AISHA
Cidade humana Ottawa,
América do Norte,
Base de Akan.
Olhei para as anotações em volta e suspirei fechando os livros e cadernos os amontoando no canto da mesa. Passei a mão no sensor abaixo do abajur fazendo a lâmpada apagar lentamente.
Abri uma gaveta acoplada à mesa e peguei a caixa de fósforo acendendo um palito e observando o fogo consumindo a madeira. Pousei o palito sobre a mesa mexendo meus dedos sobre o fogo e formando a imagem de uma mulher.
A fiz dançar sobre a superfície da madeira, ela girava rodopiando no ar com movimentos elegantes. Sorri movimentando os dedos fazendo-a rebolar.
— Vai acabar queimando seus livros... — bati no fogo o apagando com o susto que a voz grave e baixa me causou.
Me virei girando na cadeira e avistei o loiro a poucos passos de distância na porta. Ele sorriu discretamente voltando a falar calmo.
— Você se esforça tanto, minha filha, se continuar assim, terá um lugar garantido em Akan.
Desviei os olhos dele girando na cadeira e olhando a vista da imensa janela que tomava toda a parede ao lado oposto do meu quarto.
O fato de morar na cobertura de um luxuoso arranha céu me dava a visão privilegiada da cidade Ottawa, terras essa onde habita em sua maioria, humanos. Mas é claro que entre eles sempre há outros seres semelhantes, porém de outra natureza, escondidos, disfarçados. Como meu pai...e eu!
A vista da cidade dos humanos sob o céu que escurecia aos poucos com o fim do pôr do sol, me fez olhar para o relógio digital na minha mesa de estudos e constatar que passava das seis horas.
Voltei a olhar para o homem na entrada do meu quarto. Ele bateu palmas duas vezes e as luzes se acenderam me fazendo enxergar seu rosto arredondado de barba rala e pele clara, com mais nitidez.
Desci os olhos para o envelope beje na sua mão direita. Voltei a encará-lo.
— Pensei que você não retornaria mais esse mês aqui, o que o traz de volta a essa cidade? — ele sorriu minimamente estendendo o envelope.
Me levantei devagar e caminhei até ele sentindo o leve balanço do meu longo robe de cetim branco. O pano se arrastou pelo piso de porcelanato seguindo meus passos até o homem.
Assim que alcancei a carta, a peguei abrindo e enfiando a mão. Tirei outra carta menor de cor alaranjada avistando a gota de cera vermelha trancando o papel. O garimpo de um lobo no formato de S me despertou o interesse.
— De Sterk? - sussurrei a pergunta retórica.
— Sim. Enviaram essa carta pra alcateia Serak, eu vim entregar pessoalmente para você. — franzi a testa olhando o papel. — uma universidade te escolheu.
Passei o dedo no pequeno símbolo de uma ilha no canto inferior esquerdo do papel madeira e tirei o lacre da cera, abrindo a carta.
Corri os olhos pelas palavras digitadas na folha de aspecto amadeirado.
À Senhorita Aisha Seidu Koomson...
É 𝚌𝚘𝚖 𝚐𝚛𝚊𝚗𝚍𝚎 𝚜𝚊𝚝𝚒𝚜𝚏𝚊çã𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚌𝚘𝚖𝚞𝚗𝚒𝚌𝚊𝚖𝚘𝚜 𝚜𝚞𝚊 𝚊𝚙𝚛𝚘𝚟𝚊çã𝚘 𝚗𝚘 𝚙𝚛𝚘𝚌𝚎𝚜𝚜𝚘 𝚍𝚎 𝚜𝚎𝚕𝚎çã𝚘 𝚍𝚊 𝚄𝚗𝚒𝚟𝚎𝚛𝚜𝚒𝚍𝚊𝚍𝚎 𝙲𝚎𝚗𝚝𝚛𝚊𝚕 𝚍𝚎 𝚂𝚝𝚎𝚛𝚔 (𝚄𝙲𝚂).
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O Lobo De Sterk
ParanormalHá mil anos, os lobos pediram à deusa Selene por um líder supremo. Só não esperavam que ela fosse atender ao pedido tão tarde. Derek veio ao mundo inesperadamente. Mas, ao contrário dos lobos, que sequer se lembravam do pedido, bruxos e vampiros já...
