#3: Tristeza de verão

931 50 0
                                        

Estou no hospital me acabando de chorar nos braços da minha mãe, eu e o Humberto fomos tragos pra cá, só que ele foi pro necrotério.

— Ele se foi, mãe! O meu Humberto... Eu tô com um vazio no peito, uma dor tão grande.

Os pais dele estão a caminho, mas ainda não sabem que ele morreu.

— Oh, meine liebe (meu amor). — diz o meu pai passando a mão na minha cabeça.

Olho pra TV, e bem na hora que o horário mudou pra meia-noite a Elaine e o Geraldo entraram no hospital. Meu choro se intensifica, eu definitivamente não vou conseguir falar pra eles que seu único filho está morto.

— Daniel! Hans, Michele. Aonde ele está?

Olho pra minha mãe, que levanta.

— Elaine, Geraldo... É... Infelizmente o Humberto, ele não resistiu aos ferimentos.

— O quê?! — Geraldo se aflige.

— Não...

— Ele faleceu nos braços do Daniel.

Elaine me olha e vê minha roupa suja de sangue.

— Não... O meu filho, não! Não o meu Humberto!!

Levanto e abraço os dois, então choramos juntos.

— O meu menino. — diz Geraldo.

— D-Daniel, por favor, me fala que não é verdade!

— Como eu queria poder...

— Ai, o meu filho... Geraldo, nosso filho! — ela diz deitando a cabeça no peito do marido.

— Ele tava tão feliz, tão radiante, tão lindo... — digo. — Hoje ele disse que nunca escolheria me deixar. Parece até que ele estava se despedindo.

— O que ele disse estava certo. Ele brilhava mais que o Sol. — diz o Geraldo.

A partir daí eu fiquei no automático, chorando silenciosamente, só fui perceber que estava vivo quando deitei na minha cama na casa dos meus pais.

— Mãe.

— Sim? — ela me olha com os olhos vermelhos, estamos todos chorando.

— Fica comigo até eu dormir, por favor.

— Eu também vou ficar. — diz meu pai.

Eles se deitam comigo e beijam minha testa, então eu acabo dormindo eventualmente, mas demorou. Olho pra janela e vejo alguém de costas pra mim, deve ser um sonho.

— Bebeto? — sento na cama.

Ele se vira pra mim com um sorriso lindo.

— Meu amor.

Levanto e me aproximo.

— É você mesmo?

— É a sua mente tentando te tranquilizar.

— Volta pra mim, amor. Todo mundo já sente sua falta.

— Eu não posso voltar, Daniel.

Olho pra baixo.

— Desculpa não ter conseguido te ajudar, meu amor.

Ele coloca as mãos no meu rosto e eu realmente pude sentir.

— A culpa não foi sua, eles eram muitos. Você tentou.

— Eram... Eu nunca vou te esquecer, e nenhum dos momentos lindos que passamos juntos, você sempre vai estar no meu coração.

Perdido (Romance Gay)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora