Estou no hospital me acabando de chorar nos braços da minha mãe, eu e o Humberto fomos tragos pra cá, só que ele foi pro necrotério.
— Ele se foi, mãe! O meu Humberto... Eu tô com um vazio no peito, uma dor tão grande.
Os pais dele estão a caminho, mas ainda não sabem que ele morreu.
— Oh, meine liebe (meu amor). — diz o meu pai passando a mão na minha cabeça.
Olho pra TV, e bem na hora que o horário mudou pra meia-noite a Elaine e o Geraldo entraram no hospital. Meu choro se intensifica, eu definitivamente não vou conseguir falar pra eles que seu único filho está morto.
— Daniel! Hans, Michele. Aonde ele está?
Olho pra minha mãe, que levanta.
— Elaine, Geraldo... É... Infelizmente o Humberto, ele não resistiu aos ferimentos.
— O quê?! — Geraldo se aflige.
— Não...
— Ele faleceu nos braços do Daniel.
Elaine me olha e vê minha roupa suja de sangue.
— Não... O meu filho, não! Não o meu Humberto!!
Levanto e abraço os dois, então choramos juntos.
— O meu menino. — diz Geraldo.
— D-Daniel, por favor, me fala que não é verdade!
— Como eu queria poder...
— Ai, o meu filho... Geraldo, nosso filho! — ela diz deitando a cabeça no peito do marido.
— Ele tava tão feliz, tão radiante, tão lindo... — digo. — Hoje ele disse que nunca escolheria me deixar. Parece até que ele estava se despedindo.
— O que ele disse estava certo. Ele brilhava mais que o Sol. — diz o Geraldo.
A partir daí eu fiquei no automático, chorando silenciosamente, só fui perceber que estava vivo quando deitei na minha cama na casa dos meus pais.
— Mãe.
— Sim? — ela me olha com os olhos vermelhos, estamos todos chorando.
— Fica comigo até eu dormir, por favor.
— Eu também vou ficar. — diz meu pai.
Eles se deitam comigo e beijam minha testa, então eu acabo dormindo eventualmente, mas demorou. Olho pra janela e vejo alguém de costas pra mim, deve ser um sonho.
— Bebeto? — sento na cama.
Ele se vira pra mim com um sorriso lindo.
— Meu amor.
Levanto e me aproximo.
— É você mesmo?
— É a sua mente tentando te tranquilizar.
— Volta pra mim, amor. Todo mundo já sente sua falta.
— Eu não posso voltar, Daniel.
Olho pra baixo.
— Desculpa não ter conseguido te ajudar, meu amor.
Ele coloca as mãos no meu rosto e eu realmente pude sentir.
— A culpa não foi sua, eles eram muitos. Você tentou.
— Eram... Eu nunca vou te esquecer, e nenhum dos momentos lindos que passamos juntos, você sempre vai estar no meu coração.
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Perdido (Romance Gay)
RomanceDaniel é um jovem metade brasileiro e metade alemão, o mesmo perde o namorado num ato de violência na virada do ano e vai tentar a vida na Europa. Será que ele encontrará o amor novamente?
