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EMMA CONWAY

EU NÃO CONSEGUI DORMIR. Não quando a ansiedade e euforia não me permitiram. Fiquei me revirando durante boa parte da noite na minha cama, tentando forçar o meu corpo a se entregar ao sono, mas parecia que minhas cobertas estavam infestadas de formiga, pois a cada cinco segundos eu me remexia sem nenhum controle.

Tomei três copos de suco de maracujá, tentei ler um livro ruim para ver se eu conseguia apagar, só que nada daquilo adiantou quando olhei para o relógio e era quase duas da manhã. Pensei seriamente em desistir de tentar e me entreter com alguma coisa até dar o horário de finalmente levantar e me arrumar para o trabalho, mas depois de tanta luta, consegui fazer o meu corpo me obedecer e consegui pregar o olho.

Por sorte, ao ouvir o meu celular despertar nesta segunda-feira, não me senti nem um pouco cansada ou exausta pela noite mal dormida, a adrenalina e ansiedade estavam corroendo tanto o meu corpo ao ponto de não me fazer ter nenhuma gota de sono após dormir apenas quatro horas.

Minhas coisas já tinham sido deixadas prontas na noite anterior, por isso apenas tomei um banho rápido, tomei um café com bastante açúcar, já que nada além disso pararia no meu estômago que se corria por dentro, e não demorei muito para sair de casa.

Os trinta minutos até chegar no Hospital Alfredo Vesalius foram os mais lentos da minha vida, contudo, nada me preparou para o impacto que eu sentiria ao me deparar com os imponentes prédios gigantescos e envidraçados e lindos e perfeitos.

Eu fiquei boquiaberta com o tamanho do lugar. Eu sabia que era grande, luxuoso e totalmente diferente de tudo o que eu já tinha imaginado, porém nenhuma foto ou imaginação fazia jus ao ver essa preciosidade pessoalmente.

Mas não tive tempo de admirar muito tempo quando percebi, no relógio do painel, que estava levemente atrasada.

Estacionei em um lugar reservado para os funcionários, como haviam me instruído, não me importando que alguém estava prestes a parar ali e entrei a passos rápidos por uma das portas do prédio. Uma mulher, muito educada e prestativa rapidamente veio me atender, apresentando-se como Carmen. Ela era uma enfermeira daquela parte e estava encarregada de levar os residentes até o auditório onde nos encontraríamos com os superiores que nos designariam para cada cirurgião especializado.

Eu juro que tentava prestar atenção em tudo o que ela dizia para mim com certa animação, mas meus olhos estavam mais determinados em captar cada detalhe possível que tinha à nossa volta.

Acho que, como esse prédio era quase todo destinado a cirurgias, quase não se via uma movimentação exagerada naquela recepção. Mas consegui entender, pelo o que Carmen dizia, que não era para deixar-me enganar com tamanha calmaria, afinal, os próximos andares eram uma loucura, principalmente a entrada onde chegavam os pacientes traumáticos.

Fomos conversando enquanto seguimos para um grupo de mais ou menos trinta pessoas conversando, alguns pareciam animados, outros com seus rostos nervosos, mas dois ou três pareciam indiferentes, como se estar ali não mudasse em nada a vida deles.

Eles também eram residentes, então após a chegada do último, Carmen e outras duas mulheres nos dividiu em três grupos e seguimos em direção aos elevadores.

No quinto andar, fomos diretamente para o vestiário trocar de roupa, e não demoramos muito para chegarmos no auditório, depois de seguir intermináveis corredores, passar por várias partes do hospital que fiz questão de gravar cada uma delas e algumas pessoas apressadas vestidas com seus devidos uniformes ou outras apenas andando pelo local, finalmente chegamos no auditório.

Escolha Certa - CONCLUÍDOOnde histórias criam vida. Descubra agora