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2. Seus olhos

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Na manhã seguinte, Hilda acordou mais cedo. Estava ansiosa para voltar a clínica, passou a noite toda pensando naquele médico atencioso que a atendeu. Não entendia porque aqueles olhos cor de mel não saíam de seus pensamentos.

Enrolada em uma toalha branca, Hilda saiu do banheiro e ao dar de cara com Tinoco se assustou.

— Por que essa cara assustada, minha querida?

— Bom dia pra você também, Tinoco. — respondeu enquanto desviava do marido para ir até o closet escolher a roupa que iria ao posto médico, mas Tinoco a segurou pelo braço. Olhou nos olhos de sua esposa com desejo.

— Vem cá e me dá um beijo.

Tinoco puxou Hildou para si e a beijou calorosamente. Hilda sentiu repulsa.

Faziam muitos anos que seu marido não demonstrava nenhum tipo de afeto por ela. Somente o fazia quando se sentia culpado por tê-la agredido de alguma forma.

Com muito esforço Hilda se desvencilhou de Tinoco, mas com um jeito delicado para que ele não pensasse que ela o estava rejeitando, pois seria mais um motivo para brigas.

— Preciso me trocar, tenho exames para fazer daqui a pouco. Não posso me atrasar, Tinoco.

— Tudo bem, te espero lá embaixo para tomar café da manhã. Não demore!

— Tá bom, daqui a pouco estarei lá.

Hilda sentiu alívio por ter uma desculpa para não ter que se deitar com o marido.

Ela caminhou até o closet, não sabia o porquê, mas queria estar bem arrumada naquela manhã. Estendeu a mão para pegar uma de suas roupas favoritas, uma calça pantalona amarela e uma camiseta bege, foi quando percebeu que seu pulso havia ficado roxo com tamanha força que Tinoco a segurou. Passando a mão pelo hematoma sentiu que ainda doía.

"Vou ter que colocar uma blusa de manga longa para que ninguém perceba esse roxo no meu pulso."

Hilda pegou um blusão branco que tinha de tecido leve e o vestiu, mesmo com o sol escaldante de Marimbá. Terminou de se arrumar, colocou seu melhor perfume e desceu.

Tinoco já estava sentado à mesa, folheando seu jornal e com cara de poucos amigos. Era incrível a capacidade de Tinoco de mudar de humor tão rapidamente. As meninas ainda estavam dormindo.

Hilda se serviu de uma xícara de café e evitou contato visual com o marido.

Durante o café da manhã, Tinoco comentou sobre alguns assuntos corriqueiros de seus negócios, que Hilda sabia que eram obscuros. Mas ela nem prestou muita atenção, estava nervosa com os exames que seriam feitos ou será que estava nervosa porque voltaria a ver o médico de olhos cor de mel? Esses pensamentos estavam deixando Hilda ansiosa. Tinoco percebeu a tensão da mulher.

— Quer que eu vá com você no posto médico?

Hilda nervosa respondeu imediatamente.

— Não, não... Não precisa, meu bem. São exames demorados, não quero te atrapalhar. Eu vou sozinha mesmo.

Tinoco estranhou o nervosismo de Hilda por causa de uns exames.

— Eu vou com você, está decidido. Estou preocupado com a sua saúde. Quero ver se esse Dr. Orlando é competente mesmo — falou e voltou a ler o jornal.

Na mesma hora Hilda perdeu o apetite. Não podia acreditar que justamente hoje Tinoco queria ser um bom marido.

Eles terminaram de tomar café. Hilda pegou a sua bolsa e encontrou com Tinoco no carro e partiram para o posto.

Coragem - Hilda & OrlandoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora