18_Proposta de desafio.

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Derek

Alcatéia Suprema
Ilha de Sterk,
Oceano Leste.

Já havia se passado uma semana desde que cheguei aqui na "vila leste". Nos primeiros dias estranhei muitas coisas, o fato de as pessoas por aqui não terem nenhum pudor foi uma delas. É claro que eles não passavam vinte e quatro horas pelados, mas vez ou outra alguém aparecia nu do jeito que veio ao mundo andando nas ruas e estabelecimentos da vila e estava tudo bem.

Percebi que a ilha, era imensa e bastante populosa, mas também, bastante arborizada. A alcatéia era dividida em castas e essas castas vivia em vilas e vilarejos. Pelo que Teles me explicou, existiam cinco vilas, a vila Leste, que é a que estamos agora, a vila Sul, a vila Oeste, a vila Norte e a vila central. Próximo de cada vila, existiam três vilarejos.

As vilas, norte, sul, leste e oeste eram comandadas pelos betas supremos e a vila central ficava sobre a liderança da corte suprema. Teles me falou que trinta pessoas faziam parte dessa tal corte, fora ele e os três Betas, haviam mais vinte e seis homens. Eles eram descendentes do último Alfa dessa alcatéia, ou seja, eles eram da casta suprema.

Nas vilas residia as castas mais abastadas como a alfa, a beta e a delta, já nos vilarejos residiam a casta mais inferior, os ômegas. Percebi nessa informação que os ômegas aqui são os de maior número na alcatéia, mas de acordo com Teles, isso é algo comum em matilhas.

— Derek.

Olhei para a garota menor que eu alguns centímetros. Seus cabelos castanhos e lisos, estavam presos em um ralo de cavalo no alto da cabeça e sua partinha cobrindo sua testa até altura dos olhos castanhos caramelos. Ela sorriu mostrando suas covinhas nas bochechas arredondadas e coradas. Ágata era a mais nova dos quadrigêmeos de Teles, a primeira coisa que ele fez depois do enterro da sua primogênita Ava foi me apresentar a sua família.

— Ágata. - olhei em direção a porta do meu quarto aberta e ela chamou minha atenção segurando minha mão.

— Vamos brincar...- sorriu me olhando esperançosa. — Papai saiu faz horas, você pode ir lá fora brincar com a gente.

Olhei pela janela observando Pétrique e Tadeu atracados do lado de fora. Eles deferiram socos e chutes com agressividade com os olhos lupinos brilhantes e presas amostra rosnando. Observei os filhos dos criados e alguns de seus colegas vizinhos torcendo para ver quem cairia primeiro. Arqueei a sobrancelha olhando aquela cena violenta demais para crianças, mas já tinha percebido que era um costume deles.

- Isso não é brincadeira Ágata...- olhei para ela que me observava curiosa. - Eles estão brigando, não é para você se juntar a eles, pode acabar se machucando. - ela franziu a testa fazendo um bico.

- Você está falando isso só porque sou uma fêmea! - cruzou os braços me encarando chateada.

Fêmea!

Percebi que eles se tratavam não como homem ou mulher e sim macho ou fêmea. No começo foi estranho, mas já estou me acostumando.

- Também, mas pode ser...- ela me encarou ainda mais mudando sua visão e mostrando os olhos amarelados e brilhantes. - Perigoso.

- Eu sei o que é perigoso ou não para mim e aqueles patetas não podem comigo! - eu desviei os olhos dos seus rindo baixinho. - Para de rir.

- Me desculpa, mas Ágata...- segurei seu queixo erguendo levemente para a encarar melhor. - Você é menor que eles, é mais nova e isso te torna mais fraca, se quer lutar, procure alguém do seu tamanho para a luta ser justa, me entendeu?

Seus olhos piscaram devagar retomando a cor natural, estavam brilhando mais que o normal, deveria ser a luz do sol. Ela ficou me encarando e um sorriso brotou em seus lábios entreabertos. Suas bochechas cheias de sardas coraram e eu percebi que ainda segurava seu queixo. A soltei rápido dando um passo pequeno para trás com um pigarrear. Juntei as mãos atrás das costas.

O Lobo De SterkOnde histórias criam vida. Descubra agora