39_ Saída no eclipse.

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DEREK

Alcateia Suprema,
Vila Leste,
Residência de Teles.

Tirei o livro fechado debaixo do que estava aberto em minha mesa de estudos olhando para a capa fina e desgastada pelo uso, olhei para a palavra matemática aplicada no título e cocei a cabeça com a ponta da caneta em minha mão.

O abri na página marcada da última aula olhando para a lista de exercícios que o professor passou para treinar para a prova que viria no fim desse feriado. Olhei para a fórmula no exemplo do cálculo já absorvendo tudo de uma vez naquela leitura.

Alguns toques na porta me fizeram tirar a atenção do livro me virando na cadeira. A respiração leve, o cheiro suave de madeira e terra e presença me fez constatar ser Pétrique do outro lado da madeira branca.

— Derek? — a voz dele me fez suspirar voltando a girar na cadeira e ponto a atenção nos livros.

— Entra, Pétrique. — falei baixo pegando o caderno e começando a resolver uma questão sem muito esforço.

A porta se abriu com um leve rangido e não demorou para o ruivo surgir ao meu lado se escorando na parede azul clara à minha frente. Senti o peso de seu olhar me observando, parei deixando a caneta cair sobre a folha e o olhei impaciente.

—  O que você quer? — ele riu meio sem jeito coçando a cabeça.

— Eu vim perguntar se você não quer ir a uma festa essa noite na… — soltei um longo suspiro me escorando na cadeira e cruzando os braços. — Na antiga…arena de treinamento. — falou receoso me olhando atento.

Neguei voltando minha atenção ao meu material de estudos.

— Não valeu, tenho que estudar para as provas do fim de semestre.

— É só hoje! — sua fala rápida e insistência me fez olhar para ele. — Eu juro, e se por acaso ficar muito pesado pra você, eu te trago de volta nas mesmas pisadas. — arqueei uma sobrancelha.

— Eu não tô afim de sair nesse feriado, Pétrique… não gosto do eclipse lunar e você sabe muito bem o porquê. — voltei a mexer no meu material. — Não insiste.

Ele concordou e saiu em silêncio me deixando sozinho novamente. Virei o rosto ouvindo a porta se fechar devagar e passei os olhos pelos móveis de cores vivas em volta do meu quarto até para na cortina branca voando para fora da varanda aberta.

O sol não era visto, apesar da claridade daquela tarde ensolarada e quente. As ondas do mar agitadas ao longe na praia deserta do lado de fora me fizeram suspirar voltando minha atenção aos materiais sobre minha mesa.

Ele vir me chamar para sair nesse feriado era estranho, ele sabe que eu não gosto dessas noites desde a primeira vez que senti o eclipse. O peso da lua me fez perder o controle dos meus sentidos e pela primeira vez na vida, eu agi puramente pelo instinto.

Foi uma sensação estranhamente libertadora!

Eu acabei ficando com um grupo de cinco irmãs em um vilarejo do Norte, não eram mulheres ainda, eram jovens como eu na época, ômegas sem um pingo de experiência, eram a primeira vez que entravam no cio. Elas sabiam as regras da alcatéia, mesmo assim, quebraram e saíram de casa sem uma marca.

E acredito que até hoje, elas pagam o preço pela desobediência.

Eu matei vários homens naquelas noites que tentavam uma aproximação, um deles era o pai delas que só foi tentar levar as filhas de volta para casa. Eu deixei cinco garotas de 14 anos órfãs, mas na época nem eu e nem elas estávamos pensando, estávamos totalmente absortos no efeito da lua, totalmente anestesiados.

O Lobo De SterkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora