08.

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JAMES GRIFFIN

ASSIM QUE CHEGUEI NO HOSPITAL, soltei uma risada incrédula ao notar o mesmo carro do dia anterior parado novamente na minha vaga.

Ela não tinha feito aquela porra, certo?
Me desafiando sem pensar duas vezes.
Sem pensar nas consequências.
Mas Emma não sabia com quem estava lidando.

Tive que respirar fundo três vezes seguidas para controlar os meus nervos antes de seguir para outra que estava livre a alguns metros de distância.

Entrei no HAV determinado a fazer da vida dela um inferno e não me importava se isso era antiético ou não. Foi ela quem pediu ao não me escutar ontem e achar que minhas ameaças eram vazias.

Depois de trocar de roupa, segui para a emergência onde encontrei os meus residentes me esperando.

Meus olhos não demoraram nem um segundo para caírem diretamente em Conway, que estava com os braços cruzados, a cabeça erguida e os olhos desafiadores.

Desviei minhas íris sem deixar minha raiva por ela ter me desafiado evidente e comecei a designar cada um para as tarefas. Dois deles mandei acompanhar o cirurgião geral em uma cirurgia de retirada de apêndice, outros dois para o pronto socorro e finalmente me virei para Emma, que esperava da mesma maneira quando entrei aqui.

— Para onde eu irei? — perguntou, arqueando uma sobrancelha. — Achei que fosse para o pronto socorro — Sua voz escorria deboche.

— E iria, mas resolvi mandá-la para outro lugar — comentei, vago.

— Onde? — queria saber, curiosa.

Um sorriso se despontou na minha boca.
— CTI.

Confusão tomou o seu rosto.
— O quê? Como assim?

Estendi uma prancheta com nomes de vários pacientes traumáticos que estavam em observação.
— Quero que faça visitas nesses pacientes e anote qualquer anomalia que encontrar ou se está estável e respondendo bem o pós-cirurgia para me entregar no final do dia.

Sua testa enrugou e ela me olhou incrédula.
— Eu não sou técnica em enfermagem para fazer evolução de paciente.

— Mas isso não é uma evolução, Conway. Ou não sabe que os cirurgiões fazem visitas diárias aos seus pacientes? Ou talvez… se ache boa demais para não precisar acompanhar a forma como, a pessoa que você operou, está respondendo depois de um procedimento invasivo.

Ela teve a decência de parecer ofendida e a raiva brilhou nas suas íris com a minha insinuação.

— Não foi isso que eu quis dizer!

— Espero mesmo que não, Dra. Conway.

Vi o momento em que quis me lançar uma resposta atrevida, mas a engoliu em seguida e logo seus olhos se suavizaram, pois ela sabia como aquela frase tinha saído de uma maneira muito preconceituosa e ofensiva da sua boca.

Ela olhou novamente para a prancheta nas suas mãos.
— São cinquenta e dois pacientes.

— Eu sei que você dá conta ou estou errado? — ela não respondeu, apenas me fuzilou com o olhar. — Ótimo. Vejo você no final do dia, Conway.

— James, seu idiota! — me xingou.

Olhei-a por cima do ombro.
— Como é?

— Nada, Dr. Griffin — fez sua melhor cara de inocente e me deu as costas. — Tenha um péssimo dia — resmungou achando que eu não ouviria, mas ouvi muito bem.

Escolha Certa - CONCLUÍDOOnde histórias criam vida. Descubra agora