6_Os novos conhecidos.

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Derek

Cidade Humana Péres,
América do Sul.

Abri os olhos e fiquei por longos minutos olhando para o teto do meu quarto. O lugar estava tranquilo e silencioso, os únicos sons que se ouvia na casa, era dos electrodomésticos e das panelas no fogo.

Eu estava me sentindo estranhamente tranquilo com aquela confusão de sons que soavam quase inaudíveis em meus ouvidos. Não sentia dor de cabeça, enjoo e estresse com esses constantes barulhos como da última vez. Inspirei o ar que parecia leve e limpo à minha volta.

Eu recuperei o controle da audição e olfato.

Me sentei devagar e senti um incômodo na mão que me fez olhar para a agulha ligada a uma mangueira fina conectada à bolsa de soro pendurada ao lado da minha cama. A sensação de liberdade que sentia me fez tirar o lençol constatando que estava somente de sunga.

Quanto tempo eu dormi?

Ouvi pisada lentas e leves se aproximando, não demorou para a porta ser aberta e Alice entrar com mudas de roupas dobradas nas mãos. Ela olhou na minha direção parando surpresa.

- Menino, finalmente acordou? Vou avisar sua mãe.

Ela caminhou até uma poltrona pousando as roupas e saiu apressada do quarto. Instantes depois mamãe entrou apressada e se sentou próximo a mim e segurando o meu rosto entre as mãos macias.

- Como está se sentindo, meu bem.

- Eu me sinto bem.- observei ela tirar a agulha delicadamente.- Quanto tempo eu dormi mamãe?

- Quase dois dias.- ela suspirou.- Deixou eu e seu pai preocupados, seu estado estava deplorável.- me encarou séria.- Por que não contou ao seu pai que estava doente?- a olhei confuso.

- Doente?

- Você estava ardendo em febre, e seu ouvido estava sangrando!- ela me olhou chateada.- Poxa filho! Você tem que entender que os adultos aqui somos nós e não você...- suspirou fechando brevemente os olhos parecendo procurar por calma.

Segurei suas mãos fazendo leves fagos nelas. Eram tão leves e macias que tinha vontade de segurá-las para sempre. Ela me puxou para seus braços me abraçando e afagou minhas costas em silêncio.

- Me desculpe por não dizer, prometo que sempre o farei daqui para frente. - ela concordou se afastando de mim e me lançando um sorriso.

Suspirei olhando para as cortinas com desenhos de carrinho ao meu lado, o vento as fazia entrar e sair pelas grandes janelas da varanda. Voltei a encará-la.

Ela fez um leve carinho em meu rosto. Eu não falei mais nada, estava curtindo sua atenção, era raro termos momentos como esse.

...

Estava anotando no meu caderno coisas que eu achava importante de serem registradas sobre mim. Eu não era agressivo e muito menos vingativo, mas o meu último ato me mostrou que talvez eu ainda não tenha tomado total ciência das minhas próprias características comportamentais ou... eu estava enlouquecendo, o que para mim fazia mais sentido.

Estava em todos os jornais locais os "ataques de animais" em diferentes pontos da cidade nos últimos dias. Aquela exaustão que eu estava sentindo se devia ao fato de eu ter vagado durante horas matando tudo que eu via na frente.

Os corpos estraçalhados foram deixando um rastro por toda a cidade de Péres. No começo eu não queria acreditar que eu havia sido o causador de tamanho estrago, mas não havia outro além de mim em Péres. Depois que aceitei esse fato, senti raiva por isso, e agora, eu me sentia depressivo e angustiado.

O Lobo De SterkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora