8_Encontros e reencontros.

181 39 335
                                        

Thomas

Alcatéia Selve,
América do Sul.

Observei os lobos em patrulhamento nos limites do território. Reconheci de longe meu amigo de infância. Ele estava na forma humana vestido somente com uma calça jeans. Os pés descalços e os cabelos castanhos com mechas brancas que pareciam um ninho de passarinho de tão arrepiados que estavam.

Continua o mesmo desleixado de sempre!

Pisei no galho seco propositalmente para chamar atenção dele. O mesmo se virou rápido olhando em alerta e quando me avistou, seu corpo relaxou a posição de ataque e um sorriso brotou de seus lábios.

– Não acredito, é você mesmo? – concordei correndo até ele e o abraçando contente. – Caramba, Thomas, porque não nos avisou que viria? – nos soltamos animados.

– Queria fazer surpresa, como estão os outros? – ele me fez um gesto de descaso.

– Os mesmos de sempre, esses não mudam nunca, agora você... – me avaliou até os pés. – Está bastante diferente, parece mais velho. – franziu a testa me encarando preocupado. – O que houve com você, meu amigo? Não corre mais? – neguei com descaso.

– Muitos afazeres, acabei perdendo os velhos hábitos. – ele me avaliou brevemente e logo voltou a me abraçar animado nos guiando para dentro do território.

– E então?  O que o trouxe até aqui depois de tantos anos, não vai me dizer que foi por causa dos últimos acontecimentos. – me olhou de soslaio.

– Por que? Não posso saber o que anda acontecendo por aqui? – ele riu negando.

– Claro que pode, não é nenhum segredo pra ninguém, tenho certeza que as notícias já se espalharam da falha da barreira e o ataque do selvagem. – parei de caminhar o fazendo parar novamente.

– Então, o lobo que matou os vampiros aqui era um selvagem. – ele ficou meio pensativo.

– Eu disse ao nosso alfa que sim, mas ele não parecia um completo selvagem ainda, se fosse, teria me atacado, mas não o fez...

– Espera... – ergui a mão o fazendo me olhar. – Você o viu, Matheus? – ele concordou voltando a caminhar e o segui.

– Como ele era? Qual a cor das pelagens dele? – ele parou novamente me olhando. – Tem ideia de quantos anos ele tem?

– Ele é do meu tamanho, é escuro, suas pelagens é de uma só cor, preto tão preto que é capaz de se camuflar na escuridão da noite... – falou vago e me olhou sorrindo de lado. – Um claro sinal de que é um puro sangue, esse cara é de muito longe, mas você sabe né, lobos da alcatéia suprema tendem a serem maiores que nós nas duas formas. — franzi o cenho confuso.

Pelagens negras?

Só lobos da casta suprema são pretos, minha família é da casta alfa, não éramos negros, mas tínhamos as pelagens escuras, um marrom, cinza, nunca preto. Mas se fosse filho de meu irmão, ele seria da casta alfa, não dá suprema. Algo não tava batendo nesse quebra cabeça.

Será que me enganei?

Meu amigo tinha razão, se o tal Derek for mesmo de Sterk como tudo indica, seu tamanho não condiz com o de um lobo adulto. Talvez seja um jovem ou adolescente, dez anos é pouca idade para um lobo de Sterk chegar ao tamanho de Matheus. Mas como alguém tão novo como ele conseguiu fugir de Sterk?

– Como ele veio parar aqui no Sul? – sussurrei, ele deu de ombros voltando a caminhar e o segui. – Lobos de Sterk não viram solitários, sabemos que pra sair daquela ilha, é difícil para um morador de lá, a corte suprema deve ser bastante rigorosa.

O Lobo De SterkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora