27_ A carta de Sterk.

19 7 0
                                        

AISHA

Cidade humana Ottawa,
América do Norte,
Base de Akan.

Olhei para as anotações em volta e suspirei fechando os livros e cadernos os amontoando no canto da mesa. Passei a mão no sensor abaixo do abajur fazendo a lâmpada apagar lentamente.

Abri uma gaveta acoplada à mesa e peguei a caixa de fósforo acendendo um palito e observando o fogo consumindo a madeira. Pousei o palito sobre a mesa mexendo meus dedos sobre o fogo e formando a imagem de uma mulher.

A fiz dançar sobre a superfície da madeira, ela girava rodopiando no ar com movimentos elegantes. Sorri movimentando os dedos fazendo-a rebolar.

— Vai acabar queimando seus livros... — bati no fogo o apagando com o susto que a voz grave e baixa me causou.

Me virei girando na cadeira e avistei o loiro a poucos passos de distância na porta. Ele sorriu discretamente voltando a falar calmo.

— Você se esforça tanto, minha filha, se continuar assim, terá um lugar garantido em Akan.

Desviei os olhos dele girando na cadeira e olhando a vista da imensa janela que tomava toda a parede ao lado oposto do meu quarto.

O fato de morar na cobertura de um luxuoso arranha céu me dava a visão privilegiada da cidade Ottawa, terras essa onde habita em sua maioria, humanos. Mas é claro que entre eles sempre há outros seres semelhantes, porém de outra natureza, escondidos, disfarçados. Como meu pai...e eu!

A vista da cidade dos humanos sob o céu que escurecia aos poucos com o fim do pôr do sol, me fez olhar para o relógio digital na minha mesa de estudos e constatar que passava das seis horas.

Voltei a olhar para o homem na entrada do meu quarto. Ele bateu palmas duas vezes e as luzes se acenderam me fazendo enxergar seu rosto arredondado de barba rala e pele clara, com mais nitidez.

Desci os olhos para o envelope beje na sua mão direita. Voltei a encará-lo.

— Pensei que você não retornaria mais esse mês aqui, o que o traz de volta a essa cidade? — ele sorriu minimamente estendendo o envelope.

Me levantei devagar e caminhei até ele sentindo o leve balanço do meu longo robe de cetim branco. O pano se arrastou pelo piso de porcelanato seguindo meus passos até o homem.

Assim que alcancei a carta, a peguei abrindo e enfiando a mão. Tirei outra carta menor de cor alaranjada avistando a gota de cera vermelha trancando o papel. O garimpo de um lobo no formato de S me despertou o interesse.

— De Sterk? - sussurrei a pergunta retórica.

— Sim. Enviaram essa carta pra alcateia Serak, eu vim entregar pessoalmente para você. — franzi a testa olhando o papel. — uma universidade te escolheu.

Passei o dedo no pequeno símbolo de uma ilha no canto inferior esquerdo do papel madeira e tirei o lacre da cera, abrindo a carta.

Corri os olhos pelas palavras digitadas na folha de aspecto amadeirado.

À Senhorita Aisha Seidu Koomson...

É 𝚌𝚘𝚖 𝚐𝚛𝚊𝚗𝚍𝚎 𝚜𝚊𝚝𝚒𝚜𝚏𝚊çã𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚌𝚘𝚖𝚞𝚗𝚒𝚌𝚊𝚖𝚘𝚜 𝚜𝚞𝚊 𝚊𝚙𝚛𝚘𝚟𝚊çã𝚘 𝚗𝚘 𝚙𝚛𝚘𝚌𝚎𝚜𝚜𝚘 𝚍𝚎 𝚜𝚎𝚕𝚎çã𝚘 𝚍𝚊 𝚄𝚗𝚒𝚟𝚎𝚛𝚜𝚒𝚍𝚊𝚍𝚎 𝙲𝚎𝚗𝚝𝚛𝚊𝚕 𝚍𝚎 𝚂𝚝𝚎𝚛𝚔 (𝚄𝙲𝚂).

O Lobo De SterkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora