JAMES GRIFFIN
ACORDEI SENTINDO MINHAS COSTAS e pernas doerem de uma forma absurda. Com o acidente que aconteceu na avenida principal da cidade no sábado, envolvendo três carros e um ônibus, o hospital ficou lotado. O que acabou me prendendo no hospital o final de semana inteiro.
Foram mais de vinte feridos e oito deles estavam com traumas profundos e precisando de atendimentos imediatos. Pulei de uma cirurgia para a outra sem pausas nem para comer alguma coisa, apenas ir ao banheiro rapidamente, tomar um café e voltar ao trabalho.
Cheguei em casa destruído. Nem parei para comer, fui direto tomar banho, e apenas dei um beijo de boa noite na minha filha antes de me jogar na cama e cair em um sono profundo.
Queria muito ficar mais alguns minutos enrolando na cama, mas o despertador estridente tocando na mesa de cabeceira ao lado da minha cama não me permitia fechar os olhos outra vez.
Tateei o lugar, encontrando o meu celular e rapidamente o fiz ficar silencioso. Afundei meu rosto no travesseiro por alguns segundos antes de finalmente me levantar e ir diretamente para o banheiro para um banho e escovar os dentes, pois tinha uma criaturinha para acordar.
Depois do sermão, mais conhecido como tapa na cara, que minha irmã me deu há alguns dias, eu venho diariamente pensando nas minhas ações relacionadas a minha filha. Por isso, depois de organizar mais ou menos a minha rotina pesada e gigantesca no hospital, eu finalmente tinha um tempo a mais pela manhã para que eu pudesse acordá-la e tomar um café da manhã decente antes de ter que ir trabalhar.
Sabia que levaria um tempo até as coisas se ajeitarem, que eu não podia mudar o jeito que eu vinha sendo há três anos de uma hora para a outra, mas já era um avanço mudar, pelo menos em alguns aspectos, minhas atitudes relacionadas às pessoas à minha volta. Eu ainda seria um pouco mal-humorado, até meio chato e sistemático, afinal, daquela forma eu era desde sempre, mas o cara babaca, que afastava e era grosseiro com as pessoas tinha que ficar pra trás.
Não podia mais deixar o luto e a depressão ser o centro da minha vida, não ficar mais estagnado por conta da dor. Eu sabia que ela sempre estaria aqui, que eu sempre sentiria meu peito se apertar ao pensar na minha mulher, que sempre sentiria a culpa se apossar do meu peito por pensar em seguir uma vida sem Verona do meu lado, mas não podia deixar isso me consumir por completo.
Sabia o quanto tinha sofrido, sabia que perdê-la tinha arrancado um pedaço irreparável da minha alma, porém, lá no fundo, eu sabia o quanto permanecer daquela forma era errado. E que Verona não gostaria que eu permanecesse sucumbindo.
Era por isso que, neste momento, eu estava preparando o café da manhã para poder comer com minha irmã e minha filha.
Despejei os ovos mexidos em um pequeno refratário e virei os bacons na frigideira para terminar de dourar do outro lado enquanto uma música dos Beatles tocava em volume baixo na caixinha de som em cima de uma das bancadas. Após terminar de virá-los, comecei a arrumar a ilha com os pratos e copos para o café da manhã.
Além de ovos e bacon, eu também havia feito torradas, algumas panquecas com chantilly, comprado alguns croissants e feito suco natural de laranja com as frutas de um pé que havia aqui na propriedade.
Ao ver tudo pronto e posto, achei ter exagerado com a quantidade de coisas, mas nada disso afetou a minha cabeça quando minha filha entrou junto da minha irmã na cozinha e viu que, além de estar aqui, eu tinha feito o café da manhã e comeria com elas.
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Escolha Certa - CONCLUÍDO
RomanceVIZINHOS - "ENEMIES TO LOVERS" - CONVIVÊNCIA FORÇADA - COLEGAS DE TRABALHO - PAI SOLO - CRIANÇA FOFA - HOT+18 - FOUND FAMILY James Griffin, um homem marcado pelos traumas do passado, vive uma vida extremamente controlada, segura e previsível, tenta...
