13_Os Rastreadores.

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Derek

Cidade Humana Péres,
América do Sul.

Observei o prédio movimentado e barulhento e voltei meus olhos para minha mão onde tinha a sacola com salgadinhos de vários sabores e duas latinhas de refrigerantes que saqueei de uma conveniência. A que ponto cheguei!

Suspirei procurando não pensar muito nas minhas atitudes nem um pouco honrosas nos últimos dias. Pelo menos, não era tão graves quanto as que estava fazendo na inconsciência.

Entrei no hospital assim que vi tudo congelar a minha volta e subi as escadas até o andar em que a garota estava. Passei pelo corredor desviando das pessoas e entrei no quarto avistando a mesma com um lápis e um caderno de desenho.

Os cabelos soltou e cacheados estavam mais volumosos que da última vez que a vi. Ela tinha os olhos fixos na folha e uma expressão relaxada e despreocupada. Era admirável como a mesma não estava traumatizada com meu ataque.

Olhei em volta não avistando mais ninguém no ambiente então fechei a porta. Caminhei até seu leito e pousei a sacola próximo ao seus pés permitindo que o tempo voltasse ao seu curso. Ela ergueu os olhos dando um leve pulo, agarrou o caderno surpresa.

– Pensei que não viria mais. – sussurrou entre a respiração pesada pelo coração acelerado.

– Aqui...– peguei a sacola estendendo na sua direção. – O que me pediu.

Ela sorriu pegando e abriu um dos pacotes empolgada levando um salgadinho a boca e gemendo como se fosse a coisa mais gostosa que comeu em toda vida.

– Ah!...que saudade. – me olhou sorrindo e senti meu coração acelerando sem motivo. – Nunca pensei que me levaria a sério, nem me conhece. – dei de ombros.

– Você também não me conhece, mas parece bem à vontade comigo.

– Hum... – pegou o saco e recolheu as pernas dando toque suaves no colchão. – Senta. — olhei para ela.

Relutei um pouco pensando se era ou não uma boa ideia permanecer ali. Ela continuou na mesma posição, me encarando a minha espera. Suspirei cedendo e me sentei. Ela sorriu voltando sua atenção ao salgado em sua mão comendo.

– Você não tem medo de mim. – ela me encarou com minha confirmação. – Por que?

– Você é legal e está sendo gentil comigo desde a primeira vez que topamos. – pegou o refrigerante e me entregou. – Abri para mim?

Peguei a latinha e me estiquei sobre ela pegando um copo descartável sobre o criado mudo. Ouvi seu coração dar algumas batidas mais aceleradas que outras e me afastei observando ela me olhando encolhida, não parecia com medo.

O que ela tinha?

– Você está bem? – ela desviou os olhos concordando.

– Estou. – tocou as bochechas coradas.

Desviei minha atenção para a latinha abrindo e derramando o líquido no copo a entregando em seguida. Ela pegou pigarreando e bebeu tudo de uma vez com pressa. Afastou o corpo fazendo uma careta fofa e arrotou. Ela tampou a boca arregalando os olhos e eu rir.

– Desculpa. — sussurrou sem graça.

– Tudo bem, estava com sede, né. – ela olhou meu rosto e reparei que ainda sorria, fiquei sério novamente e desviei os olhos dela.

– Por que você é legal comigo? — a encarei.

– Você não parece surpresa com as coisas anormais que eu faço, sabe o que sou?

O Lobo De SterkOnde histórias criam vida. Descubra agora