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22. Encontros

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No dia seguinte, bem cedo, Hilda e Orlando foram ao encontro do advogado para discutir o caso dela. Chegando ao escritório, Hilda ficou surpresa ao ver o advogado. Parecia que já o conhecia de algum lugar, mas não conseguia identificar de onde exatamente.

— Hilda, este é o Dr. Otávio Jordão, um amigo de longa data. Ele é um dos melhores advogados criminais do Rio de Janeiro e vai nos ajudar nesse caso — apresentou Orlando.

Otávio estendeu a mão para cumprimentar Hilda, e ela retribuiu o gesto, ainda tentando fazer uma conexão mental sobre onde havia visto aquele rosto antes. Ele teve a mesma sensação de que a conhecia de algum lugar.

— É um prazer conhecê-la, Sra. Hilda. Orlando me ligou ontem a noite e contou um pouco sobre sua situação, e estou aqui para ajudá-la da melhor forma possível — disse Otávio com um tom profissional e ao mesmo tempo acolhedor.

Eles se sentaram ao redor da mesa e começaram a discutir detalhes do caso. Hilda relatou toda a história, desde o relacionamento conturbado com Tinoco até o dia da morte dos pais biológicos de Amanda e seu envolvimento forçado nesse crime.

Otávio ouviu atentamente, fazendo perguntas pontuais para esclarecer pontos importantes.

Depois de algumas horas de conversa, Otávio olhou para Hilda e Orlando.

— É um caso complexo, mas acredito que temos elementos para construir uma defesa sólida. Mas teremos que esperar primeiro que Amanda abra um processo contra você, pode ser que isso não aconteça. Caso aconteça, precisaremos reunir mais provas e depoimentos que ajudem a defender sua versão dos fatos — explicou Otávio.

Hilda respirou aliviada ao saber que tinha um advogado tão experiente ao seu lado. Ela agradeceu a Otávio pela ajuda e prometeu colaborar em tudo que fosse necessário para esclarecer a verdade.

— Vamos lutar por justiça, Hilda. Não se preocupe, estamos juntos nessa batalha — afirmou Orlando, segurando a mão de Hilda com firmeza.

Otávio assentiu, encerrando a reunião com um semblante confiante. Eles saíram do escritório com uma nova esperança, prontos para enfrentar os desafios que estavam por vir em busca da verdade e da justiça.

Quando saíram do escritório do Otávio e entraram no carro, Orlando não se conteve e teve que perguntar.

— Meu amor, por que você ficou olhando pro Otávio com cara de espanto? — perguntou enquanto ajeitava o espelho retrovisor.

— Não sei, meu bem. Parece que conhece ele de algum, mas não sei de onde. — respondeu enquanto colocava o cinto de segurança.

— Que estranho!

— Muito estranho, amor.

Orlando deu partida no carro. Era uma pequena viagem de uma hora e meia de carro até Marimbá.

Quando estavam chegando, Orlando tomou outro caminho.

— Orlando, você errou a entrada. Sua casa fica no outro sentido.

— Eu sei querida, mas vou te levar pra tomar um sorvete. — ele sorriu e deu uma piscadela para Hilda, que sorriu.

— Só você mesmo!

Orlando sabia que Hilda precisava de um momento para si mesma após tudo o que havia acontecido.

Desceram do carro e foram caminhando até uma sorveteria a poucas quadras dali. O sol estava brilhando e o ar estava fresco, criando um ambiente reconfortante. Sentaram-se em uma mesa ao ar livre e pediram seus sorvetes favoritos. Enquanto saboreavam seus sorvetes, Orlando tentava distrair Hilda com conversas leves e piadas, ela estava começando a esboçar alguns sorrisos tímidos.

Mesmo tentando se divertir, Hilda não conseguia evitar o pensamento sobre todas as reviravoltas que sua vida havia tomado.

— Você está bem, querida? — perguntou, notando a expressão pensativa de Hilda.

Ela suspirou, mexendo com a colher no sorvete.

— Estou tentando ficar, amor. Mas é difícil.

— Eu sei, meu amor. Eu sei. — disse Orlando, colocando a mão sobre a dela com carinho.

Hilda assentiu, apreciando o gesto carinhoso.

— Obrigada por estar ao meu lado, Orlando.

Eles terminaram os sorvetes e se preparavam para voltar para casa, até que uma figura conhecida apareceu na rua à frente deles. Era Amanda, caminhando com passos rápidos e determinados. Hilda sentiu um aperto no coração ao vê-la, mas Amanda passou por eles sem sequer olhar na direção de sua mãe.

Hilda engoliu em seco, sentindo as lágrimas ameaçando transbordar. Ela tentou chamar por Amanda, mas as palavras morreram em sua garganta. O olhar vazio e indiferente de sua filha a atingiu como um soco no estômago.

Orlando segurou a mão de Hilda, transmitindo apoio silencioso enquanto observavam Amanda se afastar. Hilda deixou as lágrimas caírem livremente, sem se importar com as pessoas ao redor. Ela sentia uma mistura de dor, tristeza e um profundo desejo de consertar as coisas com sua filha, mas não sabia por onde começar.

Com o coração partido, Hilda se deixou levar pelas emoções, enquanto Orlando a abraçava com amor e compreensão, prometendo estar ao seu lado em todos os momentos difíceis que estavam por vir.

Hilda e Orlando chegaram em casa. Lígia estava chegando do colégio, Clara retornava do curso que estava fazendo, e Lucas estava em casa, mexendo no computador. Ao ver Hilda e Orlando chegarem, todos se reuniram na sala, curiosos para saber como tinha sido o encontro com o advogado.

— Como foi com o advogado, mãe? — perguntou Lígia, com um olhar ansioso.

Hilda respirou fundo e sorriu de forma triste.

— Foi um encontro bastante produtivo. O Dr. Otávio parece ser um advogado muito competente e está confiante de que poderemos construir uma boa defesa. — ela começou a se afastar sem encará-los — Vou tomar um banho.

— Orlando, aconteceu alguma coisa? Minha mãe parece estar mais triste.

— Sim, querida. Encontramos com Amanda na rua.

Orlando contou o que aconteceu e explicou sobre os detalhes da reunião de forma clara e tranquilizadora.

Quando Hilda voltou do banho, vestindo roupas confortáveis, encontrou Lígia gritando na sala, estava visivelmente irritada ao ouvir que Amanda havia ignorado completamente Hilda na rua.

— Isso é inaceitável! Como ela pode fazer isso com você, mãe? — ela estava indignada.

Orlando colocou a mão no ombro de Lígia, acalmando-a e sussurrou no ouvido dela:

— Eu entendo sua raiva, Lígia. Mas precisamos apoiar a sua mãe neste momento. Ela precisa de nossa força e amor mais do que nunca. Fique calma.

Hilda agradeceu o apoio de todos, se sentiu grata pela família que tinha ao seu lado e se dirigiu ao Orlando com cara de preocupação.

— Amor, você não está de plantão hoje?

— Não, meu amor. Tirei uns dias de folga. Quero estar aqui pra cuidar de você e ajudar vocês com a mudança.

— Mas Orlando...

— Não se preocupe com nada, meu amor.

Todos se abraçaram, formando um círculo de apoio e amor. Depois, foram para a cozinha ver o que tinha para o almoço. Os cinco na cozinha era sempre um momento muito divertido, com todos colaborando e conversando enquanto preparavam a refeição juntos. As risadas e o calor humano preenchiam o ambiente, mostrando que, apesar dos desafios, a família estava unida e disposta a enfrentar tudo junto.

Coragem - Hilda & OrlandoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora