DEREK
Alcateia Suprema,
Vila Oeste
Olhei para a garota descendo do barco, observando-a dos pés à cabeça. O coturno com o cadarço enrolado no tornozelo feito um nó cego, estava sujo de terra. Olhei para a calça jeans preta, cheia de rasgos, e para a blusa branca toda encardida, levemente coberta pela jaqueta velha de couro descascado. A gargantilha preta sustentava uma pequena pedra roxa.
Ela não mudou nada!
A mesma tirou o pirulito da boca olhando em volta e parou ao me avistar abrindo um largo sorriso e acenando. Correu pelo deque de madeira e desceu os cinco degraus pulando na areia. Avistei sua aparência física mudando aos poucos enquanto a mesma corria na minha direção.
Os cabelos lisos e roxos ficaram pretos, as manchas na pele foram sumindo e clareando sua aparência, os olhos puxados escureceram e ela tomou aparência de uma humana asiática. O fato de algo na ilha anular magia, causava mudanças físicas na aparência de qualquer bruxo iluminado que pisasse aqui. A magia no sangue deles simplesmente sumia.
Ela me alcançou recuperando o fôlego e se olhou brevemente antes de me encarar sorrindo.
— Há quanto tempo, fofo... — olhou para meu corpo brevemente e soltou uma risadinha, negando devagar. — De fofo você não tem mais nada... — me encarou com um sorriso ladino. — O que estão fazendo contigo aqui, hein? Parece que envelheceu dez anos e não digo que foi para pior. — soltou uma risadinha.
— Treino, muito treino e corrida, acabei pegando o hábito deles de correr na forma lupina. — dei de ombros, olhando para a vista acima de sua cabeça, ao longe o loiro descia do barco e cumprimentava Teles animado.
— Só faz pouco mais de um ano que a gente não se vê... — olhei para ela que semicerrou os olhos apontando pra mim. — Fiquei chateada que você cortou o pacto de sangue de nossos antepassados, eu não consigo mais passar pelas barreiras de Selene e ainda proibiu a entrada de bruxos aqui...— cruzou os braços. — Tava querendo se livrar de mim, né! — eu ri baixinho.
— Não exatamente de você... — apontei com o queixo para Teles na beira do cais de madeira onde recebia as demais pessoas que saía da embarcação. — ...E sim deles, eu só queria paz e pra isso, tive que fazer o que eles queriam. — ela olhou para trás brevemente.
— Tá falando dos caras da corte suprema?
— Hurrum! — ela soltou uma risadinha com meu discreto "sim" levando o pirulito a boca.
— Eles devem ser uns grande pé no saco, né! — eu ri baixinho, negando.
Com certeza, eles são!
Desde que a corte descobriu a existência dos híbridos, há mais de um ano, os bruxos foram convidados a sair das alcateias e proibidos de pisar em nossos territórios. Antes disso, Alexia vinha uma vez por mês me atazanar, porque ela não fazia outra coisa quando estava aqui, a não ser ficar grudada em mim 24 horas por dia.
Acabei me acostumando com a presença dela!
— Eles querem impedir que continue a nascer híbridos por aí, foram bem convincentes para me fazerem mudar o acordo de paz entre nossos povos.
— E isso é possível? — eu ri baixinho e enfiei as mãos nos bolsos da bermuda jeans preta que usava.
— Depois que eles levaram os progenitores dos híbridos nascidos pra julgamento, o medo se instaurou, então sim, é possível que nunca mais nasça híbridos. — ela concordou.
— Por isso que... — começou a rir e parou pensativa; apontou para trás. — Nenhum deles chegou perto de mim durante a viagem, no começo eu estranhei, mas aí lembrei que existem híbridos por aí e deduzi que fosse por isso que estavam me tratando como uma leprosa. — começou a rir e concordei; ela me encarou. — A corte está matando os pais dos mestiços? — neguei.
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O Lobo De Sterk
Hombres LoboHá mil anos, os lobos pediram à deusa Selene por um líder supremo. Só não esperavam que ela fosse atender ao pedido tão tarde. Derek veio ao mundo inesperadamente. Mas, ao contrário dos lobos, que sequer se lembravam do pedido, bruxos e vampiros já...
