22_Os Sete Selos.

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DEREK

Alcateia Suprema,
Vila Oeste

Olhei para a garota descendo do barco, observando-a dos pés à cabeça. O coturno com o cadarço enrolado no tornozelo feito um nó cego, estava sujo de terra. Olhei para a calça jeans preta, cheia de rasgos, e para a blusa branca toda encardida, levemente coberta pela jaqueta velha de couro descascado. A gargantilha preta sustentava uma pequena pedra roxa.

Ela não mudou nada!

A mesma tirou o pirulito da boca olhando em volta e parou ao me avistar abrindo um largo sorriso e acenando. Correu pelo deque de madeira e desceu os cinco degraus pulando na areia. Avistei sua aparência física mudando aos poucos enquanto a mesma corria na minha direção.

Os cabelos lisos e roxos ficaram pretos, as manchas na pele foram sumindo e clareando sua aparência, os olhos puxados escureceram e ela tomou aparência de uma humana asiática. O fato de algo na ilha anular magia, causava mudanças físicas na aparência de qualquer bruxo iluminado que pisasse aqui. A magia no sangue deles simplesmente sumia.

Ela me alcançou recuperando o fôlego e se olhou brevemente antes de me encarar sorrindo.

— Há quanto tempo, fofo... — olhou para meu corpo brevemente e soltou uma risadinha, negando devagar. — De fofo você não tem mais nada... — me encarou com um sorriso ladino. — O que estão fazendo contigo aqui, hein? Parece que envelheceu dez anos e não digo que foi para pior. — soltou uma risadinha.

— Treino, muito treino e corrida, acabei pegando o hábito deles de correr na forma lupina. — dei de ombros, olhando para a vista acima de sua cabeça, ao longe o loiro descia do barco e cumprimentava Teles animado.

— Só faz pouco mais de um ano que a gente não se vê... — olhei para ela que semicerrou os olhos apontando pra mim. — Fiquei chateada que você cortou o pacto de sangue de nossos antepassados, eu não consigo mais passar pelas barreiras de Selene e ainda proibiu a entrada de bruxos aqui...— cruzou os braços. — Tava querendo se livrar de mim, né! — eu ri baixinho.

— Não exatamente de você... — apontei com o queixo para Teles na beira do cais de madeira onde recebia as demais pessoas que saía da embarcação. — ...E sim deles, eu só queria paz e pra isso, tive que fazer o que eles queriam. — ela olhou para trás brevemente.

— Tá falando dos caras da corte suprema?

— Hurrum! — ela soltou uma risadinha com meu discreto "sim" levando o pirulito a boca.

— Eles devem ser uns grande pé no saco, né! — eu ri baixinho, negando.

Com certeza, eles são!

Desde que a corte descobriu a existência dos híbridos, há mais de um ano, os bruxos foram convidados a sair das alcateias e proibidos de pisar em nossos territórios. Antes disso, Alexia vinha uma vez por mês me atazanar, porque ela não fazia outra coisa quando estava aqui, a não ser ficar grudada em mim 24 horas por dia.

Acabei me acostumando com a presença dela!

— Eles querem impedir que continue a nascer híbridos por aí, foram bem convincentes para me fazerem mudar o acordo de paz entre nossos povos.

— E isso é possível? — eu ri baixinho e enfiei as mãos nos bolsos da bermuda jeans preta que usava.

— Depois que eles levaram os progenitores dos híbridos nascidos pra julgamento, o medo se instaurou, então sim, é possível que nunca mais nasça híbridos. — ela concordou.

— Por isso que... — começou a rir e parou pensativa; apontou para trás. — Nenhum deles chegou perto de mim durante a viagem, no começo eu estranhei, mas aí lembrei que existem híbridos por aí e deduzi que fosse por isso que estavam me tratando como uma leprosa. — começou a rir e concordei; ela me encarou. — A corte está matando os pais dos mestiços? — neguei.

O Lobo De SterkOnde histórias criam vida. Descubra agora