sixteenth

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Lee Minho POV

Eu tentei dormir depois de ler aquilo, mas não é como se eu conseguisse, e por isso fui falar com ele um pouco. Eu tinha um plano, não sei se infalível, mas já era um plano.

Acordei no sábado menos estressado, tomei um banho e me arrumei minimamente, descendo para tomar café da manhã com minha família. Meu pai logo saiu para resolver umas coisas, então finalmente pude falar só com a dona Lee.

- Mãe... Eu quero conversar com você. - uma frase tão pequena e tão significativa partindo de mim. Ela acenou positivamente com a cabeça, nem um pouco preocupada, simplesmente continuou a lavar a louça que usou, pois eu já tinha acabado com a minha.

- Você... Se... - eu não sabia como começar - Se eu fosse gay, você se importaria? - qualquer tipo de ameaça com a minha integridade, tornaria de mim um homofóbico, porque não quero lidar com comentários negativos agora.

- Que? E por que você seria? - ela parecia desconfiada, ainda que conformada com a hipótese.

- Não sei, mãe, foi uma suposição... Se importaria? - eu queria saber sobre a minha família, mas também pensava em Jisung e sua vida, nenhum passo meu poderia afetar ele.

- Sim... Não que eu fosse te expulsar de casa ou te odiar, Minho, mas você é meu único filho e isso obviamente é uma coisa muito pesada. Você estaria destruindo a nossa linhagem... Só que a escolha é sua. - deu de ombros, como se não tivesse machucado meu coração nesse exato momento, completamente ignorante.

- Está dizendo que eu seria a pessoa mais malvada do mundo, na sua visão, e que ainda me amaria? - não compreendi nem um pouco, só respirei fundo e desviei o olhar quando ela se aproximou, eu poderia chorar imediatamente.

- Não malvado... Porém ia... Talvez ia jogar fora nosso legado... - a mulher se perdeu um pouco no meu olhar, provavelmente entendendo que não era hipótese - Mas... Sei lá.

- Não é "sei lá", mãe, preferia que eu tivesse filhos com uma mulher linda e que continuassem pensando como você, certo? Queria que eu produzisse descendentes férteis e falasse mal do amor alheio? - fui direto demais, entretanto foi necessário chocar ela com a verdade escondida em suas palavras.

- Que amor alheio, Minho?

- O amor entre duas pessoas do mesmo gênero, a senhora acabou de dizer que é errado.

- Eu não disse que é errado! Disse que você é meu único filho e... - nossa, foi aí que eu percebi que não iria ouvir tudo de novo.

- Sou seu único filho e isso não inibe o amor que eu posso sentir por alguém, Lee Hyojun. - eu não tinha um tom bravo, eu só estava muito chateado, talvez eu esperasse que fosse menos pior.

- Só que...

- Não, mãe. Eu não quero ouvir suas desculpas. - respirei fundo e tive que focar meus olhos nos dela, não queria mentir, omitir, ou enganar, era a única pessoa para a qual eu era obrigado a contar, meu pai vivia no mundo da Lua e não tinha a necessidade de me fiscalizar - Eu vou falar, uma vez, e eu espero do fundo do meu coração que você não mude seu jeito comigo, e que ainda me considere seu filho, porque esses anos todos da minha vida eu venho me escondendo pensando no seu bem, como se eu mesmo não fosse importante... Eu sou gay. Ou talvez bissexual, mas você nem deve saber o que isso significa... O que importa pra mim é que você tenha ideia que eu amo um homem, e que não estou disposto a abrir mão do meu sentimento pra suprir a sua necessidade de uma nora e netinhos lindos e biológicos que eu não sei se terei. - foi como se a falsidade da minha vida até o momento tivesse indo embora e aliviando um peso nas minhas costas, eu precisava ter dito isso.

Fiquei encarando ela por um longo tempo. Sua feição neutra, seus lábios rosados e ao menos ela não estava com a pressão baixa. Ela não me bateria, não é? Eu espero que não. E se ela fizer... Eu diria que o Hannie me ajuda.

- Minho... - uma lágrima repentina e silenciosa apareceu em seu rosto, escorrendo devagar do lado direito - É... É muito pra mim mas... Tudo bem. Eu... Desculpa, eu não sei o que dizer. - me aliviou não ser xingado, nem expulso, e muito menos negado, todavia eu ainda iria ouvir mais coisas - Só... Toma cuidado e... E cuida de quem você amar. - aquele sorrisinho pequeno e típico de nossa aparência veio, apenas me aproximei e abracei ela com força.

Nunca foi preciso uma afirmação de meus pais para que eu soubesse o que sentia, a diferença é que agora parecia real. Minha mãe tinha ideia do que eu sentia também. Ela poderia validar meus sentimentos e entender que isso não me faz menos homem. Poderia me apoiar na tentativa de amar Jisung.

- Posso... Posso falar sobre ele? - questionei com um sorrisinho pequeno, ainda encaixado no pescoço dela.

- Acho que... Pode, meu filho. - entendi o tom neutro dela, ao mesmo tempo querendo me dar a chance de falar.

- Você o conhece... Parece um pequeno esquilinho fofo... - ela entendeu e deu um tapinha nas minhas costas, em uma força mediana, me preocupando de novo.

- Você e meu Jiji?! - minha mãe literalmente soltou meu abraço e segurou meus ombros, me distanciando o suficiente pra olhar nos meus olhos - Não fez nada com ele, né?! - aparentava completamente mais preocupada com o Hannie do que comigo.

- Não, mãe! Não faria nada! Ele é meu bebezinho! - eu sabia sobre o que ela estava pensando, e achei que feio a maneira como ela duvidou do meu cuidado e das minhas intenções - Não pense assim de mim! - me expressei um pouco chateado, e a feição dela relaxou bastante.

- Ufa... Que susto... É... É que vocês sempre ficam horas trancados no seu quarto, desculpa... - deixou de apertar meus ombros inconscientemente e voltou a ser mais simpática - Tá bom, Minho, vou confiar em suas palavras. Só cuide dele... Ele é um anjinho...

- E eu não sou um anjinho, dona Hyojun? - minha própria mãe preferia meu garoto. Tudo bem, eu também preferiria.

- É... Você é, porém o proteja a todos os custos, você sabe que ele tem um coração imenso e um pouco frágil. Agora eu entendi o porquê dele... - a mulher ficou quieta, e eu tentei entender sem o final.

- Dele...?

- Não posso dizer. - ela me soltou e continuou sorrindo pequeno, olhando através do meu corpo para visualizar os armários da cozinha, viajando em pensamentos.

- Pode sim... Ele te disse que gostava de mim? - fiquei curioso e imaginando essa situação, não parecia muito confortável para ambos.

- Não, ele não disse nada... Mas ele te olha com muito carinho, Minnie, então acredito agora que não seja um olhar de irmandade. - se o sorriso dela era grande, o meu era umas 5 vezes maior.

- Ah, que lindinho! Seus olhos brilhantes! Eu preciso muito fazer algo pra ele... - praticamente saí correndo e subi para o meu quarto, daria um jeito na minha vida.

 - praticamente saí correndo e subi para o meu quarto, daria um jeito na minha vida

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secret secret - minsungOnde histórias criam vida. Descubra agora