e preocupada.
— Bom dia, você tá com uma cara péssima, minha querida.
— Bom dia, dona Laura, eu acordei uma hora e não consegui mais dormir, não me lembro como eu vim parar na sua casa. — eu ri sem graça e ela franziu a testa.
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O Lobo De Sterk
ParanormalHá mil anos, os lobos pediram à deusa Selene por um líder supremo. Só não esperavam que ela fosse atender ao pedido tão tarde. Derek veio ao mundo inesperadamente. Mas, ao contrário dos lobos, que sequer se lembravam do pedido, bruxos e vampiros já...
