20 - La caída de una princesa

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Eu nem tive tempo para reagir, só comecei a procurar por Evy Carter nas redes sociais.

Boom!

Uma modelo, advogada, ativista pelos direitos dos animais, gerente de empresas filantrópicas, cristã, e ainda tinha uma linha de bolsas da Colcci, uma cor de esmalte, e um modelo de sapato com o seu nome.

Eu não podia competir com essa barbie! Ela estava fazendo voluntariado na africa semana passada e o cabelo continuava intacto. Eu não ia! Estava decidida. Era humilhação demais para uma mulher só.

Coloquei uma camisola qualquer de seda e me certifiquei de ficar bem confortável na cama. Ao ouvir Gabriel saindo do banho, escondi o celular debaixo do travesseiro e fingi estar dormindo.

- Já está vestida? Ela deve chegar em menos de uma hora. - Ele se movimentou, provavelmente pegando e vestindo suas roupas. - Emily? - me chamou outra vez, chegando mais perto.

Depois de mais uns seis minutos fingindo dormir, ouvi a porta bater, e em seguida, o barulho de Gabriel descendo as escadas.

Eu corri até a pequena entrada de ar do closet, onde pude observar a chegada de uma princesa em um Corolla vermelho.

Me mordi de curiosidade. Queria vê-la de perto, ouvir a conversa deles. Queria saber qual era a parcela dela nessa história absurda. Evy não parecia o tipo de mulher que ficaria choramingando por um homem, ou que entraria em um acordo de casamento como nos filmes e livros. A história toda era bem estranha.

A ansiedade fez o tempo passar devagar. Eu não ouvia nada. Nem mesmo se pisasse nos primeiros degraus da escada. Só uns grilos que apareciam pontualmente na janela.

Naquele momento, a fome já havia me agarrado completamente, mas eu não poderia descer depois de fingir estar no terceiro sono. Já faziam pelo menos duas horas da chegada dela, e o corolla continuava parado no jardim de entrada. Era um veículo presunçoso, ou talvez fosse só a minha inveja falando alto no ouvido.

De repente, um barulho particular invadiu as escadas:Salto alto e risadinhas conquistadoras. A porta do quarto abriu antes mesmo de eu apagar a luz e me deitar.

Meus olhos obviamente se arregalaram e minha reação estantânea foi cobrir o peito meio exposto pela camisola.

- Essa é a minha namorada Emily. - Gabriel sorriu e intercalou o olhar entre mim, e entre a sua visitante.

Ela era mais alta do que aparentava nas redes sociais, e tão magra que eu poderia desenhar em sua clavícula e usar um cordão para apertar as calças. Evy tinha os seus cabelos negros meio presos e meio soltos, maquiagem leve, lábios rosados, e usava um vestido bege rodado com um decote muito modesto. A definição de elegância.

- Namorada? Eu não entendi bem, Gabriel. - A moça fez uma cara de confusa.

- Minha namorada. Ela mora comigo. - Ele fez questão de repetir com confiança. - Cumprimente a Senhorita Carter, Emily. - Ordenou com uma certa ternura.

- Você está em uma relação com essa mulher? Eu não entendi bem. Pensei que estávamos nos dando bem, e você até me chamou para vir o seu quarto! - Ela aparentava tristeza.

- Te chamei para vir conhecê-la, Senhorita Carter. A senhorita deve ter me entendido mal. - Gabriel se aproximou de mim.

- Está escolhendo ela ao invés de escolher a mim? Você é cego? - Evy jogou a bolsinha branca no chão com um drama digno de cinema.

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